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Extensão e Cultura

Projeto de extensão empresta bicicletas para comunidade acadêmica e incentiva a utilização como meio de transporte

Jéssica Tokarski     15 de agosto de 2018 - 12h46

A segunda edição da Pesquisa Perfil do Ciclista, organizada pela ONG Transporte Ativo e pelo LABMOB-UFRJ, aponta que dentre as pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, apenas 38,8% usam a alternativa para locomoção à escola ou à faculdade em Curitiba. Segundo o estudo, os empregos mais comuns são para deslocamento ao trabalho, atividades de lazer e para compras. Para sensibilizar aqueles que não utilizam a bicicleta a olharem para esse meio de transporte como uma escolha possível e, principalmente, a enxergar o ciclista na cidade e no trânsito, o CoolabBici realiza ações de conscientização, incentivo e empréstimo de bicicletas para a comunidade acadêmica.

Vinculado ao Ciclovida, o projeto de extensão “Sensibilização para o Uso da Bicicleta como Modal de Transporte pela Comunidade UFPR” – carinhosamente apelidado de CoolabBici – recupera e empresta bicicletas à comunidade da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, na forma de um sistema colaborativo. As bicicletas emprestadas foram abandonadas e recolhidas do depósito da UFPR. Com auxílio de parcerias com a comunidade externa, elas foram recuperadas e são cedidas a estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes pelo período de um semestre letivo ou de férias de verão, cerca de dois meses.

A partir do momento da retirada, o participante se torna responsável pela conservação e guarda da bicicleta durante a temporada de empréstimo. Os usuários devem realizar a manutenção do equipamento e fazer eventuais substituições necessárias de peças que possam apresentar desgaste pelo uso. Nos casos em que os participantes não se adaptem à utilização da bicicleta, devem devolvê-la para que seja repassada a outra pessoa. A coordenadora do CoolabBici e professora de Design de Produto, Gheysa Prado, conta que o projeto está em constate aprimoramento do sistema de empréstimo por meio da utilização de ferramentas e metodologias de design thinking e design de serviços, por exemplo, além de também ter como inspiração iniciativas prévias de coletivos ativistas. Entre as parcerias realizadas pelo projeto, está a Bicicletaria Cultural – empreendimento de apoio ao ciclista urbano em suas necessidades, serviços e informações – que auxilia na triagem, reforma e manutenção das bicicletas recuperadas. “O sistema funciona prioritariamente por meio de permutas entre as próprias bicicletas resgatadas – peça de uma bicicleta utilizada em outra em melhores condições”.

Entrega das bicicletas emprestadas aos participantes. Foto: CoolabBici

Além do incentivo à utilização de bicicletas como meio de transporte, a ação visa conscientizar sobre respeito e segurança aos ciclistas no trânsito.  “Sabemos que a bicicleta é apenas uma das possíveis alternativas de transporte para distâncias intermediárias nas cidades, sendo muitas vezes subaproveitada e negligenciada pelo poder público com a falta de investimentos em estrutura cicloviária e campanhas de educação específicas voltadas a este modal”, destaca a coordenadora.

Na seleção de participantes deste semestre, 116 candidatos se inscreveram para 14 bicicletas a serem emprestadas. O número, em crescimento, representa um resultado positivo expressivo a respeito das ações da universidade nesta área. “Do início do projeto, em 2017, até agora, o sistema de empréstimo tem sido constantemente aprimorado. No início deste ano conseguimos organizar a divulgação online e física de maneira mais consistente, além da indicação de participantes das edições anteriores, o que resultou num aumento substancial nas inscrições. Para nós, é uma alegria ver o projeto crescendo”, relata a professora.

A equipe do CoolabBici também enxerga esses números como demanda reprimida por diferentes opções de sistemas de mobilidade ativa e de baixo custo na comunidade acadêmica da UFPR.  Apesar de Curitiba não ser uma cidade tão convidativa à bicicleta, a grande procura demonstra que as pessoas estão dispostas a experimentar o meio de transporte.

Gheysa enfatiza que a iniciativa é fundamental em vários aspectos, desde os que envolvem saúde física e mental, até aqueles que abrangem redução do trânsito e da poluição nas proximidades dos campi. “Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, universidades são polos geradores de tráfego devido à grande concentração e trânsito de veículos simultaneamente. Além disso, uma comunidade acadêmica como a UFPR é responsável pela formação de pesquisadores e profissionais que atuarão nos mais diversos setores da sociedade. Desta forma, há indicativos de que ações de incentivo e sensibilização à mobilidade ativa, como o uso da bicicleta, podem ter impacto maior do que o mensurável pelo projeto de extensão”.

A cada semestre ou período de férias de verão, uma nova seleção será aberta, na qual quem se inscreveu anteriormente e não foi contemplado pode se reinscrever, fora a possibilidade de inscrição por novos interessados. A equipe busca constantemente recolher bicicletas abandonadas e recuperar o maior número possível para o projeto. O CoolabBici também aceita a doação de bicicletas.

Fotos: CoolabBici

Outras ações

Além do sistema de empréstimo colaborativo de bicicletas recuperadas – que incluiu o registro, a catalogação, a inserção de sinalização obrigatória e a identificação das bicicletas (cada uma tem o nome de um doce) –, o projeto realiza outras atividades de sensibilização e promoção do uso da bicicleta.

Entre 2017 e 2018, algumas das ações do projeto incluem oficina para elaboração e teste de sondas culturais – uma ferramenta de coleta de dados com o objetivo de obter informações sobre o uso da bicicleta pelos participantes; acompanhamento do uso das bicicletas emprestadas por meio da sonda cultural elaborada para as necessidades do projeto; oficina de mecânica básica de bicicleta para mulheres – com o objetivo de ensinar regulagens básicas como troca de pneu, remendo e substituição de câmara de ar, verificação dos freios etc. – para participantes ou não do projeto; oficina de identificação de ciclistas iniciantes na Semana Acadêmica de Design – Revés;  passeio ciclístico com piquenique e oficina de conforto – com objetivo de integração entre participantes e outros ciclistas mais experientes com troca de informações sobre dicas de conforto no uso da bicicleta.

Manutenção das bicicletas. Foto: CoolabBici

Orientações importantes

Para os novatos na locomoção sob duas rodas, Gheysa dá importantes dicas: “É preciso começar conhecendo sua bicicleta e estudando o trajeto necessário. Estar habituado com o equipamento, sua operação e regulagens quanto à altura correta do selim é um dos primeiros passos. Para isso, recomendamos a quem já possui a bicicleta que comece utilizando-a para pequenos trajetos próximos à residência, para ganhar confiança”.

Sobre o caminho, a coordenadora alerta que aquele feito de carro ou transporte coletivo, nem sempre é o mais adequado para ser feito de bicicleta. “Sempre que houver estrutura cicloviária é importante priorizar seu uso. Caso não exista essa opção, ruas com menor fluxo de veículos e velocidade máxima permitida mais baixa (40km/h ou 30km/h) oferecem mais segurança e são as mais adequadas. A bicicleta é um veículo e, como tal, ao circular por ruas sem ciclovia ou ciclofaixa, o ciclista deve fazê-lo no mesmo sentido do fluxo dos carros e não muito no canto da pista. A distância ideal é cerca de 1,5m afastado do meio-fio ou 1/3 da faixa de rodagem”.

A respeito de visibilidade e sinalização, as orientações são para utilização de equipamento refletivo nas rodas e pedais da bicicleta. Antes do amanhecer e após o anoitecer, é recomendável a instalação de sinalizadores luminosos, piscantes ou não, (vermelho atrás e branco na frente). Se houver veículos estacionados nas ruas pelas quais se está circulando, deve-se cuidar com aberturas de portas, mantendo certa distância.

“O capacete não é um equipamento obrigatório, mas pode fazer com que o ciclista iniciante se sinta mais seguro, por isso é recomendado. Para mais conselhos e recomendações, o projeto fez parceria com a ONG Bike Anjo, que tem abrangência nacional e internacional e, além de vídeos informativos, oferece gratuitamente os serviços de acompanhamento no trânsito e recomendação de rotas mais seguras para ciclistas”, diz a professora.

Saiba mais sobre o CoolabBici.


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