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UFPR inaugura Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos em Pontal do Paraná

Bruna Bertoldi Gonçalves     19 de junho de 2019 - 17h28

O Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CRD), localizado no Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR, em Pontal do Paraná, foi inaugurado na tarde da última terça-feira, 18. O espaço tem capacidade para atender acidentes ambientais e abrigar 100 pinguins, dez aves voadoras, dez tartarugas marinhas, um lobo-marinho, leão-marinho ou foca e um golfinho ou baleia de até três metros de comprimento.

A estrutura é composta por ambulatório, enfermaria, área de despetrolização – para atendimento de acidentes ambientais, caso ocorram no Paraná -, recintos para receber aves marinhas, golfinhos, pinguins, lobos marinhos, focas e tartarugas marinhas, área para necrópsia dos animais encontrados mortos e laboratórios para análises de amostras biológicas coletadas e estudo de parâmetros biológicos de saúde, como hemograma e perfil bioquímico dos animais.

O local conta com cozinha para preparação de alimentos adequados para cada grupo, área para suporte à equipe de campo do CEM que monitora as praias do litoral do estado diariamente e uma sala de aula.

A sala de educação ambiental do CRD está pronta para receber estudantes da Universidade e de outras instituições. Fotos: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

Crânios e esqueletos de espécies marinhas e materiais ingeridos por animais resgatados pela equipe do CEM estão expostos para apresentação aos visitantes.

“Esse espaço vai nos trazer a condição de fazer com qualidade os trabalhos que nós já desenvolvemos: uma investigação quanto à saúde do ecossistema marinho e da fauna. Trazemos também informações muito importantes para a nossa saúde, para entendermos qual é a qualidade do ecossistema marinho hoje e o que nós podemos fazer pra melhorar essa qualidade. O que a gente faz aqui garante saúde pública. A gente trabalha com saúde única, que é esse contexto de um ambiente com qualidade para todos”, informou a bióloga, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conversação da Universidade e responsável técnica pelo CRD na UFPR, Camila Domit.

O projeto que proporcionou a construção do CRD é uma condicionante ambiental imposta pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Petrobras pela exploração de petróleo e gás na área da Bacia de Santos. A determinação passou a ser executada em 2015.

A estruturação do Centro é uma das ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) que visa à criação de uma rede veterinária de atendimento à fauna marinha nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Os recursos foram viabilizados por meio de uma parceria entre a estatal e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), instituição com a qual a UFPR firmou um termo de cooperação técnica para a construção do CRD no CEM. 

A equipe multidisciplinar que fará o acompanhamento diário dos animais atendidos em Pontal do Paraná conta com veterinários, biólogos, engenheiros ambientais, oceanógrafos, engenheiros de aquicultura, comunicadores e educadores.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, destacou a função do Centro para produção e transmissão do conhecimento e a relevância das ações para a comunidade do litoral e para a preservação da fauna marinha. “Essa inauguração é emblemática, importante para demonstrar a matéria da qual é feita a universidade pública brasileira. A universidade é o lugar do desenvolvimento regional. Aonde vai, sobretudo fora do seu polo central, no nosso caso Curitiba, não atrai apenas estudantes novos. Ela traz civilidade, desenvolvimento humano, desenvolvimento econômico, a universidade traz vida”, afirmou.

“Nós tivemos a habilidade e a confiança dos melhores profissionais para encarar esse desafio conjuntamente. O recado da nossa equipe da Petrobras é um agradecimento, pois fizemos dessa condicionante um projeto que se volta para conservação ambiental”, disse o gerente de meio ambiente da unidade operacional da Bacia de Santos da Petrobras, Marcos Vinícius de Mello. A partir de inauguração, os animais atendidos pelo projeto no litoral do Paraná serão encaminhados ao CRD. Oceanógrafos, veterinários, biólogos, engenheiros ambientais, engenheiros de aquicultura, comunicadores e educadores compõem a equipe multidisciplinar. 

“Temos diversos centros de reabilitação, assim como esse, espalhados nos três estados. No dia 17 de junho, atingimos a marca de 63 mil animais registrados e coletados nesse projeto. A gente tem visto muitos animais com saúde debilitada, afetados por uma miríade de fatores que estão atingindo os animais que usam o ambiente marinho. A estruturação de centros como esse que nos dá alguma esperança de que possamos melhorar essa situação”, comentou o coordenador-geral do projeto, André Silva Barreto, que representou a Reitoria da Univali na cerimônia.

O CRD conta com um sistema de filtros e tratamentos para cerca de 80 mil litros de água salgada utilizada nas piscinas. A água doce é salinizada artificialmente, livre de microorganismos, para auxiliar no tratamento dos animais.

“Trabalhamos na UFPR desde 2007 com o monitoramento das praias. Era um monitoramento pequeno, sem recursos, que dependia de recursos pessoais e familiares”, relembrou Camila. De acordo com a bióloga, entre 2007 e 2014, mais de 2 mil tartarugas marinhas e 200 golfinhos foram encontrados mortos no Paraná. Desde 2015, quando a estrutura do CRD começou a ser formada, a equipe encontrou mais de 10 mil animais mortos. “Só 10% são animais vivos, o que é uma pena, é um sinal de que o mar não está na sua melhor qualidade. Esses números realmente são assustadores porque mais de 63 espécies foram encontradas no litoral e muitas delas estão em risco de extinção”, lamentou.

A promotora de justiça e coordenadora do Grupo de Atuação em Área de Meio Ambiente Habitação e Urbanismo (Gaema) do Ministério Público do Paraná, Priscila da Mata Cavalcante, destacou a relação das atividades desempenhadas pela equipe do CRD com a saúde humana. “O Centro está localizado em uma reserva da biosfera, um espaço de Mata Atlântica preservada, considerada pelo Ministério de Meio Ambiente área de extrema relevância para a conservação. Nós temos uma fauna belíssima, endêmica, rara. Ela reflete a saúde do ser humano também. Nós nos alimentamos também dos peixes desse estuário”, finalizou.


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