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Ensino e Educação

Segurança e condutas de risco de pedestres são temas de estudo premiado pela Sociedade Brasileira de Psicologia

Bruna Bertoldi Gonçalves     11 de dezembro de 2019 - 15h57

A aluna de Psicologia da UFPR Mylena Keiko Kishi foi premiada pelo trabalho “Travessia de Pedestres: uma análise de comportamentos de risco e segurança” na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP). O evento com o tema “Psicologia: direito de tod@s” foi realizado no segundo semestre na Paraíba.

Fruto de sua Iniciação Científica (IC), finalizada em julho de 2019, a estudante de 21 anos recebeu o prêmio Reinier Johannes Antonius Rozestraten, destinado aos melhores trabalhos de graduação. O pôster de Mylena, que está no sexto período, apresentou os resultados da pesquisa e conquistou o segundo lugar na categoria. Observar comportamentos de risco que podem comprometer a travessia e identificar procedimentos de segurança foram objetivos do estudo.

A docente (à esquerda) e a aluna (à direita) receberam a premiação em outubro, durante a 49ª Reunião Anual da SBP. O evento foi realizado em João Pessoa, na Paraíba. Foto: Divulgação.

Os números alarmantes de mortes no trânsito no país chamaram a atenção da aluna e da professora do Departamento de Psicologia da UFPR, Alessandra Sant’Anna Bianchi. Elas decidiram investigar a maneira como crianças e adultos – nos casos em que acompanham crianças – atravessam a rua. “Só em 2015, foram registradas mais de 38 mil mortes de pessoas no trânsito no Brasil, número que colocou o país como um dos que mais mata pessoas no trânsito na América do Sul. Além disso, no período de 2006 a 2016, foram registradas 18.900 mortes de crianças e adolescentes entre zero e 14 anos. Desse índice, 36,9% referem-se a mortes na condição de pedestres”, informa a acadêmica.

Os resultados da pesquisa evidenciam que os grupos observados adotaram condutas de risco ao atravessar a rua. “Menos da metade das pessoas dos dois grupos emitiu o comportamento seguro de olhar para os dois lados e mais da metade do grupo das crianças não olhou para nenhum dos lados antes de realizar a travessia. Além disso, durante a travessia, alguns dos pedestres emitiram comportamentos de risco, como conversar com alguém, mexer no celular, entre outros que tiram a atenção”, destaca a futura psicóloga.

O trabalho partiu de uma revisão de literatura para explorar pesquisas recentes relacionadas à temática. Para a coleta de dados, foram observadas 405 travessias por meio de filmagens realizadas em frente ou nas proximidades das saídas de 13 escolas de ensino fundamental de Curitiba no final das aulas.

Os pedestres, população considerada vulnerável, representam um importante percentual das mortes no trânsito, como explica a orientadora. “É um trabalho muito importante, pois fornece indicadores sobre um comportamento que pode colocar em risco a vida das pessoas, mas que não tem sido estudado no Brasil”. O método de observação em ambiente natural é apontado pela docente como um diferencial da pesquisa.

Para Mylena, os resultados possibilitam o planejamento de intervenções para conscientizar adultos e crianças sobre a importância de adotar comportamentos que garantam uma travessia segura – com ênfase em ações informativas aos pais. “As crianças ainda não possuem todas as capacidades desenvolvidas para que consigam andar na rua sozinhas com segurança”, reforça. “Os resultados permitem que gestores públicos, educadores e pais desenvolvam estratégias para promover a segurança de pedestres crianças, mas também de adultos. Isso pode ser feito por meio de campanhas ou outras atividades educativas que versem sobre a forma correta de atravessar as ruas”, sugere Alessandra.

A IC é uma atividade extracurricular introdutória à pesquisa científica. Os estudante de graduação que vivenciam a experiência cumprem até 20 horas de atividades semanais em um projeto de pesquisa, conforme plano de trabalho elaborado em conjunto com o professor. “Pude me desenvolver em várias áreas, não só acadêmica e profissional, mas também pessoal. Por essa razão, considero que esse período foi muito importante para mim”, relata a estudante, que fez IC por um ano. 

Na opinião da docente do Departamento de Psicologia da UFPR, a IC é fundamental para a formação profissional. “É essencial não apenas para aqueles que vão seguir carreira acadêmica. Na IC, o acadêmico desenvolve competências como onde e como buscar a informação mais atualizada sobre um tema; como pensar criticamente a resolução de problemas e buscar estratégias para resolvê-los; e como se comunicar, de forma escrita e oral, com um interlocutor que não está presente, mas precisa compreender a mensagem na íntegra”, avalia. 

A 49ª Reunião Anual da SBP ocorreu em João Pessoa entre os dias 22 a 25 de outubro. A cada edição, são premiadas as três melhores apresentações nas categorias graduação, mestrado e doutorado. Confira os vencedores da premiação de painéis aqui.

Prêmio Reinier Johannes Antonius Rozestraten

Rozestraten, referência em estudos sobre psicologia do trânsito no Brasil, criou o Laboratório de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e dirigiu o Instituto de Psicologia da instituição. O estudioso foi o primeiro presidente da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, atual SBP. Em 1955, concluiu a graduação em História Natural pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, em 1971, tornou-se doutor em Psicologia Experimental pela mesma universidade. Na década de 80, o pesquisador fez pós-doutorado na França com estudos sobre a percepção no trânsito.