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Extensão e Cultura

Projeto visa compreender sinais de vulnerabilidade socioemocional e promover permanência dos estudantes

Bruna Bertoldi Gonçalves     13 de dezembro de 2019 - 17h45

O projeto de extensão “Território Ecológico do Estudante INgresso na Comunidade Universitária UFPR”, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), foi criado com o objetivo de identificar sinais de vulnerabilidade socioemocional e promover a permanência dos estudantes na Universidade.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Unidade de Apoio Psicossocial (Uaps) da Prae e o Núcleo de Assuntos Acadêmicos (NAA) da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograd). O projeto é desenvolvido desde o início das atividades dos estudantes participantes na Universidade, como estratégia piloto de trabalho para organização contínua de ações. “O conhecimento das condições sociais, ou seja, como se organizam, possibilidades de moradia, alimentação, vestimenta e recursos mínimos para se manterem ativos como estudantes na Universidade serve de subsídio para a avaliação das ações de assistência estudantil e para fomentar o debate sobre as necessidades sociais identificadas”, explica a psicóloga e coordenadora do projeto, Maria Angélica de Moura Bueno.

Na primeira fase do projeto, a equipe produziu um diagnóstico dos alunos ingressantes por meio de formulário individual preenchido voluntariamente durante o registro acadêmico, em janeiro de 2019.  O questionário contou com 28 questões objetivas, de múltipla escolha, e uma pergunta aberta para investigar a expectativa de permanência na Universidade e de preservação de qualidade de vida durante a graduação. De acordo com Maria Angélica, o sigilo foi assegurado aos participantes, aos quais a anuência para uso dos dados em pesquisas científicas foi solicitada.

“Na inscrição geral da UFPR, dentre 5.264 – previsão de cadastramento dos estudantes aprovados no vestibular 2018/2019 -, tivemos o aceite de 437 alunos para o preenchimento do formulário, indicativo de 8,30% do quadro geral de estudantes UFPR”, informa a técnica da UFPR.

De acordo com a psicóloga, ocorreu cooperação para preenchimento de 77 formulários na inscrição do Sistema Unificado (Sisu) em dois dias subsequentes, o que representou 5,13% dos 1.500 calouros previstos pela coordenação NAA para o registro acadêmico. “Ao final, 514 formulários foram respondidos, sendo 7,59% representativo do quadro de estudantes participantes do projeto na inscrição geral e no Sisu”.

Com relação à faixa etária, a maioria dos participantes – 24,2% – tinham, no momento do preenchimento, 18 anos, seguidos do grupo com 17 anos – 22,8%. Mais da metade dos participantes da pesquisa é do gênero feminino (55,9%).

“O fato de a pesquisa do indicar que 21,4% são de outro estado brasileiro sinaliza, entre outras questões, a importância desse projeto de extensão para as condições ou necessidades psicossociais do quadro de estudantes”, argumenta a coordenadora. Os dados apontam que em 73,2% dos casos, o aluno não contribui na renda familiar e que 26,8% dos respondentes estão no mercado de trabalho.

No tocante às formas de ingresso na Universidade, o levantamento identificou que 35,3% entraram pela concorrência geral, 32,4% pelas vagas de ensino médio em escolas públicas e 14,3% pelas cotas para autodeclarados pretos, pardos e indígenas. A soma dos que retornaram à UFPR para cursar a segunda graduação corresponde a 23,1%.

Maria Angélica destaca a necessidade de propor ações com foco no cuidado para a saúde física e mental desse grupo. Investigar questões referentes ao peso, ao consumo de cigarro, a substâncias ilícitas, à utilização de medicações – controladas ou por hábito – pelos estudantes também são propostas do projeto.

A respeito do Índice de Massa Corporal (IMC), que relaciona o peso e a altura, 63,2% dos estudantes estão na faixa considerada normal, afirma a psicóloga. Os que estão acima do peso correspondem a 19,8%.

Dos estudantes que são ou já foram fumantes, 28,6% mantiveram o hábito por dois anos, em média. “Notadamente, começaram a fumar aos 16 anos (17,9%)”, observa. A maioria (81,2%) não toma medicação controlada. O trabalho destaca o uso, pelos estudantes, de medicação contínua controlada pela rede de saúde (18,8%) – remédios de base psicoativa, como antidepressivos e ansiolíticos.

Em destaque no projeto, a indicação de figuras representativas que compõem a base de apoio social no cotidiano. Os principais membros indicados e seus respectivos percentuais: mãe (60,4%) e pai (44,7%), da família nuclear, seguidos de amigos (35,1%) e irmãos (33,5%). 

“O baixo registro da figura do professor e de conhecidos e colegas, em igual porcentagem (12%), é digno de análise e investigação contínua pela integração e complexidade exigida de intervenção multifatorial”, avalia Maria Angélica.

Pela análise de conteúdo – baseada nas respostas à questão qualitativa aberta sobre as expectativas de permanência na vida universitária -, o relatório destaca categorias que foram criadas a partir da leitura do material: Econômica, Independência, Suporte e Base Emocional.

“Espero aprender muito, tanto no âmbito acadêmico como pessoal. Também espero que as relações acadêmicas sempre tenham a presença de respeito. Em específico quanto à vida pessoal, espero conseguir controlar a ansiedade, pois tive problemas com tal questão durante o ensino médio”, sinalizou um dos calouros em sua resposta.

Na segunda fase do projeto, foram realizadas oficinas temáticas e rodas de conversa com os estudantes. Estimular a participação e o protagonismo dos alunos no ambiente universitário foi o propósito das ações. “Os estudantes participaram ativamente, manifestando ansiedade e reconhecimento da nova situação; os desafios para organização interna e para o ritmo de trabalho; falaram do relacionamento entre pares e professores; da dinâmica de ação entre tempo pessoal e demandas do curso”, detalha a coordenadora.

O convite para adesão livre, voluntária e espontânea à pesquisa é feito, desde 2019, por membros do projeto nos dias do registro acadêmico. “A terceira fase, de implementação de ações e monitoramento das práticas como modalidade de incorporação do conhecimento na comunidade universitária, será viável a partir de 2020, com indicadores sensíveis à realidade acadêmica, com participação integral dos diversos centros, com diversidade dos cursos e exposição da proposta reconhecida”, antecipa Maria Angélica.


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