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Ciência e Tecnologia

Pesquisa da UFPR identifica nível de proficiência de inglês para ensino-aprendizagem; participantes podem fazer Toefl

Superintendência de Comunicação Social     10 de janeiro de 2020 - 16h44

Ministrar aulas em inglês fortalece a chamada “internacionalização em casa”, que abre a oportunidade de participação de estudantes e professores de vários países. Ao saber o nível mínimo de proficiência do idioma para o processo de ensino-aprendizagem ainda é possível ampliar a oferta de disciplinas. As informações são apontadas em pesquisa desenvolvida pelo professor Ron Martinez, do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas e do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que também é diretor do Centro de Assessoria de Publicação Acadêmica (Capa) da UFPR. Recentemente, a continuidade do estudo que começou no ano passado foi aprovada em edital da Educational Testing Service (ETS), dos Estados Unidos, que produz o Toefl (Teste de Inglês como uma Língua Estrangeira).

Além de cerca de US$ 50 mil para custear bolsas de pesquisa de estudantes de graduação e pós-graduação, a ETS fornecerá 1,2 mil vagas para uma versão especial do teste Toefl iBT, versão mais completa que inclui avaliação de todas as habilidades em inglês. O Toefl será utilizado como instrumento de pesquisa para avaliar o nível de proficiência necessário para o processo de ensino-aprendizagem em universidades de todo o Brasil – 600 testes Toefl serão exclusivamente para a UFPR. Professores e estudantes de qualquer área de conhecimento interessados em participar podem enviar e-mail para emi@ufpr.br – o único requisito é ser professor ou aluno de qualquer disciplina ministrada por meio de língua inglesa.

Além de participar da pesquisa, professores receberam capacitação para ministrar aulas em inglês. Foto: Leonardo Bettinelli/Sucom-UFPR, 2019

Martinez destaca que o estudo terá impacto em termos de políticas linguísticas no mundo. “A UFPR estará contribuindo com informações a respeito de políticas linguísticas para o mundo inteiro já que essa questão sobre níveis mínimos [para ensino-aprendizagem] nunca foi respondida”. O pesquisador acrescenta que os resultados podem abrir mais disciplinas em língua inglesa na Universidade. “Essa internacionalização em casa é bastante democratizante e inclusiva, sem privilegiar quem tem condições financeiras e pessoais de viajar”.

O professor da UFPR é o primeiro pesquisador que recebe o fomento da norte-americana ETS no Brasil e na América Latina. “É um ponto de muito orgulho para a UFPR uma vez que todos os anos centenas de trabalhos de todo o mundo são enviados à ETS, e destes somente três são contemplados”, diz Martinez.

Resultados anteriores

O projeto de pesquisa “Metodologia de educação superior: inglês como meio de instrução” descobriu que o nível mínimo para professores lecionarem em inglês é o B2, considerado intermediário-alto no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR), padrão reconhecido internacionalmente para categorizar a proficiência em um idioma. O estudo coordenado pelo professor Ron Martinez, com parceiros da Universidade de Cambridge no Reino Unido, teve apoio do Conselho Britânico e foi desenvolvido entre 2016 e 2019 – o projeto aprovado recentemente pela ETS avaliará tanto professores quanto estudantes.

Um dos objetivos do projeto original foi elevar a confiança de docentes sobre a própria proficiência. “Muitas pessoas acreditavam que era necessário ter C1, um nível muito avançado para lecionar no idioma, mas a pesquisa mostra que o B2 é suficiente para a maioria dos casos. Essa é uma boa notícia para professores do Brasil uma vez que diferente de outros contextos no mundo os brasileiros não conseguem um nível de proficiência tão alto com tanta frequência”, diz o pesquisador.

No estudo que Martinez conduziu com os parceiros da Universidade de Cambridge, foi avaliada a proficiência linguística de 26 professores e 50 alunos de graduação e pós-graduação de diversas áreas de conhecimento da UFPR, de universidades estaduais do Paraná e do exterior. Participaram estudantes do Brasil, Alemanha, Estados Unidos, República Checa, França, México, Colômbia e Argentina. Além disso, desde 2016, cerca de 130 professores já receberam capacitação para ministrar aulas no idioma.

Por Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR