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Extensão e Cultura

UFPR capacita servidores para formar rede de acolhimento para mulheres e público LGBTI

Superintendência de Comunicação Social     18 de abril de 2019 - 20h02

Nesta quinta-feira (18/04) aconteceu a primeira aula do curso “Rede de acolhimento: mulheres e LGBTI”. A iniciativa, voltada principalmente para capacitar servidores da UFPR, tanto professores como técnicos-administrativos, visa formar uma rede de acolhimento com os participantes criando referenciais para a recepção na comunidade universitária de pessoas que sofram violência ou necessitem de alguma ajuda.

Logomarca da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade (Sipad) com os símbolos que representam os públicos-alvo da unidade.

O projeto que contará com 4 módulos é coordenado pela Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade (Sipad) e conta com a colaboração de diversas unidades da UFPR além da Associação de Pesquisa e Pós-graduação em Educação (Anped).

O professor Paulo Vinicius Batista destacou que o objetivo do curso é a criação de uma rede de acolhimento difundida na estrutura institucional da UFPR. “Será um curso permanente com oferta a cada semestre voltado a professores e servidores que possam manter no seu espaço de trabalho um ponto de acolhimento LGBTI e de mulheres” explicou.

Ao final do curso será distribuído um adesivo para que o servidor que frequentou o curso possa indicar que naquele local há alguém habilitado para fazer um acolhimento, com capacidade para fazer um encaminhamento correto seja para oferecimento de ajuda ou para efetivar uma denúncia de um caso de violência.

Segundo Batista, a iniciativa que aborda primeiramente o acolhimento de mulheres e do público LGBTI será ampliada com cursos que tratem de todas as vertentes de atuação da Sipad. O professor nesta primeira aula apresentou a superintendência, fundada recentemente, se valendo dos símbolos presentes na logomarca da unidade.

Cada símbolo representa um público-alvo, a comunidade surda pelo símbolo da Lingua Brasileira de Sinais, o símbolo feminista representando a luta pela igualdade de gênero, o símbolo do Coletivo Nacional dos Povos Indígenas, o símbolo da imigração, ligado àqueles que precisam deixar seus países por algum motivo, o símbolo da inclusão, representando pessoas com necessidades especiais e também superdotados e pessoas com altas habilidades, o símbolo da resistência negra, o símbolodo dos quilombolas do Paraná, representando as populações dos quilombos e os povos do campo, e o Arco-íris representando a comunidade LGBTI.

A professora Maria Rita de Assis César, Pró-reitora de Assuntos Estudantis, foi uma das palestrantes da aula, falou um pouco do início da militância feminista na UFPR no final da década de 90 e início de 2000, quando apenas 3 professoras se envolvia com este tema e se declaravam feministas e falou dos avanços perceptivos dessa pauta que hoje atinge diversas professoras e estudantes, com uma grande importância dos coletivos feministas da universidade.

A professora fez uma retrospectiva da percepção das violências de gênero e contra a população LGBTI, mostrando a importância de poder dar nome a esta violência hoje em dia que antes era naturalizada e objeto da resistência solitária. Lembrou de atitudes absurdas de um passado recente em que professores praticavam livremente ações violentas contra mulheres e público LGBTI, como do caso de um professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em meados da década de 80, onde ela se graduou, que tinha o “hábito” de puxar a calcinha das estudantes que usavam calça mais baixa, o que era feito sem ter nenhuma consequência, destacando assim a importância de nominar esse tipo de ato e dar suporte às vítimas.

“O fato de nós estarmos tomando iniciativas agora não quer dizer que não havia violência de gênero praticada na universidade, certamente desde que a primeira mulher entrou na UFPR houve violência de gênero, o que mudou foi a percepção que temos destes atos”. A professora indicou marcos da “evolução da sensibilidade” para identificar este tipo de violência na UFPR e indicou fatos que mostram que, apesar de recente, tem se formado rapidamente na instituição uma massa crítica para combatê-las. Também fez um apegado histórico que culmina com uma progressiva institucionalização de medidas de proteção e acolhimento em que o maior marco é a fundação da própria Sipad.

Dão suporte à ação, além da Sipad e da Anped, a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) o curso é oferecido na programação da Unidade de Capacitação e Qualificação (Ucaq), a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), a Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e os Setores de Educação e de Ciências Jurídicas da UFPR.

Por Rodrigo Choinski