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Ciência e Tecnologia

Pesquisas sobre doenças psiquiátricas e neurológicas podem ser prejudicadas com corte de verbas

Superintendência de Comunicação Social     17 de junho de 2019 - 14h33

Doença de Alzheimer e de Parkinson, depressão, distúrbios do sono, transtorno de ansiedade, estresse pós-traumático, dores crônicas, aprendizagem e memória, dependência química, como cocaína e crack. Essas são apenas algumas das cerca de 200 pesquisas realizadas a partir do Biotério Central da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que podem ser prejudicadas com o corte de verbas feito em maio pelo governo.

O espaço que foi aberto em 1982 corre o risco de ter o funcionamento afetado a partir do bloqueio de 30% do orçamento da Universidade. “Se há um corte e é preciso reduzir a quantidade produzida, nós estamos reduzindo automaticamente a pesquisa que é feita na Universidade”, diz o coordenador do Biotério Central da UFPR, Cláudio Da Cunha, professor do Departamento de Farmacologia.

Pesquisas realizadas a partir do Biotério, aberto em 1982, podem ser prejudicadas com o corte de verbas feito em maio pelo governo. Fotos: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

Pesquisas realizadas a partir do Biotério da UFPR, aberto em 1982, podem ser prejudicadas com o corte de verbas feito em maio pelo governo. Fotos: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

O pesquisador explica que as únicas despesas no Biotério que não dependem da verba bloqueada pelo governo são a remuneração da veterinária do quadro e a estrutura já construída. “Temos funcionários terceirizados mantidos com esse orçamento, que atuam na limpeza do local, esterilização dos materiais, alimentação e cuidados com os animais de experimentação [ratos e camundongos]. O risco de as atividades do Biotério serem afetadas com o corte é muito grande”, aponta Cunha.

Um levantamento feito recentemente a partir da análise do currículo Lattes dos pesquisadores mostra que 25% da produção de conhecimento do Setor de Ciências Biológicas depende dos animais de experimentação do Biotério da UFPR. Nos últimos cinco anos foram publicadas 500 pesquisas com o uso de ratos e camundongos em revistas nacionais e internacionais nas áreas de Fisioterapia, Patologia, Fisiologia, Farmacologia, Bioquímica, Biologia celular e Anatomia da Universidade.

Entre os resultados já alcançados por pesquisadores da UFPR estão um modelo de alterações de sono na doença de Parkinson para estudar a interferência de medicamentos

Entre os resultados já alcançados por pesquisadores da UFPR estão um modelo de alterações de sono na doença de Parkinson para estudar a interferência de medicamentos

Além do Setor de Ciências Biológicas, são desenvolvidas no Biotério pesquisas por professores e estudantes dos setores de Ciências da Saúde, Ciências Humanas (Psicologia) e Ciências Agrárias da UFPR. Entre os resultados já alcançados estão um modelo de alterações de sono na doença de Parkinson que passou a ser utilizado por pesquisadores de diferentes regiões do mundo para estudar a interferência de medicamentos. Além disso, cientistas da UFPR demonstraram a eficácia de medicamentos para problemas de memória, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, transtornos do sono, febre e doenças de pele.

Excelência na atuação
e bem-estar dos animais

O Biotério da UFPR foi credenciado no ano passado na Rede Nacional de Biotérios de Produção de Animais para Fins Científicos, Didáticos e Tecnológicos (Rebiotério) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sendo o único do Paraná – ao todo, são 24 no país. Entre os aspectos observados pelo CNPq nos biotérios está a busca da excelência e fortalecimento da produção de animais com qualidade a fim de atender a demanda nacional e o bem-estar animal fazendo assim que o país torne-se referência nessa área.

O coordenador do Biotério da UFPR, Cláudio Da Cunha, explica que a saúde e bem-estar dos animais de experimentação é a principal preocupação. “A saúde deles provavelmente é mais bem monitorada do que a nossa, com exames patológicos frequentes. A ração que comem é balanceada, a água é bem tratada, o ar que respiram é filtrado e o ambiente em que estão é esterilizado”.

Atualmente, são produzidos e mantidos no espaço em torno de 300 camundongos e 900 ratos por mês, que são de linhagens específicas para pesquisa. As exigências técnicas e éticas são seguidas a partir da Lei Arouca, que regulamenta procedimentos para o uso científico de animais no Brasil, e pelo manual de experimentação de animais de laboratório do instituto National Institutes of Health (NHI), dos Estados Unidos.

O professor ainda explica que a Universidade tenta reduzir ao máximo o uso de animais. “Eles são reservados apenas para situações em que uma pesquisa ou prática de alunos não pode ser feita de qualquer outra forma que não seja com animal experimental”, diz Cunha. Para realizar as pesquisas, os projetos precisam ter aprovação de um comitê de ética da UFPR.