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Pesquisadores da UFPR alertam sobre importância de exercícios durante o isolamento social para saúde física e mental

Jéssica Tokarski     20 de agosto de 2020 - 13h01

Durante o distanciamento social, medida adotada para conter a disseminação do coronavírus, adolescentes fisicamente ativos pararam de realizar exercícios, ganharam peso e estão passando mais tempo em redes sociais. É o que aponta um estudo realizado pelo Departamento de Educação Física na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que também adverte sobre a importância de incentivar a manutenção de atividades físicas e da rotina tanto para o corpo, quanto para a mente.

No artigo, publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, os pesquisadores revelam que realizaram um estudo transversal com 342 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, estudantes de escola pública de Curitiba e participantes de atividades esportivas escolares. A pesquisa teve o objetivo de avaliar as atividades físicas realizadas em ambientes fechados e os hábitos de saúde entre adolescentes durante o isolamento social.

Antes do início da pandemia, os adolescentes questionados tinham uma rotina de treinos intensos, com frequência de quatro a seis vezes por semana durando em média duas horas, além de competições nos finais de semana. Com a suspensão das atividades coletivas, três quartos deles reduziram ou interromperam a prática. Apenas 27% dos entrevistados afirmaram que continuam realizando atividades físicas na quarentena, enquanto 30% relataram ter ganhado peso. Os jovens mais ativos são aqueles orientados pelos treinadores e os que possuem sono e alimentação adequados, apesar de haver uma maior tendência de que os adolescentes que já realizavam esportes individuais continuem se exercitando.

Foto: Pexels/Karolina Grabowska

A professora de Educação Física Neiva Leite revela que, mesmo antes da pandemia, o diagnóstico nacional sobre o esporte e a atividade física no Brasil já mostrava que 32,7% dos jovens, na faixa etária entre 15 e 19 anos, eram sedentários. “Durante a quarentena, esse comportamento tende a aumentar, uma vez que os espaços para a prática são limitados e o novo contexto favorece que as pessoas fiquem mais tempo em frente ao computador”. O estudo indica que os espaços mais utilizados por aqueles que mantêm a prática de exercícios são cômodos da casa (56,4%), jardins ou áreas externas (16,9%) e áreas cobertas (15,2%). Poucos treinam na rua ou em estradas (11,5%).

Interromper as atividades físicas pode ocasionar aumento de peso, que está relacionado ainda ao sono irregular e à alimentação inadequada, mas também risco cardiovascular e distúrbios psicossociais. A saúde mental desse público é outro fator de preocupação, já que aspectos como mudanças no peso corporal, alterações no estilo de vida e possuir membros da família trabalhando diretamente com a Covid-19 podem afetar a autoestima.

Segundo a pesquisadora do Núcleo de Qualidade de Vida da UFPR, Lilian Messias, uma rotina fisicamente ativa durante a quarentena também contribui para a saúde mental. “O exercício regula muitas funções em nosso organismo, ajuda a aumentar os níveis de concentração e atenção, melhorando as sinapses cerebrais”.

O que pode ser feito

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a recomendação é de que se realize uma hora diária de atividade física moderada a vigorosa. Para crianças e adolescentes, o American College of Sports Medicine (ACSM) aconselha o mesmo período diário de exercícios, acrescentando atividades de fortalecimento muscular e ósseo ao menos três dias na semana.

Dada a necessidade de isolamento social, os estudiosos salientam que é imprescindível o incentivo à atividade física em ambientes internos, além da adoção de um estilo de vida saudável. Segundo Neiva, por conta da restrição de espaço, o trabalho com exercícios físicos funcionais é uma forma de manter os adolescentes ativos, pois a prática, que consiste em movimentos naturais do ser humano, pode ser feita em qualquer espaço.

Foto: Pexels/Ketut Subiyanto

“A utilização do próprio peso corporal ou de pesos adaptados, a exemplo de pacotes de comida ou embalagens de produtos de limpeza, é muito útil nesse momento. Ainda podemos indicar exercícios aeróbicos como corridas estacionárias, elevação dos joelhos, deslocamentos laterais, saltos e polichinelos”. As práticas anaeróbias de alongamento, fortalecimento muscular e movimentos ginásticos simples também são boas opções.

Os professores de Educação Física e os treinadores desportivos estão tentando adequar as atividades físicas a esse momento de restrição e, principalmente, buscando motivar os adolescentes à prática de exercícios físicos. Os resultados da pesquisa mostraram que as aulas on-line e ao vivo tiveram melhor adesão por parte dos jovens do que as aulas gravadas. “Ajudar os adolescentes a estabelecerem uma rotina e motivá-los com atividades e desafios nas redes sociais, por exemplo, pode ser uma alternativa”, destaca Lilian.

Além da necessidade de traçar estratégias que encorajem os jovens a manterem as atividades físicas em casa e os hábitos saudáveis, as pesquisadoras alertam para a importância da manutenção da rotina. “Seguir os horários de aulas, de treinos, de alimentação e de sono é fundamental para que, ao final do isolamento, esses adolescentes não criem maus hábitos”, aconselha Neiva.


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