Universidade Federal do Paraná

Menu

Ciência e Tecnologia

Pesquisador australiano ministra curso de modelagem de crescimento de florestas na UFPR

Superintendência de Comunicação Social     5 de fevereiro de 2014 - 16h52

Jerry Vanclay visita o Departamento de Engenharia Florestal da UFPR - Foto: Nicola Iannuzzi

Jerry Vanclay visita o Departamento de Engenharia Florestal da UFPR - Foto: Nicola Iannuzzi

Um curso de curta duração atrai nesta semana estudantes, professores e profissionais de engenharia florestal de todo o país ao campus Jardim Botânico da UFPR. O responsável por gerar esse interesse é o ministrante, o australiano Jerome Klaas Vanclay, diretor do Centro de Pesquisas Florestais e chefe da Escola de Meio Ambiente, Ciência e Engenharia da Universidade Southern Cross, na Austrália.

Jerry Vanclay, como é mais conhecido, dará aulas até sexta-feira sobre modelagem do crescimento e da produção de florestas tropicais, tema no qual é um dos maiores especialistas em todo o mundo. Trata-se de um conjunto de técnicas que permite compreender de que forma uma floresta irá se comportar em curto, médio e longo prazo a partir de mudanças em seu manejo. “Por causa da extensão de área de uma floresta e do longo tempo que as consequências de uma mudança levam para aparecer, é difícil saber se estamos tomando as decisões corretas ao interferir na dispersão de sementes, por exemplo”, explica o pesquisador.

Para ele, é possível que haver desenvolvimento urbano ao mesmo tempo que regiões de mata nativa sejam preservadas. “Em um país como a Austrália ou como o Brasil, o melhor uso da terra passa por desmatar algumas áreas, mas é fundamental manter florestas ao redor das cidades para haver recursos ambientais disponíveis”, diz. “As florestas tropicais brasileiras são muito importantes nesse sentido.”

Vanclay ministra curso rodeado de ventiladores - Foto: Nicola Iannuzzi

Vanclay ministra curso rodeado de ventiladores - Foto: Nicola Iannuzzi

Mudanças climáticas
Cercado por três ventiladores no auditório em que ministrava o curso, Vanclay comentou sobre as altas temperaturas que os curitibanos têm enfrentado nos últimos dias. Na sexta-feira passada, os termômetros atingiram a marca de 35°C, a mais alta já registrada pelo Instituto Tecnológico Simepar, que iniciou as medições há 17 anos. “É difícil saber se essas temperaturas extremas têm a ver com uma mudança climática gerada pela ação do homem ou se fazem parte de um ciclo natural”, disse. “Mas como cidadãos responsáveis, devemos nos preocupar com o que deixaremos para as próximas gerações.”

Vanclay é autor de três livros, entre eles Modelling Forest Growth and Yield, referência na área, ainda sem tradução para o português. Diretor do Centro de Pesquisas Florestais e chefe da Escola de Meio Ambiente, Ciência e Engenharia da Universidade Southern Cross, dedica-se à modelagem de florestas a cerca de 30 anos. Há 20, esteve no Brasil pela primeira vez para conhecer a Floresta Amazônica. Desde então mantém contato com colegas brasileiros, principalmente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da UFPR.

Na segunda-feira (3), o pesquisador participou da banca de defesa da tese de doutorado do estudante Henrique Orellana. O trabalho, intitulado ‘Sucessão Florestal, Regimes de Manejo e Competição Avaliados com modelos de árvore individual dependente e independente da distância em um fragmento de floresta de Araucária no Sul do Brasil’, foi orientado por Afonso Figueiredo Filho.

Curitiba tem se tornado cada vez mais referência internacional na área de engenharia florestal. Em 2019, a cidade será a primeira da América Latina a sediar o Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO, na sigla em inglês), que ocorre a cada cinco anos. O evento de 2014, previsto para outubro, será em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

Célio Yano