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Pesquisadores da UFPR participam de consórcio internacional entre Brasil, China e Inglaterra no combate à Covid-19

Superintendência de Comunicação Social     3 de julho de 2020 - 15h37

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participam de um consórcio internacional no combate ao novo coronavírus. Para isso, foi estabelecida uma rede de colaboração de universidades do Brasil, Inglaterra e China, incluindo Wuhan, primeiro epicentro da doença. Em reunião online inicial as instituições trocaram informações e experiências, que também estão contribuindo para estudos da UFPR, como o uso de contagem de células sanguíneas como marcador de severidade da doença.

“Estamos todos aprendendo em tempo real sobre o novo coronavírus. A troca de informações entre pesquisadores de diferentes países é importante para que possamos, de forma cooperativa e colaborativa, encontrar soluções para o enfrentamento dessa doença que atinge o mundo todo”, disse Lucy Ono, professora do Departamento de Patologia Básica e integrante da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR.

Entre as experiências trocadas que contribuem para estudos da UFPR estão uso de contagem de células sanguíneas para indicar severidade da doença. Foto: Unsplash/Divulgação

Para André Duarte, diretor da Agência UFPR Internacional, a construção dessa parceria inaugura um intercâmbio de ideias, conceitos e práticas. “A troca de conhecimentos é imprescindível quando se trata de enfrentar um inimigo comum, que afeta a população mundial. É o melhor meio de nos prevenirmos e combatermos o problema”.

A colaboração partiu da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Através da Agência UFPR Internacional, a universidade mineira entrou em contato para o consórcio. Além das duas universidades brasileiras, participam a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Queen Mary de Londres, na Inglaterra, e a Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, situada na região de Wuhan, na China.

Os pesquisadores da UFPR que participaram da reunião foram as professores Lucy Ono, do Departamento de Patologia Básica, e Sônia Raboni, do Departamento de Saúde Coletiva, integrantes da comissão de prevenção à Covid-19 na UFPR, e o professor Mauro Castro, do Departamento de Bioinformática.

Contagem de células sanguíneas

Um dos aspectos compartilhados pelos pesquisadores foi a experiência no uso de contagem de células sanguíneas como marcador de severidade da doença. “Essa informação pode ser usada para estratificação de amostras, o que tem grande valor em análise e integração de dados biológicos”, explica o professor Mauro, que utilizará esse conhecimento em projetos na área de Bioinformática”.

Um dos projetos busca entender a interação do vírus com o hospedeiro. “Nesse sentido, marcadores de severidade permitem a identificação de grupos de pacientes mais suscetíveis ao vírus. Isso é importante do ponto de vista da investigação, porque auxilia na construção de hipóteses sobre eventuais interações que poderiam contribuir para essa susceptibilidade”, complementou o professor.

O Programa de Pós-graduação Associado em Bioinformática da UFPR e UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) está com três projetos de pesquisa focados no estudo do vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Os outros dois ainda estão em planejamento.

Experiência inicial

Os cientistas da UFPR participaram da primeira videoconferência no final de abril. Os envolvidos puderam formular questões sobre medidas de distanciamento social que foram debatidas pelos pesquisadores chineses e que poderão ajudar a embasar as análises, inclusive da da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR.

Para Lucy, a reunião permitiu aprender com a experiência daqueles que primeiramente tiveram que enfrentar a pandemia. “Ficou claro o cuidado que precisamos ter com as medidas de abertura gradual que forem adotadas no Brasil. Existe a possibilidade de a circulação do vírus se estender por meses no Brasil, diferentemente da China. O país conseguiu controlar a primeira onda de infecções pelo novo coronavírus em cerca de 2,5 meses, utilizando medidas estritas de isolamento social e de busca ativa de indivíduos suspeitos, além da realização de testes em grande quantidade em sua população”.

Para cientistas, troca inicial entre instituições também reforçou cuidados necessários com medidas de abertura gradual no Brasil. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil-Divulgação

A apresentação foi realizada pelo professor An Pan, da Universidade Huazhong, da China, que liderou um estudo sobre intervenções de saúde pública com a epidemiologia do surto de Covid-19 em Wuhan, publicado no periódico Journal of the American Medical Association (Jama).

O pesquisador falou sobre Wuhan, a quarentena e a busca ativa por indivíduos apresentando febre ou outros sintomas compatíveis com a Covid-19, que eram levados para hotéis ou dormitórios de universidades e precisavam ficar isolados e testados, com acompanhamento médico próximo.

Saiba tudo sobre as ações da UFPR relacionadas ao novo coronavírus

Por Breno Antunes da Luz
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR


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