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Ciência e Tecnologia

Projeto da UFPR que criou código de cores para deficientes visuais firma parceria com centro de referência de inclusão

Superintendência de Comunicação Social     29 de novembro de 2019 - 10h47

Alunos do Instituto Benjamin Constant utilizando o See Color.

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná responsáveis por desenvolverem o See Color – sistema universal de códigos de cores para deficientes visuais, baseado no Sistema Braille – firmaram um termo de parceria com o Instituto Benjamin Constant, considerado um centro de referência na área de inclusão de deficientes visuais.

A idealizadora do projeto e pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Design, Sandra Regina Marchi, conta que o Instituto aprovou o trabalho e validou a parceria. “Eles estão utilizando o nosso trabalho como material pedagógico. Nós temos autorização para usar a logomarca deles, representando uma validação em termos nacionais, bem como a troca de experiência”, explica. “Dessa forma, a UFPR associa-se ao centro de referência nacional e da América do Sul”.

O projeto recebeu o prêmio “Viva Inclusão”, da prefeitura municipal de Curitiba em 2018, e também foi selecionado como destaque para as comemorações do aniversário de 107 anos da UFPR, que acontecem no próximo dia 11 de dezembro.

See Color: sistema universal de códigos de cores para deficientes visuais, baseado no Sistema Braille.

See Color

A intenção do See Color é ajudar pessoas com deficiência visual a identificarem cores de forma simplificada. O trabalho diferencia-se de outros códigos de cores já existentes mundialmente por ser baseado no Sistema Braille, sendo uma codificação universal e tátil, enquanto os outros são de uso mais regional e de pouca internacionalização.

O See Color foi projetado em 2015, durante o doutorado da pesquisadora em Engenharia Mecânica, e o estudo se baseou em formas didáticas e universais de demonstrar as cores. Protótipos do Sistema de Código de Cor foram confeccionados por meio de software de modelagem sólida com o auxílio de alunos de iniciação científica de Engenharia Mecânica, e depois foram feitos testes de aplicabilidade com deficientes visuais. Sandra foi orientada pelos professores da UFPR, Maria Lúcia Leite Ribeiro Okimoto e Ramón Sigifredo Cortés Paredes, e pelo professor Milton José Cinelli da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC).

Idealizadora do projeto e pós-doutoranda da UFPR, Sandra Regina Marchi. Foto: arquivo pessoal

A codificação é formada por dois polígonos, sendo o primeiro de cores primárias sobreposto por um de cores secundárias. A distribuição é ensinada a partir de uma lógica de ponteiros de relógio, em que as extremidades ficam com as cores primárias e as medianas ficam com as suas formações; por exemplo: 12h o vermelho, 2h o laranja, 4h o amarelo, 6h o verde, 8h o azul e 10h o roxo. Todos os símbolos têm ainda um ponto (.) que posiciona-se como o centro de um relógio e um traço (-) que funciona como o ponteiro.

O código pode ser impresso diretamente sobre objetos, obras de arte, etiquetas e embalagens em geral, dando mais acessibilidade e independência aos usuários que irão tatear a codificação.

Instituto Benjamin Constant

Atualmente, o Instituto Benjamin Constant é mais do que uma escola que atende crianças e adolescentes cegos, surdocegos, com baixa visão e deficiência múltipla; é também um centro de referência, a nível nacional, para questões da deficiência visual, capacitando profissionais e assessorando instituições públicas e privadas nessa área, além de reabilitar pessoas que perderam ou estão em processo de perda da visão.

Ao longo dos anos, o IBC tornou-se também um centro de pesquisas médicas no campo da Oftalmologia, possuindo um dos programas de residência médica mais respeitados do País. Através desse programa, presta serviços de atendimento médico à população, realizando consultas, exames e cirurgias oftalmológicas.

O Instituto é comprometido também com a produção e difusão da pesquisa acadêmica no campo da Educação Especial. Através da Imprensa Braille, edita e imprime livros e revistas em Braille, além de contar com um farto acervo eletrônico de publicações científicas.