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Ensino e Educação

Pesquisadores da UFPR criam código de cores para pessoas cegas e com baixa visão

Superintendência de Comunicação Social     15 de setembro de 2017 - 13h40

Pesquisadores da área de Engenharia Mecânica da UFPR criaram um novo sistema para ajudar pessoas cegas ou com baixa visão a fazer escolhas que envolvem cores. Diferente de outros códigos do gênero – que trabalham com idiomas locais ou com referências externas aos códigos já conhecidos desse público – o Sistema de Código de Leitura de Cores é inspirado no Sistema Braille, o que o torna universal.

“A ideia é contribuir para tornar a sociedade mais inclusiva. Uma sociedade na qual uma pessoa cega não precise depender de alguém para escolher a cor da sua roupa, por exemplo”, afirma a doutoranda Sandra Regina Marchi, cujo trabalho deu origem ao novo sistema. Ela foi orientada  pelos professores Maria Lúcia Leite Ribeiro Okimoto e Ramón Sigifredo Cortés Paredes – contou ainda com  participação do professor Milton José Cinelli da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC).

Triângulo cromático usado para ensinar aos deficientes visuais o código de cores.
Crédito: Vinicius do Prado

O código de cores foi desenvolvido para que pessoas com limitações visuais possam identificar as cores de uma forma simplificada, com base num sistema já conhecido por eles – o Braille – e que é internacional. E essa é a inovação do trabalho, uma vez que já existem outros códigos de cores no mundo, mas que trabalham com idiomas locais ou com referências externas aos códigos já conhecidos desse público.

O código pode ser impresso diretamente sobre objetos, obras de arte, etiquetas, embalagens em geral ou colados sobre os produtos de diversos materiais, tais como plásticos, acrílicos, vidros, madeiras, metais, cerâmicas, pedras, papéis, couro, materiais orgânicos e tecidos. Desse modo o usuário do código poderá ter acesso às informações de cor sem necessitar de auxílio, explica Marchi.

Como funciona o código?

Marchi explica que inicialmente trabalhou com as cores primárias, o amarelo, o azul e o vermelho. Para que o sistema tenha uma lógica de fácil assimilação ela criou, com essas cores, um triangulo. Esse primeiro polígono é sobreposto por um segundo que leva as cores que são fruto da mistura das cores primárias: “do vermelho com o azul, temos o roxo, do azul com o amarelo, o verde e do vermelho com o amarelo, o laranja. Trabalhei com a ideia do triângulo cromático”. O preto e o branco foram convencionados pela pesquisadora, que explica ainda que a ideia é ampliar as cores e aperfeiçoar o código.

Para facilitar ensinar o código, Marchi usou a lógica do ponteiro do relógio. A cor vermelha fica às 12 horas e a verde às 6h. “Cada identificação de uma cor tem um traço na base, para indicar o sentido da leitura”, similar ao traço que usamos abaixo dos números 6 e 9. Todos os símbolos tem ainda um ponto (.) que posiciona-se como o centro de um relógio e um traço (-) que funciona como o ponteiro. Então as cores estão situadas da seguinte maneira: 12h, o vermelho, 2h, o laranja, 4h o amarelo, 6h o verde, 8h, o azul e 10h o roxo.

Código impresso em 3D
Crédito: Vinicius do Prado

O estudo

O projeto que resultou no Sistema de Código de Leituras de Cores teve início em 2015 com o objetivo de desenvolver tecnologia assistiva – que são tecnologias desenvolvidas para dar assistência a pessoas com deficiência – para facilitar a percepção de cores por pessoas cegas ou com baixa visão.

Para tornar viável a iniciativa, fez-se um estudo dos diversos tipos de cores. Foi então que se percebeu a necessidade de unificação ou universalização de um código de linguagem que facilitasse a identificação de cores.

Foram estudadas várias alternativas, que foram aprimoradas por meio de inúmeros experimentos em benefício da legibilidade e interpretação do código de cores pela percepção tátil. Protótipos do Sistema de Código de Cor foram confeccionados por meio de software de modelagem sólida com o auxílio de alunos de iniciação científica do curso de Engenharia Mecânica. Também foram testados diversos materiais como o filamento PLA (PolylacticAcid) e a resina acrílica – e diferentes processos para poder apresentar um produto adequado aos processos de manufatura.

Os pesquisadores ainda fizeram testes de usabilidade do Código de Cores com voluntários cegos, que, segundo Marchi, ficaram entusiasmados com o sistema e sua usabilidade. Paralelamente ao Código de Cores, desenvolveu-se um sistema didático para o aprendizado da teoria das cores por pessoas cegas e para o reconhecimento das cores através do Sistema de Códigos. “Eu precisei ensinar para eles. Mas como a base é o Braille ficou mais fácil. E o mais importante: pode ser usado em qualquer país, o código é universal, porque não exige a escrita baseada no nome da cor”, conta Marchi. “Como resultado da aplicação desta pesquisa, espera-se que as empresas agora possam usufruir deste conhecimento, ampliando a acessibilidade dos seus produtos, por meio da incorporação desta tecnologia no dia a dia das pessoas com baixa visão e cegas.”

Por Dafne Salvador


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