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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores levam conhecimento e cultura aos palcos do Festival de Inverno da UFPR em Antonina

Superintendência de Comunicação Social     19 de julho de 2019 - 13h18

Nos espaços da Igreja São Benedito, em Antonina (PR), soavam instrumentos e vozes em canções da música brasileira. “O tempo foi, tudo passa”, entoava o grupo de choro Ensemble DeArtes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em uma das músicas do repertório. Pouco conhecida por intérpretes de choro, a letra de “Naquele Tempo”, de Pixinguinha, foi gravada em 1946 por Abílio Lessa e é um dos resultados de pesquisa do grupo da UFPR. Naquela noite de quinta-feira (18), o público que lotou a Igreja teve acesso não apenas à cultura e à arte, mas também ao conhecimento. O processo de pesquisa antes de chegar aos palcos integra essa e outras atrações do 29º Festival de Inverno da UFPR, que começou quinta (18) e se estende até domingo (21), em diferentes locais, em Antonina.

“A pesquisa se reflete na apresentação de uma sonoridade nova das peças musicais, na maneira de agregar instrumentos, como violino, violoncelo e outros não muito habituais, na música popular brasileira, principalmente no choro”, conta a Keila Linhares da Rocha Nunes, 51 anos, que faz sua segunda graduação, desta vez em Música na UFPR, e integra o grupo de choro Ensemble DeArtes, do Departamento de Artes da Universidade.

Grupo de choro Ensemble DeArtes apresentou espetáculo que trouxe resultados de pesquisa na noite de quinta-feira (18). Foto: Luís Grzybowski/Prattica UFPR

Para o pró-reitor de Extensão e Cultura da UFPR, Leandro Franklin Gorsdorf, ao difundir a pesquisa, acontece a extensão. “Quando a gente estabelece o que é construção de saber na Universidade e compartilha com a comunidade, por si só é uma ação extensionista”. O grupo de choro do DeArtes, por exemplo, faz parte do projeto de extensão “Práticas musicais para a comunidade no DeArtes 2.0”, coordenado pelo professor Edwin Pitre-Vásquez. Os participantes são estudantes do curso de Música da UFPR, mestrandos, doutorandos e convidados. A pesquisa do grupo gira em torno da temática da forma, dos ritmos, da biografia dos compositores, além da prática artística.

Cantora e produtora do grupo de choro, Keila considera que a pesquisa é o alimento formal da arte e da cultura. “É o registro científico e a interpretação da arte e da cultura, além de um importante meio de perpetuação destes tipos de manifestações do comportamento dos povos. Para o músico pesquisador, aqui [no Festival] se realiza a aliança da academia com o público de Antonina, como em nenhum outro lugar”, avalia a estudante, que participa do Festival há cinco anos.

Cantora curitibana e pesquisadora dos cantos e rituais afro-brasileiros, Jay Ferreira apresentou espetáculo na noite de quinta (18). Foto: Pedro Camara/Prattica UFPR

Outras apresentações também envolvem processos de pesquisa antes de subir aos palcos. É o caso do espetáculo “Um canto para as Yabás”, da cantora curitibana e pesquisadora dos cantos e rituais afro-brasileiros Jay Ferreira. A apresentação ocorreu na noite de quinta (18) e trouxe cânticos populares que enfatizam as orixás femininas, conhecidas por Yabás. O espetáculo “A Cara do Brasil”, do Grupo de MPB da UFPR, também é resultado do processo de pesquisa da musicalidade construída a partir da tradição oral brasileira. A atração será neste domingo (21), às 15h30, na Associação de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento de Antonina (Ademadan).

Humanização da cidade

Os jogos e brincadeiras para todas as idades que ocorrem na Praça Coronel Macedo também passam por um processo de pesquisa antes de chegarem ao Festival de Inverno da UFPR. As atividades são realizadas pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço Lazer e Cidade (Geplec), coordenado pela professora Simone Rechia, do Departamento de Educação Física da UFPR. Nesta edição do evento, as ações são realizadas das 14h às 17h, de sexta (19) a domingo (21).

Jogos e brincadeiras para todas as idades que ocorrem na Praça Coronel Macedo também passam por processo de pesquisa. Foto: Nicolle Schumacher, 2018/Sucom-UFPR

Os pesquisadores estudam temas do lazer e sua relação com a apropriação do espaço público, a partir dos diversos interesses culturais. Doutorando em Educação pela UFPR e membro do Geplec, Bruno David Rodrigues explica que o grupo destaca a cultura corporal do movimento, compreendida como gatilho para conquistar e fruir o direito à cidade. “Defendemos que com a apropriação do espaço público é possível questionar a realidade e os investimentos públicos, além de contribuir para a humanização da cidade”.

Rodrigues acrescenta que o grupo acredita que movimentos como o do Festival, que se apropria da cidade de Antonina através da cultura e do lazer, podem transformar a sociedade proporcionando o contato humano, o encontro com o outro e com a diversidade. “Para o nosso grupo, trata-se de retribuir o conhecimento que adquirimos durante a nossa formação dentro da Universidade. É o momento que temos de sair para a rua, para o espaço público, num movimento orgânico de 29 edições para trocar conhecimento, experiência e cultura”, avalia o doutorando que participa do Festival de Inverno da UFPR há cinco anos.

O Festival é patrocinado pela Copel, pelo governo do Paraná e pela Caixa Econômica Federal, e reúne o empenho de parceiros institucionais e apoiadores, entre os quais Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Fecomércio e governo federal. A realização é da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da UFPR e da Prefeitura de Antonina.

A programação completa pode ser conferida no site do Festival de Inverno da UFPR.
Leia as notícias sobre o Festival de Inverno 2019 neste link.

Por Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR