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Ciência e Tecnologia

Primeira estudante transgênero do PPGDTS, do Setor Litoral, defende dissertação sobre identidade de gênero

Superintendência de Comunicação Social     27 de março de 2019 - 15h56

A terapeuta ocupacional Dionne do Carmo Araújo Freitas é a primeira estudante transgênero a defender sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável (PPGDTS) do Setor Litoral da UFPR. O título do trabalho, que foi orientado pelo professor Marcos Claudio Signorelli, é “Identidade de gênero e retificação do nome civil: uma estratégia para o desenvolvimento”. Participaram da banca os professores Nadia Covolan e Ivan Jairo Junckes.

O interesse em ingressar no mestrado aumentou quando Dionne soube que no PPGDTS há uma vaga prioritária para pessoas trans. “Ela veio prestar seleção quando soube desse incentivo, mas entrou pela concorrência normal, por ter tido uma avaliação boa no processo”, esclareceu Signorelli. Nos resultados da sua dissertação, ela apresenta um mapeamento das políticas públicas nacionais voltadas à população transgênero e uma pesquisa de campo que envolveu entrevistas com pessoas trans ligadas à organização não-governamental Marcela Prado, de Curitiba.

Dionne do Carmo, primeira estudante transgênero do PPGDTS, defendeu sua dissertação sobre identidade de gênero no dia 27 de março, no Setor Litoral da UFPR. Foto: Luiz Eduardo Geara – UFPR/Litoral

Segundo seu orientador, o grande achado da pesquisa é que a política pública que mais empodera as pessoas trans e mais promove o desenvolvimento dessas pessoas é o direito ao nome social. Durante a pesquisa, a mestranda identificou que essa política traz impactos positivos no acesso (e permanência) à educação, ao trabalho e a outros serviços públicos, como a saúde.

“Ter direito legal de usar o nome que considera adequado faz com que a pessoa trans permaneça mais tempo na escola e diminua as chances de sofrer violência institucional, seja no acesso a serviços de saúde, segurança, ou mesmo no trabalho”, afirmou Dionne.

Na apresentação do trabalho, a pesquisadora ressaltou, ainda, que a população trans tem uma expectativa de vida de 35 anos, metade da média nacional. E que ela tem maior chance de sofrer violência, assédio, prisão arbitrária e tem dificuldade de acessar serviços públicos básicos, como saúde e educação.

Ao encerrar a apresentação, Dionne salientou que as políticas que garantem o direito à mudança de nome são bastante recentes, que foram conquistadas devido à pressão da sociedade civil e que ainda há um longo caminho para que haja mais respeito e igualdade de direito.

Sobre a obtenção do título de mestra, ela diz que é apenas um pequeno passo, uma porta aberta para que outras pessoas que tenham uma condição trans ou uma variação de gênero possam se sentir representadas ou buscar seu espaço e ir atrás de seus direitos, de suas liberdades e sonhos, como qualquer outro ser humano. “O mestrado é uma  oportunidade de formação acadêmica para poucas e poucos, já que um número limitado de pessoas trans consegue terminar o ensino médio. O fato de eu ser graduada, ter uma especialização e agora concluir o mestrado é um motivo de orgulho e comemoração para a minha família e para toda uma população que está à margem”, concluiu Dionne.