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Pesquisa da UFPR aborda a carne celular, um produto cultivado em laboratório com células de animais

Aline Nunes     28 de janeiro de 2021 - 18h34

A carne celular é feita em laboratório com células de animas, que não precisam ser abatidos para a produção. Foto: BlueNalu/Divulgação.

Uma pesquisa de mestrado realizada na Universidade Federal do Paraná analisou as visões de diferentes atores, os chamados stakeholders, envolvidos na indústria global emergente da carne celular. A novidade é produzida em biorreatores de laboratório com células de animais extraídas por meio de biópsia, sem abater e sem causar dor ao animal. O trabalho foi realizado no Programa de Pós-graduação em Administração da UFPR e orientado pelo professor Germano Glufke Reis.

“Espera-se que a carne celular traga vários benefícios ambientais e para a sociedade. Ela poderá reduzir emissões de gases de efeito estufa, o uso da terra e da água, o sofrimento animal, o desmatamento, entre outros. Além disso, a sua produção está menos exposta à contaminação patogênica, relacionada, por exemplo, à Salmonella e à gripe suína”, enumera Helna Almeida de Araujo Goés, a autora da dissertação.

Pesquisa

Durante a pesquisa, Helna entrevistou quinze stakeholders (empreendedores, investidores e gestores da indústria da carne, pesquisadores, representantes de ONGs) de seis países, como Brasil, Israel, Estados Unidos, Bélgica, França e Holanda. Ela também analisou notícias internacionais sobre carne celular publicadas entre 2019 e 2020.

“Além da abordar um produto inovador, a pesquisa também se destaca por utilizar a ‘teoria das justificativas’ como quadro analítico. Esta é uma abordagem pouco empregada na área de administração que permite compreender o modo como diferentes stakeholders entendem a inovação e as narrativas que desenvolvem em torno dela”, afirma o professor Germano ao explicar a metodologia pioneira no Brasil.

Uma biópsia é realizada em um animal vivo para coleta de células, que são colocadas em um biorreator. Nele as células se multiplicam para dar origem ao produto final. O animal não precisa ser abatido, nem sofre durante o processo. Infográfico: Germano Glufke Reis/ Biorender.

“No geral, predominaram argumentos a favor, relacionados aos benefícios ambientais (e para o bem-estar animal) e às melhorias técnicas de produção, aspectos que são colocados no sentido de dar legitimidade à carne celular. Por outro lado, os grupos contrários, em menor número, utilizam-se de argumentos ligados à valores tradicionais da produção convencional da carne para deslegitimar a inovação, dizendo que a inovação não é natural, pois os produtos não nasceram, foram criados e abatidos”, afirma Helna.

Mercado

Singapura será o primeiro país do mundo a comercializar produtos feitos com carne de laboratório. A agência reguladora do país asiático autorizou a tecnologia no final do ano passado. Segundo dados produzidos pela consultoria americana ATKearney, a expectativa do mercado é de que haja um efeito dominó e que até 2030 a carne celular represente 10% do mercado do mundo, saltando para 22% em mais 5 anos. Em 2040, apenas 40% do mercado vai englobar a carne convencional.

Por isso, multinacionais do ramo de alimentos estão investindo em startups de carne celular. “A startup BlueNalu, de produção de peixe celular, conquistou um maciço investimento em janeiro de 2021, que lhe permitirá implantar uma planta produtiva piloto. Multinacionais que produzem carne convencional também tem investido em startups de carne celular. São alguns indícios de que a comercialização desses produtos poderá ocorrer antes do que se esperava”, informa Helna.

O Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal do mundo. Somente no terceiro trimestre de 2020, o país abateu 7,5 milhões de bovinos e 1,5 bilhão de frangos, de acordo com dados da Estatística da Produção Pecuária, divulgados em dezembro do ano passado pelo IBGE. “É relevante que Brasil, como um gigante da indústria da carne global, para manter-se competitivo, não fique atrás no desenvolvimento da emergente cadeia da carne celular”, avalia Helna. De acordo com professor Germano, é neste momento que a pesquisa desenvolvida na UFPR ganha mais relevância, pois “permite pensar sobre como os diferentes stakeholders podem ser estrategicamente gerenciados, para facilitar o acesso do país às inúmeras oportunidades desta nova cadeia”.

Laboratório de Bem-estar Animal

O trabalho de Helna foi realizado no Programa de Pós-graduação em Administração, mas está alinhado aos estudos também pioneiros do Laboratório de Bem-estar Animal da UFPR, que pesquisa alternativas para a redução do sofrimento animal na cadeia produtiva. O laboratório é coordenado pela professora Carla Molento, parceira do professor Germano Glufke Reis em alguns projetos.

 

 

 

 


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