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#UFPR105anos – Erica Storer de Araújo: traduzindo a vida em arte

Superintendência de Comunicação Social     3 de julho de 2018 - 15h49

Acompanhe a série de perfis dos homenageados na celebração dos 105 anos da Universidade Federal do Paraná

Erica Storer de Araújo é fascinada por arte desde pequena. Mas foi só nas aulas de desenho preparatórias para o vestibular de Arquitetura que ela teve a dimensão do seu vínculo com a arte e descobriu que a complexidade envolvida nas Artes Visuais ia além do desenho para o exame. Foi assim que ela mudou seus planos de carreira e que a UFPR ganhou uma disseminadora de cultura. Por seu trabalho na área dentro da universidade, Erica foi uma das homenageadas na celebração dos 105 anos da instituição.

Curadora assistente de uma exposição resultado da primeira pesquisa de longa duração da Iniciação Científica apresentada no Museu Oscar Niemeyer, destaca-se como uma disseminadora de cultura e como parte da valorização e preservação da cultura dentro da comunidade universitária.

Sempre contando com o apoio da família, Erica frequentou aulas de um curso de pintura ofertado pela da Rua da Cidadania quando estava na sétima série e, apesar de não se considerar boa no que fazia, sentia nervosismo e um “frio na barriga” todas as quintas-feiras – dias das classes. Era o interesse começando a aflorar.

“Quando estava no ensino médio, deparei-me com o projeto ‘Galerias Subterrâneas’ do artista Newton Goto. A proposta consistia na ocupação de galerias subterrâneas de terminais de ônibus de Curitiba por artistas e coletivos oriundos de diferentes locais do Brasil. Como usuária do sistema de transporte coletivo da cidade, passei por algumas dessas artes. A relação com os trabalhos despertou em mim curiosidade para transitar pelos terminais que gerou certa ansiedade e encantamento a cada nova descoberta de trabalhos expostos em terminais”.

Erica Storer: ” O maior benefício de ter cursado Artes Visuais foi perceber o caráter sensibilizador e humanizador do curso, construído por colegas, professores e técnicos”.

Erica conta que não sabia de fato qual era o objetivo do projeto, então as assimilações das ocupações foram sendo gradativamente construídas à medida que transitava pelos locais. “Percebi como público a importância de compreender o espaço como um lugar de troca cultural”. A influência foi tão marcante que, posteriormente, tornou-se seu foco de pesquisa no Trabalho de Conclusão de Curso da graduação.

Desde que ingressou na UFPR, a jovem buscou se envolver com as atividades da universidade. Logo no primeiro ano, foi bolsista no Museu de Arqueologia e Etnologia, em seguida fez parte do Centro Acadêmico de Artes Visuais e participou de pesquisas de iniciação científica e foi monitora na disciplina de Desenho. Ao final de sua graduação, foi contemplada com uma bolsa de intercâmbio do programa Erasmus Mundus, por meio da qual viajou para a Croácia. Segundo ela, este foi um momento crucial para sua formação e profissionalização.

“Ao longo de minha graduação busquei aproveitar as oportunidades de estudo e pesquisa que universidade disponibiliza, tentando estabelecer, também, diálogos com projetos e trabalhos exteriores a ela. Sou muito grata por todo o apoio e contato afetuoso com os professores que tive. O maior benefício de ter cursado Artes Visuais foi perceber o caráter sensibilizador e humanizador do curso, construído por colegas, professores e técnicos”, comenta.

Erica já participou e desenvolveu diversos trabalhos apresentados em exposições como Venice International Performance Art Week, Circuito Universitário da Bienal Internacional de Curitiba, Amostra Urbana, Origami Curvo e Sesc-Paço da Liberdade. Além de ter participado do grupo de desenvolvimento e pesquisa em Artes Visuais no Sesc e fazer parte do Coletivo Brutas, composto por mais quatro artistas mulheres curitibanas. Um desses trabalhos é a exposição “Vestidos em Arte: os nus nos acervos públicos de Curitiba”, do qual é curadora assistente.

“Vestidos em Arte: os nus nos acervos públicos de Curitiba”

A exposição, que ficou em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, resultou de cinco anos de pesquisa do grupo de Iniciação Científica “O corpo no palco de gênero: representações corpóreas de feminilidades e masculinidades na arte brasileira no fim do século XIX e início do século XX”, desenvolvida pela professora Stephanie Dahn Batista.

“Ao longo desses anos de pesquisa, várias estudantes ingressaram no projeto, o que valorizou muito o grupo, pois cada uma trouxe consigo uma perspectiva e diferentes interesses sobre o tema. Ao final, somaram-se oito estudantes”, explica a artista visual. A exposição é um recorte desses olhares, composta por sete seções apresentando as possíveis representações do corpo humano e suas inscrições artísticas e discursivas: O corpo como Objeto Artístico; O corpo vem em gênero; O corpo na Academia; O corpo e seu desejo; O corpo invisível; O corpo bizarro e grotesco; e O corpo fragmentado.

O papel de Erica, assim como o das demais participantes, foi desenvolver a pesquisa de campo nos acervos públicos de Curitiba, sempre guiada pela perspectiva crítica e teórica das discussões de gênero. “Como parte do trabalho, realizamos uma série de entrevistas e conversas com artistas, professores e teóricos sobre as aulas de Modelo Vivo Nu na Escola de Belas Artes do Paraná. Depois desse momento, foi preciso compreender a pesquisa como uma exposição, a partir de suas necessidades e diálogos com o público”, revela. A egressa destaca o papel fundamental de Stephanie, professora e curadora da exposição, que sempre envolveu as alunas plenamente em todo o processo de forma horizontal e coletiva.

Homenagem e futuro

A egressa considera recompensador ter sido uma das homenageadas em um momento tão importante para a universidade. “Foi muito gratificante ocupar esse espaço representando a cultura dentro da UFPR e saber que nunca estive sozinha nesse processo. É muito bom sair da instituição e ver que, na verdade, todos cresceram juntos. Eu insisto nesse ponto, porque a conquista foi de todos”, relata.

As áreas mais tradicionais das Artes Visuais são desenho, escultura, gravura, pintura, cerâmica, artes gráficas e mídia e multimídia. Erica diz se compreender como artista visual, decisão que vai além das limitações que cabem em cada linguagem. “Meus trabalhos existem em diferentes linguagens, são materializados da forma mais adequada ao seu conceito e conteúdo. Recentemente tenho me aproximado da performance, por sentir a necessidade da relação direta com o público. Assim como, por buscar um certo imediatismo que a performance traz consigo, como uma busca incansável pelo momento presente”.

Tendo concluído a graduação no final de 2017, atualmente a artista visualafirma estar na transição, terminando um logo ciclo e se preparando para começar outro. Sua intenção é se concentrar ainda mais na prática artística. “Eu trabalho na Galeia Ponto de Fuga e, lá, atuo na parte de produção e desenvolvimento de projetos. Por isso, quanto penso em prática artística, não me limito à apenas a minha prática, mas também considero o aprendizado em executar projetos de outros artistas, compreendendo suas especificidades”.

Por Jéssica Tokarski

 

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