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Saúde mental entra na pauta da comunidade universitária com seminário e comissão

Superintendência de Comunicação Social     14 de setembro de 2017 - 18h46

Gratuito, o II Seminário de Prevenção do Suicídio, realizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Enfrentamento à Drogadição (NIED) da UFPR nesta sexta-feira (15) e no sábado (16), pretende enfatizar aspectos relacionados ao cuidado e acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade emocional. O evento se encaixa na programação do Setembro Amarelo, campanha permanente que alerta sobre esse problema de saúde pública e que é promovida por Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Além de palestras com psicólogos convidados das secretarias municipal e estadual de saúde no dia 16, o seminário contará no dia 15, a partir das 19h30, com a palestra da psiquiatra Sabrina Stefanello, do Departamento de Medicina da UFPR, sobre o cuidado que é aconselhado dispensar a pessoas que manifestam ideias suicidas.

A responsável pelo NIED, professora Dione Maria Menz, avalia que a sensibilização da comunidade é um passo importante na prevenção contra o suicídio. Ela explica que, ao contrário do que o senso comum define, esse problema é considerado evitável no âmbito das políticas de saúde, mas o silêncio em torno do assunto dificulta o acesso à informação por parte de quem poderia ajudar.

“Nunca há um único motivo [que pode levar ao suicídio], mas uma série de condições de vulnerabilidade. É toda uma história”, explica. “É sabido, porém, que a pessoa dá a dica, apesar de muitas vezes não percebermos”. É esse olhar bem informado que precisa ser disseminado na sociedade, segundo Dione.

Universidade

Com a criação da “Comissão para Formação de Rede de Saúde Mental na UFPR”, em junho, a universidade está levantando formas de melhorar o acolhimento da parcela de membros da comunidade acadêmica que sofre com problemas emocionais. A comissão reúne representantes das pró-reitorias de Assuntos Estudantis (PRAE), de Gestão de Pessoas (Progepe) e de Graduação e Educação Profissional (Prograd), além do Departamento de Psiquiatria da UFPR.

Segundo o psicólogo João Sátiro Dantas de Almeida, que faz parte da equipe da PRAE, a comissão foi criada porque a demanda é perceptível. Apesar de não existir um levantamento consolidado dos atendimentos, Almeida afirma que as unidades sentiram necessidade de coordenar a rede de acolhimento, inclusive a que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa é uma das propostas que está em estudo pela comissão, assim como a aproximação com os estudantes.

Para Almeida, são muitas as situações relacionadas à vida universitária que levam a sofrimento emocional. Além das dificuldades com o cotidiano da universidade e a adaptação a exigências acadêmicas, muitos estudantes estão longe da família.

Cerca de 43% dos universitários saem de sua cidade para estudar, conforme a IV Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação, divulgada em 2014 pelo Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace) e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

“Há questões culturais, dificuldade de estabelecer contatos, o isolamento provocado pelo distanciamento da rede de apoio formada por família, amigos e pessoas que são referência para o aluno”, conta Almeida. Também pesam na balança os problemas financeiros, já que a conta para se manter sozinho em outra cidade é alta. Outro fator é o desencanto do aluno com o seu desempenho ou mesmo com a carreira que visualiza quando ingressa em graduações consideradas “de status”, cuja seleção exigiu estudo árduo.

Segundo o psicólogo, é equivocado avaliar que existe um perfil estipulado de pessoa mais propensa a se sentir frágil emocionalmente. “Mais do que pensar nisso, devemos dar atenção aos sinais de sofrimento psicológico, como não conseguir sair de casa ou cumprir tarefas, fora a percepção sobre a pessoa que quem está mais próximo consegue ter”.

Jovens

Estatísticas recentes também explicam a necessidade de o ambiente acadêmico se preocupar em levar informação à comunidade universitária, já que os jovens estão especialmente ameaçados pela fragilidade emocional. “Jovens [geralmente] não morrem de doenças infecciosas ou do coração, mas a questão emocional deles exige cuidado”, diz a professora Dione.

De acordo com o Mapa da Violência de 2014, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que tratou dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos, mostrou que o suicídio tem maior participação nas causas de mortalidade nessa população (3,7%) do que não jovem (0,7%).

Segundo o estudo, os índices de suicídio no Brasil tiveram aumento em todas as faixas etárias desde 1980: caíram na primeira década, se mantiveram com crescimento baixo nas décadas de 90 e 2000, mas estão crescendo de forma acelerada desde 2012. De 1980 a 2012, o crescimento superou 62%.

Ao mesmo tempo, o estudo percebe um um tabu na mídia para tratar do assunto (temor de que ocorram “ondas de suicídios por imitação ou indução”), além de baixa produção acadêmica, que “não acompanhou de forma proporcional esse crescimento”.

Serviço
II Seminário de Prevenção do Suicídio
Quando: 15/9 (das 19 horas às 20h30); e 16/9, das 9 horas ao meio-dia e das 14 às 17h30
Onde: Auditório do Setor de Ciências da Saúde (R. Padre Camargo, 280, Curitiba)
Inscrições no local e na hora
Informações: pelo e-mail nied@ufpr.br ou pelo telefone (41) 3310-2619.

Camille Bropp Cardoso