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Extensão e Cultura

Seminário do NAPNE discutiu letramento, inclusão e educação de surdos

Superintendência de Comunicação Social     24 de novembro de 2014 - 11h38

O evento lotou o Salão Nobre de Direito da UFPR. Imagem: Marcos Solivan

Na última sexta-feira, dia 21, o Salão Nobre de Direito da Universidade Federal do Paraná recebeu pessoas de Curitiba e região metropolitana e várias cidades do estado para o Seminário Letramento, Inclusão e Educação de Surdos. Durante todo o dia, os participantes acompanharam a apresentação do resultado da pesquisa “Análise das práticas de letramento de estudantes surdos do Ensino Médio público de Curitiba e Região Metropolitana”, coordenada pela professora Sueli Fernandes, do Setor de Educação da UFPR. O evento foi promovido pelo Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (Napne).

A pesquisa começou em 2009, dentro do programa Licenciar, e chega ao fim em 2015. O Licenciar, vinculado à Coordenação de Políticas de Formação de Professores da UFPR (Copefor), apoia ações que visem o desenvolvimento de projetos voltados à melhoria da qualidade de ensino nas licenciaturas, realizando acompanhamento pedagógico, orientação aos coordenadores, distribuição de bolsas aos licenciandos e organização e promoção de eventos para socialização dos conhecimentos gerados a partir dos projetos. Atualmente, fazem parte da inciativa da professora Sueli cinco bolsistas e dois voluntários de diferentes licenciaturas, além do trabalho conjunto com professores do recém-criado curso de graduação Letras/Libras. “Às vezes, os professores não têm a formação necessária para lidar com os alunos, como no caso dos surdos”, explica Marilene Reimer, pedagoga da Copefor, ressaltando a importância da qualificação oferecida por programas como este. “Isto é essencial para integrar a universidade e a escola básica”.

A pesquisa apresentada no evento teve como objetivo traçar um mapa social dos estudantes surdos bilíngues (fluentes em Libras e português) no ensino médio de escolas públicas de Curitiba e Região Metropolitana. Esta etapa foi escolhida por acreditar-se que neste momento os alunos já teriam se apropriado do conhecimento necessário para sua vida, além de ser um momento de transição para a universidade. Foi analisado o nível de letramento destes jovens e, com os resultados apresentados, espera-se contribuir com o debate a proposição de diretrizes para o ensino de português como segunda língua. Ao todo, foram documentados dez municípios, 13 estabelecimentos de ensino e 122 estudantes surdos e ouvintes. “A gente tem a obrigação de conduzir [os alunos surdos] para que cheguem ao ensino superior”, afirma Sueli.

A professora Sueli começou a mesa de abertura falando em Libras. Imagem: Marcos Solivan

Renata Manczur Torres entrou no projeto em 2010 e pôde acompanhar quase todo o processo, começando com a aplicação das entrevistas, passando pela análise dos dados e elaboração dos produtos derivados do trabalho. “Eu conheci a realidade dos surdos, algo que foi novo para mim. [O projeto] supre uma necessidade que a universidade não consegue, porque uma optativa de 60 horas não é o suficiente para aprender toda uma língua”, conta a formanda em pedagogia. Junto da colega Luana Pizolato Benelli, ela fez seu trabalho de conclusão de curso baseado no tema, no qual as duas já buscam especializações para quando concluírem a graduação, ao final deste ano.

Políticas públicas em debate

Na ocasião, foi lembrado que, apesar de entrar em execução no país todo apenas em 2002, o Paraná colocou a Lei de Libras em ação já em 1998, atuando na vanguarda e dando uma grande vantagem ao estado. Mesmo assim, até 2012, em 100 anos de Universidade Federal do Paraná, nenhum aluno surdo tinha conseguido chegar à instituição. “O centenário marcou uma grande conquista para nós, com o ingresso dos primeiros alunos surdos na UFPR”, conta a coordenadora do projeto. Foram três na graduação – duas em Curitiba (ambas no curso de Pedagogia, à distância e presencial) e um no Setor Litoral – e quatro no mestrado em educação.

A professora, que tem 20 anos de pesquisa na área, diz que este tipo de avanço é importante também para que os surdos se apropriem do debate sobre políticas públicas voltadas a eles, como prega o slogan mundial de pessoas com deficiência, “Nada sobre nós sem nós”. Uma das grandes lutas é para que a Língua Brasileira de Sinais seja reconhecida como uma manifestação da cultura, não um instrumento de acessibilidade, conceito que fortalece o embasamento para a criação de escolas bilíngue para surdos já nos primeiros anos da educação.

Sueli lembra que, além do projeto propiciar o contato com o cotidiano destas pessoas antes dos graduando em licenciaturas e pedagogia estarem ativos no mercado, o principal objetivo é promover a discussão acadêmica sobre o tema. “Precisamos refletir cientificamente para enfrentar estes desafios diários”, destaca.

Por Jéssica Maes


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