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Ensino e Educação

UFPR cria livro de português para promover acolhimento acadêmico de migrantes e refugiados

Bruna Bertoldi Gonçalves     19 de junho de 2020 - 15h02

O lançamento ocorre no Dia Mundial do Refugiado e faz parte da agenda de eventos da ONU para celebração da data

Uma obra que visa ao acolhimento de estudantes de outros países por meio do ensino da língua portuguesa, para que permaneçam na universidade e concluam a trajetória acadêmica com sucesso. Com essa intenção, nasce Passarela, livro produzido com o apoio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A versão digital, disponível no site do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), será lançada em webinar em 20 de junho, às 15h.

A maioria dos autores, docentes com experiência no ensino do idioma a migrantes e refugiados, são pesquisadores que desenvolveram estudos relevantes na área nos cursos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPR. Assinam a organização da obra Bruna Pupatto Ruano, professora do Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas (Depac), e Carla Cursino, professora de francês e de português como língua de acolhimento no âmbito do Programa Política Migratória e a Universidade Brasileira (Pmub) da Universidade.

O material com 124 páginas foi elaborado para a disciplina “Português: práticas textuais acadêmicas”, destinada exclusivamente a migrantes e refugiados matriculados em cursos da UFPR. Apresenta os principais gêneros discursivos presentes no ambiente acadêmico. Entre eles, fichamento, resumo, resenha, artigo científico, debate e apresentação oral. As atividades com o grupo de alunos migrantes e refugiados na Federal do Paraná começaram em 2015, com a implementação do Programa Reingresso.

Kamilia Akminase, de 60 anos, aluna do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR, cursou a disciplina em 2019. “A oportunidade que a universidade me deu foi muito útil. Aprendi a fazer fichamentos, resumos, e aprendi mais sobre a literatura brasileira. A escrita acadêmica foi muito importante para conseguir escrever minha tese. Estou aprendendo português, totalmente diferente do árabe, minha língua nativa”. A síria pesquisa islamofobia e os direitos da mulher muçulmana nas normas internacionais.

De acordo com Bruna, trata-se do primeiro material didático para migrantes e refugiados inseridos no ambiente universitário. “É algo, de fato, inédito no Brasil e, arrisco dizer, no mundo. Há materiais de português como língua de acolhimento para esse grupo, mas nenhum até hoje específico para o ensino do idioma para alunos inseridos no contexto acadêmico”, informa. 

A finalidade é sensibilizar os estudantes para as especificidades da linguagem universitária, explica a professora. “O trabalho desses gêneros é importante porque nossa experiência mostra que há diferenças nas culturas de aprendizagem no ensino superior entre os diversos países que compõem a nacionalidade de nossos estudantes e o nosso ensino”. 

O título, alusão à estrutura que liga dois pontos, remete à oportunidade de acesso. Passarela também tem como proposta estimular os estudantes a compartilharem experiências de vida e da nova rotina acadêmica, para ressignificarem acontecimentos e afirmarem as identidades no espaço universitário.

Em junho de 2018, a venezuelana Zoraida Rivas chegou ao Brasil. A estudante de Engenharia Industrial Madeireira da Federal do Paraná está no terceiro período e tem 35 anos. Ela destaca que os exercícios de escrita acadêmica contribuíram para ampliar o vocabulário formal e técnico. “Foi interessante como introduziram os temas, mexendo com nosso conhecimento prévio para depois assistirmos a vídeos ou lermos sobre a matéria. Durante as aulas, nós treinávamos fazendo redações e recebíamos o feedback dos professores. Considero que a disciplina me ajudou a ser mais crítica no momento de escolher as referências”, avalia Zoraida.

O livro, que começou a ser elaborado em 2018, é dividido em três dossiês: “Bem-vindos à universidade”; “Escrita acadêmica”; e “Oralidade acadêmica”. “Nos preocupamos em trabalhar informações sobre a estrutura organizacional da UFPR – sua vida cultural, RU, Biblioteca, Intercampi. Pensando em um calouro que não conhece a universidade. Também discutimos regras da ABNT, o perigo do plágio, a confecção do currículo Lattes. Esperamos que outros professores e estudantes, em outras cidades e estados, se beneficiem, de algum modo, do Passarela”, almeja Bruna.

Dia Mundial do Refugiado

A data é celebrada em 20 de junho desde 2001. De acordo com o Acnur, homenageia a força, a resiliência e a coragem de mulheres, crianças e homens que precisaram deixar suas casas por conta de conflitos armados, perseguições e guerras. Dados da Agência da ONU para Refugiados indicam que 79,5 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar no mundo até o final de 2019.

Serviço

Webinar de lançamento do livro Passarela

Quando: 20/06, às 15h

Acompanhe aqui

Agenda de eventos virtuais do Acnur em comemoração ao Dia do Refugiado

Disponível em https://www.acnur.org/portugues/diadorefugiado/


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