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Ciência e Tecnologia

UFPR transfere tecnologia para produção de novo repelente contra mosquito da dengue

Aline Nunes     6 de maio de 2021 - 17h53

O novo repelente pode chegar no mercado em até 3 anos, se aprovado nos testes de toxicidade. Foto: Shammiknr/Pixabay

A Universidade Federal do Paraná realizou a transferência de tecnologia para o desenvolvimento de um novo repelente de mosquitos, biodegradável e, provavelmente, de baixa toxicidade. A molécula será testada em laboratórios credenciados pela Anvisa, etapa necessária para a aprovação de uso comercial. O repelente apresentou ótimos resultados nos testes realizados na UFPR, quando foi testado em espécies como Aedes aegypti, transmissora de doenças como a dengue e a febre amarela.

A Agência de Inovação UFPR divulgou uma oferta pública em busca de uma empresa interessada na molécula. “A BAIC Biotecnologia (multinacional de biotecnologia com foco na agricultura e desenvolvimento sustentável) apresentou interesse e formalizou uma proposta para transferência de tecnologia, inclusive com uma parceria para financiar e estender o limite geográfico de proteção da tecnologia”, explica Alexandre de Moraes, coordenador de propriedade intelectual e de transferência de tecnologia da Agência de Inovação UFPR.

De acordo com Vivian Szilagyi Zecchin, coordenadora de assuntos regulatórios e de pesquisa e desenvolvimento da BAIC, a estimativa é de que o repelente, se aprovado nos testes de toxicidade, chegue ao mercado consumidor em dois ou três anos, dependendo do tempo para a concessão de licenças pelos órgãos responsáveis. “O primeiro passo é ajustar as formulações com a finalidade de escalonamento industrial sem perder a eficiência do produto. Em seguida, partiremos para os licenciamentos junto aos órgãos reguladores para cumprir os protocolos de eficiência e a comprovação da baixa toxicidade. Deste ponto em diante o produto está apto para ser comercializado, inclusive no mercado externo, pois o licenciamento de exploração da tecnologia contempla este aspecto”, informa.

O professor Francisco de Assis Marques, do Departamento de Química da UFPR, explica que os testes “dizem respeito à garantia da segurança em se utilizar uma nova molécula em formulações de produtos que entrarão em contato com a pele das pessoas. Entre esses testes encontram-se os de toxicidade dérmica, ocular e de carcinogênese”. O professor é o responsável pelo desenvolvimento da molécula no Laboratório de Ecologia Química e Síntese de Produtos Naturais da UFPR.

Molécula da UFPR

A função do repelente é impedir que as fêmeas dos mosquitos encontrem as pessoas para picar. Isso porque elas usam o sangue humano para viabilizar os ovos durante a reprodução. A substância desenvolvida na UFPR usou um atraente, ou seja, uma molécula que é utilizada pelas fêmeas para a localização de hospedeiros. Entretanto, a substância passou por modificações químicas na estrutura visando alterar a informação passada pela molécula ao interagir com os receptores das fêmeas dos mosquitos, passando de atraente a repelente.

“A interação forte dos receptores com essa nova molécula, deve ser responsável por dificultar a interação dos receptores do mosquito com outras moléculas usadas pelas fêmeas para localizarem seus hospedeiros. A estratégia de aproveitar essa forte interação da molécula do atraente para desenvolver um repelente, resultou em uma elevada eficiência de repelência observada nos testes de laboratório”, descreve o professor Francisco.

Para a BAIC, uma das vantagens da molécula é a provável baixa toxicidade, o que gera expectativa de permissão de uso do repelente por crianças pequenas e mulheres grávidas. “O princípio ativo do repelente foi elaborado partindo do que já existe na natureza. Foi inspirado no processo de coevolução de seres humanos e insetos. É aí que está o brilhantismo da ideia: estamos aproveitando a sinalização química que os insetos reconhecem para confundir essa comunicação”, declara Vivian.

Outro diferencial da molécula está no fato de ser o primeiro repelente derivado de um atraente, tendo como matéria prima para a síntese uma substância de origem natural, biodegradável e de baixa toxicidade. “O processo de síntese dessa molécula envolve etapas reacionais, sem solvente e com quantidade bastante reduzida de um catalisador, o que minimiza o impacto ambiental na produção da molécula”, destaca o professor.

Mercado e indústria

Atualmente há três moléculas sintéticas usadas pela indústria na produção de repelentes. O DEET foi desenvolvido pelo exército dos Estados Unidos e é um dos mais usados pelo mercado. A icaridina e o IR3535 são as outras opções. A molécula da UFPR, que já tem patente nacional e internacional depositadas, será a quarta do mundo e a primeira desenvolvida fora dos Estados Unidos e Europa, caso seja aprovada para uso. A substância continua em estudo na UFPR e será objeto de parceria com um grupo de pesquisa norte-americano.

“A UFPR possui uma imensa gama de conhecimento que permite a interação com o setor produtivo para a inovação. Além da transferência de tecnologia, a universidade também oferta serviços técnicos e parcerias para pesquisa, desenvolvimento e inovação”, informa Alexandre de Moraes, da Agência de Inovação UFPR, que trabalha na aproximação entre a indústria e a universidade.


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