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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores que estiveram na Antártida devem iniciar análises químicas de amostras coletadas; aumento do turismo gera nova linha de investigação

Superintendência de Comunicação Social     12 de fevereiro de 2020 - 12h55

Depois de 20 dias na Antártida, a equipe de pesquisadores liderada por César de Castro Martins, professor do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), retornou ao Brasil. Durante o período em que esteve no continente, o grupo coletou amostras de água e de sedimentos com o objetivo de pesquisar o elemento químico carbono, suas formas e seu papel na modificação do ambiente antártico com base nas alterações ambientais, humanas ou naturais.

A bordo do Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), os pesquisadores foram afortunados com uma temporada em que a maioria dos dias marcava em torno de 0 grau nos termômetros, não havia vento e o sol aparecia em alguns momentos, o que pode ser considerado um clima bom para as condições antárticas. Com a meteorologia favorável, a equipe conseguiu coletar as amostras de água e sedimento que precisavam.

Equipe realizou inúmeros deslocamentos para coletar amostras de sedimentos e água. Foto: Arquivo Pessoal

Em um determinado momento, o navio, que estava ancorado próximo à Estação Antártica Comandante Ferraz, afastou-se da área e seguiu para outras regiões do continente para atender os demais pesquisadores embarcados. A circunstância propiciou ao grupo de Martins coletas de oportunidade, não previstas no projeto.

Bote inflável utilizado em atividades de coleta. Foto: Arquivo Pessoal

“Fomos a áreas pouco exploradas do ponto de vista da contaminação marinha e das informações acerca do ciclo do carbono e dos metais e conseguimos observar um pouco da dinâmica do ambiente na perspectiva das atividades humanas”, conta o professor da UFPR. Com os deslocamentos, ele e sua equipe puderam visualizar muitas atividades de turismo, que expandiram intensamente nos últimos anos. “Pensando no futuro e nos impactos da atividade humana na Antártida, fizemos coletas também nesses pontos e a ideia é tentar observar os efeitos do turismo”, explica.

Dados censitários de apenas uma das regiões muito visitada, a Ilha Decepção, revelam um aumento de cinco vezes no número de turistas que exploraram a área em um período de dez anos. Entre 2007 e 2008, cerca de cinco mil pessoas passavam pela Ilha e, atualmente, 25 mil escolhem o local como destino. “A atividade aumenta a queima de combustíveis fósseis, consumidos pelos navios, e a liberação de substâncias químicas utilizadas pelas pessoas”, afirma Martins. O protetor solar, produto indispensável na Antártida devido ao alto nível de radiação, é um exemplo de substância lançada no ambiente pelos visitantes.

Características da Antártida

O objetivo principal de estudar aquele local específico da Antártida, é o fato de se tratar de uma região remota, que não recebe tanta interferência humana. “O que encontramos lá pode refletir uma atividade que está ocorrendo no planeta inteiro. Além disso, a região é uma das mais sensíveis ao aquecimento global, devido à posição geográfica de polos”, comenta o pesquisador.

Outro fator relevante na localidade é o ambiente marinho, que possui peculiaridades específicas. Segundo os especialistas, o gás carbônico proveniente da queima de combustíveis fósseis, que está amplificando o efeito estufa e aumentando a temperatura do planeta, precisa ser absorvido. Na Antártida existem espécies de organismos com um papel muito importante nessa captação. “Uma vez que o ser humano começa a modificar o ambiente, os organismos deixam de se proliferar e de ter o ciclo de vida normal. Assim, essa função de captação de gás carbônico fica prejudicada, amplificando o efeito estufa”, esclarece o professor.

Pinguins avistados durante a expedição. Foto: Arquivo pessoal

Diferenciais do projeto

Coleta de amostra de água. Foto: Arquivo Pessoal

A região possui um histórico de monitoramento de mais de 25 anos, porém este projeto busca angariar informações novas. Os sedimentos, isto é, materiais sólidos originados da alteração de rochas preexistentes e transportados ou depositados pelo ar, água ou gelo são vertentes bastante exploradas em pesquisas anteriores. Entretanto, a coluna d’água, ou seja, uma camada de água daquela região oceânica, bem como os materiais particulados em suspensão não eram fontes de grandes investigações.

“A coluna d’água nos dá uma espécie de fotografia daquele momento, enquanto o sedimento representa um acúmulo de anos. O que está no sedimento já esteve um dia na coluna d’água”, explica o pesquisador.

Importância da pesquisa

O carbono, objeto de estudo do projeto, é considerado um dos elementos mais importantes da natureza. Ele está presente em quase tudo e tem um papel fundamental no funcionamento do meio ambiente. “Quando a composição e a quantidade do carbono são modificadas, tem-se uma alteração que pode influenciar toda a dinâmica do planeta”, afirma Martins.

Pelo ambiente antártico ser pouco estudado, qualquer informação é importante para subsidiar discussões e conclusões futuras. Para o líder da equipe, o projeto ajuda a fornecer informações que serão base de ações governamentais, painéis intergovernamentais sobre mudanças climáticas, medidas para diminuição da queima de combustíveis fósseis, políticas públicas e assim por diante.

Próximas etapas

Após o retorno ao Brasil, a equipe deve analisar as amostras coletadas nessa expedição e começar o planejamento para a próxima operação antártica, que deve ocorrer ainda em 2020, em novembro.

O material coletado está congelado no frigorífico do navio polar. O veículo só deve atracar em solo brasileiro em abril, quando o material será liberado para os pesquisadores. A partir daí, as amostras serão distribuídas entre a equipe e a fase de análises químicas de contaminantes terá início. Nessa primeira expedição de 2020, foi coletado cerca de 20% do material que o grupo necessita para responder as questões previamente estabelecidas, o que já pode gerar alguns resultados parciais.

Amostras coletadas na expedição. Fotos: Arquivo Pessoal

“Quando acaba uma operação, já temos que começar a planejar a próxima. A expedição seguinte será a mais crítica, pois terá três fases de coleta. O grupo de três pessoas aumentará para dez que se revezarão em etapas. Em setembro, já temos que embarcar novamente o material no navio para, em novembro, mandarmos uma equipe para lá”, conta Martins. A intenção é que as etapas aconteçam no final da primavera, no meio do verão e no começo do outono, para investigar questões em escala espacial e temporal.

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