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Ciência e Tecnologia

Rede de pesquisa do Paraná busca criar banco de dados ambiental para uso sustentável da água

Superintendência de Comunicação Social     5 de novembro de 2021 - 18h50

Coordenada por pesquisadora da UFPR, a rede estadual conecta cientistas para aumento de pesquisas, extensão e aproximação da ciência com políticas públicas

O governo do Estado do Paraná lançou recentemente um Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi), o Napi Águas, que tem coordenação da pesquisadora Yara Moretto, do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O objetivo é criar um banco de dados ambiental do Paraná, firmar parcerias e conectar os pesquisadores que estudam o tema. Com investimento inicial de cerca de R$ 866 mil e contato direto com o governo do estado, espera-se aumento de pesquisas, extensão e aproximação da ciência com políticas públicas.

“Esses dados serão revertidos em informações científicas. A partir daí, novas leis podem ser formuladas e podemos ter alteração daquilo que não está adequado”, relata a coordenadora do Napi Águas, Yara Moretto, pesquisadora da UFPR em ecologia de ecossistemas aquáticos.

Em um período de crise hídrica, a importância da água se torna ainda mais evidente. Ela é essencial para a manutenção da vida no planeta Terra. Nesse cenário, pesquisas sobre o assunto auxiliam no uso do recurso de forma sustentável. “A sociedade como um todo se deu conta que nós estamos passando por problemas ambientais muito sérios e o principal recurso afetado é a água. E como a gente viu isso? Pela falta de chuvas. Então veja, não chove, não temos abastecimento de reservatórios, rios, lençóis freáticos. Se nós não temos água, nada se faz”, afirma Yara.

Coordenadora do projeto reforça que pesquisas sobre a água auxiliam no uso do recurso de forma sustentável. Foto: Freepik/Divulgação

O Napi Águas reúne os diversos pesquisadores sobre o tema em uma rede. Em uma plataforma digital chamada “iAraúcária”, é possível realizar uma busca dos cientistas. A coordenadora do projeto explica a importância dessa conexão. “Acaba sendo uma fonte de dados mais fácil para os pesquisadores que querem se interconectar e para agências de fomento, empresas, indústrias, facilitando o intercâmbio de conhecimento. Essa é a proposta: agregar e facilitar”.

Para firmar uma parceria com o Napi Águas, a Fundação Araucária envia para as pró-reitorias das universidades um protocolo de intenções. No caso da Universidade Federal do Paraná, segundo a coordenadora do projeto, já há um protocolo prévio que será reafirmado a partir do lançamento. “Já temos a adesão de vários pesquisadores, vários colegas fazem parte”, diz Yara.

Um dos projetos propostos pelo Napi Águas é o “Indicadores e índices de vulnerabilidade e exposição aos efeitos das mudanças climáticas em setores estratégicos no estado do Paraná”. Com essa ideia, informações ambientais serão reunidas em um banco de dados, que será disponibilizado para os pesquisadores.

“Nós vamos identificar indicadores de vulnerabilidade. Ou seja, o que existe que é mais propenso a um dano ambiental ou social, ou econômico e que tipo de ação pode ser tomada. Então serão montados indicadores e a partir daí construídos índices que indicarão as melhores ações a serem feitas”, pontua a coordenadora. Para a cientista da UFPR, o banco de dados, um anseio dos pesquisadores, é um dos grandes produtos do projeto. Ele contém informações científicas verificadas e pode ajudar a nortear políticas públicas.

Políticas públicas baseadas na ciência

Políticas públicas também podem ser estabelecidas a partir das pesquisas para o consumo sustentável da água e melhoria do cenário hídrico a partir da educação. “Nós precisamos de uma estratégia de Estado, nós realmente pensarmos em uma estratégia de uma sociedade economizadora de água, que envolve muito a educação”, diz Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária, responsável pela criação do projeto junto ao governo do estado.

A coordenadora do Napi Águas acredita que uma das portas que o projeto abriu é a comunicação direta com os gestores. “Estamos sendo financiados e temos que apresentar dados. Esses dados serão revertidos em informações científicas e sugestões de como as coisas podem ser manejadas em relação aos recursos hídricos e ecossistemas de forma geral”, pontua.

Yara relata que presenciou alguns momentos em que pesquisas científicas foram aplicadas em políticas públicas. Porém, explica que essas ocasiões não são tão comuns. “A gente precisa fomentar que isso aumente. Eu estou muito esperançosa. Estamos tendo essa possibilidade de trabalhar mais próximo aos tomadores de decisão”.

Pesquisa e extensão

Vinculados à rede de pesquisadores, projetos de extensão baseados nas pesquisas também podem surgir para dar suporte à sociedade. Yara Moretto relata que a pesquisa não está relacionada somente ao levantamento de informações, mas também ao contexto social.

Como exemplo cita o projeto Bicho d’água, que coordena na UFPR e vai nas escolas para mostrar que não há só peixes na água e esses outros bichos fazem com que o ecossistema seja equilibrado. Além de integrar um projeto de extensão, ela é responsável por pesquisas sobre o tema. Um dos estudos busca responder o que pode ocorrer quando há perda de vegetação em torno dos ambientes aquáticos.

A pesquisadora descobriu que há influência nas chuvas, diversidade e como o ambiente se comporta nesse contexto. “Precisamos parar de perder vegetação em volta dos ambientes aquáticos, porque isso vai ser fatal. Para nós, em termos de perda de recursos, como água e alimento”, alerta Yara.

Uso sustentável da água

A pesquisa sobre o tema é muito relevante na luta pelo uso sustentável do recurso hídrico. Ainda que a agricultura e a indústria representem a maior parcela dos gastos de água do Brasil, se atentar ao consumo dentro das casas pode ajudar na preservação do recurso. A pesquisadora da UFPR Yara Moretto ressalta a importância da economia. “O principal aspecto que nós devemos atentar é a preservação e o uso e reuso. Como podemos trabalhar em nós mesmos para sermos consumidores mais conscientes?”.

Outra questão abordada pela cientista é a contaminação da água, que não pode ser considerada como local de descarte de medicamentos, produtos químicos e gordura, por exemplo. “Pequenas ações acabam prejudicando a qualidade da água, já que saem das torneiras, passam pelo sistema de esgoto e acabam indo para os nossos rios, chegando lá contaminada”, finaliza.

Por Chananda Lipszyc Buss
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR


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