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Ciência e Tecnologia

Pesquisadores da UFPR utilizam nanotecnologia para desenvolver desinfetante eficaz por mais de 12 horas

Jéssica Tokarski     10 de junho de 2020 - 11h57

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão desenvolvendo um desinfetante de ação prolongada que promete manter a eficácia por mais de 12 horas após a aplicação. A tecnologia é viável a partir da utilização de nanopartículas. Atualmente, o efeito dos desinfetantes de uso comum dura apenas alguns minutos, pois as substâncias utilizadas na composição evaporam ou perdem atividade por se degradarem com luz, calor ou umidade. O produto poderá ser usado para substituir o álcool 70 contra o novo coronavírus e demais vírus e bactérias.

Além da ação prolongada, outra preocupação dos cientistas é a aderência do produto às superfícies por um longo período de tempo. Os desinfetantes presentes no mercado deixam a região em que foram aplicados ao entrarem em contato com outros elementos. No transporte público, por exemplo, é possível aplicar desinfetante nas superfícies onde o público tem contato, mas na primeira hora o produto e seu efeito terão desaparecido. Com essa nova proposta, espera-se conseguir a longevidade necessária para manter a sanitização por 12 horas ou mais. Para isso os especialistas pretendem combinar nanopartículas de sílica com nanocelulose fibrilada, polímero que ficará aderido à superfície em uma fina camada transparente.

Um dos responsáveis pelo projeto, o professor Washington Luiz Esteves Magalhães do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PIPE) da UFPR, explica que os biocidas são substâncias químicas, de origem natural ou sintética, utilizadas para controlar ou eliminar plantas ou organismos vivos considerados nocivos à atividade humana ou à saúde e que quando ancorados em nanopartículas, apresentam maior estabilidade química e evaporam em menor taxa. No produto será utilizada a nanossílica comercial denominada pirolítica, mais conhecida como sílica fumê.

“Os biocidas ancorados em nanopartículas de sílica terão estabilidade química por dias. Porém, de nada adiantaria se esses biocidas não ficarem aderidos à superfície por longo tempo. Como ainda estamos na fase inicial das pesquisas, imaginamos que se conseguirmos 12 horas de eficiência já será uma grande conquista, mas achamos que podemos ir muito além. Por isso usaremos a nanocelulose fibrilada para aderir à superfície”, afirma Magalhães.

O efeito dos desinfetantes de uso comum presentes no mercado dura apenas alguns minutos. Foto: André Filgueira

Segundo o especialista, a nanocelulose fibrilada é um aglomerante universal. “Essas nanoestruturas de celulose costumam se entrelaçar e aprisionam as partículas de sílica nesse emaranhado de fibrilas, deixando espaço suficiente para a liberação lenta dos biocidas. Assim, temos a segurança de que as nanopartículas não ficarão no ar ou livres, podendo causar algum tipo de problema”. No projeto, optou-se pela utilização da MFC, existente em produção industrial.

A MFC é a maneira mais prática e sustentável de se obter a nanocelulose e de acordo com Magalhães, quando adicionada, ela é capaz de alterar a viscosidade de produtos líquidos. “Por isso é ideal para ser utilizada em spray. Dessa forma as gotículas não são arrastadas em demasia pelo ar e nem escorrem da superfície quando esta estiver na vertical”. Além do novo coronavírus (SARS-CoV-2), agente causador da covid-19, o desinfetante será eficaz para eliminar diversos patógenos como fungos, bactérias e outros vírus.

A MFC é ideal para ser utilizada em spray. Foto: André Filgueira

Viabilidade

O professor conta que os pesquisadores estão tentando elaborar um produto de alta tecnologia com preços competitivos. Apesar de as nanoestruturas terem custo mais elevado, elas permitem a utilização em pequenas quantidades para gerar o mesmo efeito de tecnologias convencionais. “Provavelmente será um pouco mais caro do que o álcool 70, por exemplo, mas terá preços compatíveis com bons desinfetantes já existentes”.

Para que o produto possa ser desenvolvido em larga escala, a um preço competitivo e disponibilizado no mercado em um curto espaço de tempo, a equipe depende das parcerias entre universidade e empresas privadas, principalmente por meio da transferência de tecnologia.

Especialistas

O projeto envolve a colaboração de pesquisadores de diversos departamentos da UFPR e parceiros da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Também estão na linha de frente o professor e engenheiro industrial madeireiro Pedro Cademartori e a professora e bióloga Daniela Leme. “Eles atuam em suas áreas de expertise, auxiliando na compreensão da nanocelulose e de questões como ecotoxicidade, relacionada com o ciclo de vida do produto e perigo ao meio ambiente”, informa Magalhães.

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