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Sarampo: saiba como e por que se prevenir

Amanda Miranda     11 de outubro de 2019 - 8h24

O aumento nos casos suspeitos e confirmados de sarampo por todo o Brasil faz com que se intensifique, também, a preocupação com a prevenção. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), isso vem ocorrendo por meio de um protocolo que envolve o trabalho de “bloqueio” – quando pessoas que estiveram em contato com o paciente recebem a vacina para evitar que a doença se espalhe.

Segundo Vicente de Paulo Nobre Luz, chefe-substituto da Casa 3, unidade ambulatorial oferecida à comunidade universitária, é importante que quem teve contato com pacientes com suspeita ou doentes procurem o setor ou uma unidade de saúde mais próxima munidos de carteira de vacinação. A universidade monitora e acompanha os casos também por meio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) e segue todas as orientações recomendadas pelas autoridades de saúde pública, determinadas em protocolo definido pela Vigilância Epidemiológica de Curitiba.

Mas atenção: só deve ser imunizado quem nunca teve a doença, nunca tomou a vacina ou, ainda, quem só tomou uma única dose da Tríplice Viral que imuniza contra sarampo, rubéola e caxuba. Aqueles que tiveram contato com as vítimas da doença, mas não sabem se já foram imunizados, devem buscar essa informação o quanto antes. Na ausência da confirmação, eles também recebem vacina.

Os cuidados com o surto de sarampo são reforçados por equipes de saúde, a partir de recomendações do Ministério da Saúde e órgãos regionais. Segundo o infectologista Bernardo Montensanti Machado de Almeida, da Unidade de Vigilância em Saúde e Epidemiologia Hospitalar do Hospital de Clínicas da UFPR, o aumento muito súbito no número de casos, assim como a alta concentração em regiões que antes não tinha incidência, como o Sudeste, já permitem que seja tratado como um surto.

Almeida explica que há alguns fatores que podem ter levado ao aumento dos casos – um deles foi a progressiva queda na taxa de imunização. Para uma população ser considerada protegida, deve atingir pelo menos 95% de taxa. “Com pelo menos 95% da população imunizada é possível que haja casos esporádicos, mas a possibilidade de surto é muito menor”, explica.

O sarampo é transmitido por um vírus que se propaga pelo ar, por isso é considerado altamente infectante. Isso faz com que a vacina seja a estratégia mais viável e concreta de prevenção. “É claro que orientações como evitar locais com alguma aglomeração diminuem as chances, mas no caso de estudantes, por exemplo, isso tem pouca eficácia se comparado com medida de vacinação”, alerta.

A importância da vacina, segundo Almeida, também é evitar que o vírus alcance populações vulneráveis: caso das crianças com menos de um ano de vida. Por conta do surto, agora bebês a partir de seis meses já podem ser imunizados – mas os menores não têm a mesma indicação.

Ele também afirma que este é um instrumento seguro de controle da doença. “Os estudos garantem a segurança e a eficácia da vacina. Mitos associados a complicações foram superados. O sarampo já foi a principal causa de mortalidade infantil no Brasil e as vacinas eliminaram isso”.

Brasil já teve certificado de eliminação de sarampo

Em 2016 o Brasil recebeu um certificado de eliminação do sarampo, reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde como primeira área livre da doença no mundo. Mas, segundo Almeida, a tendência global do aumento de casos em regiões como Estados Unidos e Europa e o registro de surtos em alguns países fez com que a doença voltasse ao Brasil.

Ele explica que o surto em um navio que vinha de um cruzeiro na Europa é um dos primeiros indicativos, assim como os fenômenos de migração da Venezuela, que também registrava aumento de casos. “A cepa que circula aqui é a mesma da Europa”, comenta.

Os movimentos anti-vacina, que se popularizaram no exterior e também no Brasil, podem piorar as circunstâncias do surto, na opinião do infectologista. De acordo com ele, os movimentos crescem, geralmente, em função do controle das doenças proporcionado pelas vacinas. O ciclo tende a se encerrar em situações de surto e epidemias, quando a população volta a considerar a importância da imunização.

Sintomas

Segundo o site do Ministério da Saúde, os sintomas do sarampo são febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Além disso, em torno de 3 a 5 dias podem aparecer outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.

Orientações gerais para a comunidade universitária

Se você teve contato com algum suspeito ou com diagnóstico confirmado:

Procure sua carteira de vacinação:

a) Caso já tenha tomado as duas doses da vacina, não é necessário tomar novamente.
b) Caso tenha tomado apenas uma dose da vacina, procure uma unidade de saúde para o reforço.
c) Caso não tenha o registro da vacina, vá até o Casa 3 ou a uma unidade de saúde próxima a sua casa, se apresente com a carteira e tome a vacina.
d) Caso não tenha a carteira de vacinação e não encontre o registro em nenhum lugar, é necessário tomar a vacina.

Se você não teve contato com suspeitos ou pessoas com diagnóstico confirmado, verifique se sua carteira está atualizada. Caso não esteja, procure uma unidade de saúde para atualizá-la.

Faixas etárias em caso de necessidade de imunização:
De 1 a 29 anos – duas doses
De 30 a 49 anos – apenas uma dose
Acima de 49 anos – não é necessário vacinar