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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores esclarecem dúvidas sobre uso de cloroquina e ivermectina no tratamento da Covid-19 em evento da Agência Escola UFPR

Superintendência de Comunicação Social     16 de março de 2021 - 19h17

O 2º Divulga Ciência AE buscou informar o público por meio de estudos dos convidados e dados comprovados pela comunidade científica mundial

Aconteceu nesta terça-feira (16) a segunda edição do Divulga Ciência AE, evento da Agência Escola de Comunicação Pública UFPR em parceria com o Setor de Ciências Biológicas da UFPR, que busca divulgar informações científicas para a sociedade. Com o tema “Cloroquina e ivermectina: fantasia ou realidade?”, a iniciativa abordou o uso dos medicamentos no tratamento contra a Covid-19, debate ainda recorrente no cenário da pandemia no Brasil. E contou, ao todo, com a audiência de mais de 1,5 mil espectadores na transmissão através do canal do YouTube da Agência Escola (AE).

Mesmo com ineficácia comprovada cientificamente, algumas autoridades públicas e médicos brasileiros ainda recomendam o uso da hidroxicloroquina, mais conhecida como cloroquina, e ivermectina no combate à doença causada pelo novo coronavírus. Assim, parte da população faz seu uso indevido por meio do chamado “Kit Covid”. Com o objetivo de orientar o público sobre os reais efeitos desses medicamentos, o Divulga Ciência AE apresentou informações seguras e comprovadas pela comunidade acadêmica mundial.

Com o tema “Cloroquina e ivermectina: fantasia ou realidade?”, a iniciativa abordou o uso dos medicamentos no tratamento contra a Covid-19. Foto: YouTube/Reprodução

Participaram do debate a professora da UFPR nos cursos de Farmácia e Biomedicina (Departamento de Patologia Básica) e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia Andréa Emilia Marques Stinghen, e o professor do curso de Medicina da UFPR (Departamento de Clínica Médica) Fellype de Carvalho Barreto. Ambos investigam a cloroquina. Além deles, o evento contou com a presença de Marcelo Beltrão Molento, professor no curso de Veterinária (Departamento de Medicina Veterinária) e pesquisador da ivermectina há 25 anos. Eles explicaram o panorama científico dos medicamentos e também responderam dúvidas do público. A mediação do evento foi realizada pela professora Edneia Cavalieri, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR.

Em sua fala de abertura, a coordenadora da Agência Escola UFPR, Regiane Ribeiro, agradeceu a todos os envolvidos no evento e apontou a importância da ciência no debate público. “Para além da politização da pandemia, é papel da ciência e das universidades combater a desinformação e discutir cientificamente esse tema tão imprescindível, que é também uma questão de saúde pública e de valorização da vida”, defendeu a professora.

Regiane Ribeiro, coordenadora da Agência Escola UFPR, defendeu o conhecimento científico no combate à pandemia. Foto: YouTube/Reprodução.

Já o pesquisador Fellype de Carvalho Barreto celebrou a possibilidade de estender o conhecimento para além da Universidade. “O Divulga Ciência AE é uma excelente forma de trazermos informações para a população, algo de extrema relevância nesse momento de pandemia em face do que ainda atravessamos”, afirmou o convidado.

Em concordância com os colegas, a professora Andréa Stinghen também ressaltou a importância do evento e destacou o dever das universidades: levar informações qualificadas para a sociedade.

Ao final do evento, Marcelo Molento ainda reforçou que o momento é oportuno para discutir o combate ao coronavírus. “Precisamos informar as pessoas com qualidade e clareza. Gostaria de recomendar a todos que ao sinal de sintomas, procurem seus médicos e façam um acompanhamento com responsabilidade”, pontuou o pesquisador.

Confira a seguir algumas dúvidas do público respondidas pelos cientistas durante o evento:

Qual a real eficácia desses medicamentos no combate à Covid-19?
Professora Andréa Stinghen – A especulação sobre a cloroquina começou quando um grupo chinês fez estudos in vitro e verificou que o coronavírus não conseguiria fazer a replicação do material genético quando usado o medicamento. Em seguida, um grupo francês publicou um primeiro estudo, que poderia atestar alguma diminuição dos efeitos da Covid-19 em pessoas. Contudo, essa pesquisa teve poucos pacientes tratados com placebo para comparação com o grupo controle. Conforme a pandemia foi avançando, estudos grandes, com 1.000, 5.000 pacientes demonstraram que a cloroquina não tem eficiência contra o coronavírus. Atualmente, a Anvisa reconheceu o fato e não recomenda o uso desse medicamento para a Covid-19.
Professor Marcelo Molento – A ivermectina faz parte do grupo das medicações essenciais para a saúde humana. Para Covid-19, ela é dita “eficaz” porque os estudos apresentam resultados estatisticamente iguais entre quem toma para quem não toma o remédio. Ou seja, ela não apresenta benefícios para prevenir nem para curar a doença. Assim como não existem pesquisas e relatos comprovados que ponham crédito na ivermectina para tratar a Covid-19.

Quais são efeitos colaterais do uso incorreto da ivermectina e da cloroquina?
Professor Fellype de Carvalho Barreto – A cloroquina possui efeito potencialmente tóxico no endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos e que está presente em qualquer parte do organismo. A Covid-19 afeta primariamente o endotélio, que é responsável por suas manifestações sistêmicas (em vários órgãos) e seus efeitos trombóticos. Adicionar um tratamento possivelmente tóxico, como com este medicamento, apresenta riscos para o paciente.
Professor Marcelo Molento – Quais as consequências de usar a ivermectina por quatro ou cinco dias seguidos? Se você nunca mais usar, talvez você tenha diarreia. Porém, pessoas que fazem uso contínuo relataram diarreia e enjoo, bem como sonos profundos de um dia inteiro, como se fosse uma overdose de ivermectina. Houve casos também de hepatite ligada ao uso descontrolado do medicamento. É uma droga instável, que sai no leite para alimentação e também nas fezes. E quando depositada nos esgotos, pode infectar rios, lagos e camadas de água potável.

Então, como se prevenir do coronavírus?
Professora Andréa Stinghen – O que temos de concreto no momento é o isolamento social e a vacina. Ela possui, sim, comprovação científica. Temos estudos in vitro e em pacientes. Precisamos dela para reduzir a disseminação do vírus, mas ela não é a única coisa que precisamos fazer para controlar a pandemia. Não vamos negar o que está acontecendo. De fato, existe uma pandemia que já matou quase 300 mil pessoas no Brasil. Não existe mágica, vamos nos basear nas autoridades sanitárias, nas recomendações do isolamento social e evitar espalhar fake news.

Se eles [cloroquina e ivermectina] não podem ser usados contra a Covid-19, quais são os tratamentos efetivos para a doença?
Professor Fellype de Carvalho Barreto – Existem tratamentos médicos recomendados para a Covid-19 como corticoides, fisioterapia respiratória, ventilação não invasiva, anticorpos, entre outros. Muito tem sido feito a favor dos pacientes. Essa mudança da forma de intervenção médica, muito provavelmente, tem levado a uma melhora na curva de mortalidade dos casos mais graves.

Como saber se informações encontradas na internet sobre o tratamento da Covid-19 são realmente científicas?
Professora Andréa Stinghen – A ciência é divulgada através dos artigos científicos. Antes da publicação, eles são revisados por cientistas de outros países. Além disso, quanto mais esses artigos são citados pelas comunidades científicas, maiores seus fatores de impacto e mais confiáveis eles são. Ou seja, uma pesquisa traz o nome da revista (que deve ter bases científicas) em que foi publicada, o nome dos autores e o fator do impacto. Você deve verificar esses dados para conferir se ela é realmente científica.

Se você tem dúvidas sobre o uso da ivermectina e cloroquina, ainda pode enviar sua pergunta para a Agência Escola UFPR pelo e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com.

Clique aqui e assista à 2ª edição do Divulga Ciência AE na íntegra

Por Isabela Stanga
Sob supervisão de Maria Fernanda Mileski
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing e Agência Escola de Comunicação Pública UFPR


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