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Ciência e Tecnologia

Partitura francesa é restaurada após 300 anos por pesquisadora da UFPR

Superintendência de Comunicação Social     8 de outubro de 2019 - 14h30

Acompanhe ao longo da semana uma série de matérias sobre o processo de pesquisa nas produções artísticas e de que maneira a ciência na arte impacta a sociedade. Os textos abordam diferentes estudos de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná na área.

Numa pequena gaveta da Biblioteca Nacional da França (BNF) estava esquecida uma partitura de 1696 do compositor francês Marin Marais. Mais de 300 anos depois, em 2010, a obra foi descoberta pela professora Silvana Ruffier Scarinci, do Departamento de Artes da UFPR. Logo, a ópera Ariane et Bacchus, que conta a clássica história da mitologia grega do envolvimento de Ariadne e Baco, começou a ser restaurada em um longo processo de pesquisa.

Partitura francesa de 1696 foi descoberta pela professora Silvana Ruffier Scarinci, do Departamento de Artes da UFPR. Fotos: Leonardo Bettinelli/UFPR

A modernização da partitura soma 340 páginas, o que representa cerca de três horas e 30 minutos de ópera. Uma edição crítica produzida pela pesquisadora da UFPR será publicada no Centro de Música Barroca de Versalhes (CMBV), importante editora de música francesa do período barroco. “Teve esse percurso de uma pesquisa puramente acadêmica, que foi a reconstrução desse material que estava nos acervos, toda a coleta e transcrição e depois a edição para chegar numa edição crítica”, conta Silvana.

A modernização da partitura soma 340 páginas, o que representa cerca de três horas e 30 minutos de ópera

Depois de 300 anos silenciada, a música composta na França do século 17 pode ser ouvida em um concerto apresentado por integrantes do Laboratório de Música Antiga (Lamusa) da UFPR em Curitiba, em 2016, e em uma ópera completa em Chicago, nos Estados Unidos, em 2017. As performances, a partir de pesquisa aprofundada, envolveram dança, figurino e instrumentação barrocos, canto que busca reproduzir a estética antiga, além do conhecimento técnico dos instrumentos antigos, como cravo, teorba, alaúde, viola da gamba, guitarra barroca, entre outros.

“O fato de no Brasil trabalharmos sobre uma obra de grande envergadura, pertencente ao cânone central do repertório europeu é uma contribuição imensa que estamos fazendo para o mundo musical internacional”, avalia Silvana. A pesquisa tem a participação de cerca de 15 bolsistas de graduação, mestrado e doutorado em Música do Lamusa da UFPR. O estudo recebeu apoio da Fundação Araucária e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Assista abaixo (aos 9 minutos e 50 segundos do vídeo) a uma matéria produzida pela UFPR TV sobre a estreia da ópera, em 2016:

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Por Chirlei Kohls
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