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Ensino e Educação

Intercambistas estrangeiros, reingressos e aprovados no Vestibular especial recebem as boas-vindas na UFPR

Superintendência de Comunicação Social     14 de fevereiro de 2019 - 12h54

Nesta quinta-feira (14), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciou o processo de acolhimento e recepção de 71 estudantes estrangeiros de graduação e de 17 estudantes do curso Português como Língua Estrangeira (PLE) do Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) que, durante os próximos meses ou anos, estudarão na instituição. A recepção se estende ao longo do dia com dinâmicas interativas e orientações.

Os estudantes são oriundos de mais de 25 diferentes países como Timor-Leste, Japão, Gana, Síria, França, Estados Unidos e Argentina. Dentre eles estão os dez calouros que foram aprovados recentemente no Vestibular para migrantes com visto humanitário e refugiados e outros integrantes de convênios e programas de cooperação internacional. Eles farão parte de mais de 30 diferentes cursos de graduação.

A coordenadora do Núcleo Tandem – programa do Celin –, Norma Müller, explica que neste momento de recepção são passadas aos estrangeiros orientações sobre a burocracia universitária e sobre serviços como assistência estudantil, intercampi e restaurantes universitários. Esta também é uma ocasião de integração, na qual os alunos conhecem os colegas e os profissionais aos quais deverão recorrer em caso de dúvidas ao longo do tempo que passarão na UFPR.

Foto: Marcos Solivan

Durante recepção, o representante dos estudantes estrangeiros na UFPR, Peter Mackenson Civil, contou um pouco sobre sua experiência no Brasil e deu dicas aos novos estudantes. “Vocês têm que se motivar a atingir seus objetivos, pois durante o caminho certamente encontrarão várias dificuldades, mas com disciplina, objetivo e motivação vocês conseguirão atingir seus sonhos”, disse o aluno de Administração haitiano que está no País desde 2014.

O representante da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFPR e do Programa Política Migratória e Universidade Brasileira (PMUB), professor José Antonio Peres Gediel, destacou o sentimento de felicidade em ver uma sala cheia de pessoas de todas as partes do mundo. “Estamos avançando um pouco a cada ano nessa caminhada segura e sem retrocessos”.

Para o diretor da Agência UFPR Internacional, André Duarte, a presença dos estudantes estrangeiros reflete a internacionalização da UFPR. “Assim como vocês enriquecem sua cultura ao virem para cá, nós também nos tornamos mais ricos com a presença de vocês. Essa mistura de línguas, culturas e países é a realidade da universidade hoje. Cada um de vocês terá uma experiência única de viver aqui e esse é o objetivo dessa integração”.

Esperança

Tarek Kanjo é oriundo de Alepo, na Síria, e já cursava Odontologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mas como sua família inteira mora em Curitiba conseguiu transferência, neste ano, para a UFPR. “Eu quero ajudar da melhor forma possível outras pessoas a sorrirem novamente, por isso escolhi o curso de Odontologia. Espero terminar meus estudos logo, trabalhar e ingressar no mestrado para poder devolver ao Brasil um pouco do que o País fez por mim”.

Kanjo, que está no Brasil há cinco anos, iniciou os estudos na Síria, mas se viu obrigado a sair do país quando uma bomba acabou com o sonho de muitos dos seus colegas. Por pouco ele escapou da tragédia e então decidiu que era o momento de encontrar sua família que estava em Curitiba. “Eu tinha a intenção de me formar lá e só então me mudar para outro lugar, pois sei como é difícil conseguir essa certificação. Ao chegar aqui, havia perdido a esperança de retomar os estudos, principalmente pela dificuldade na língua. Agora estou muito feliz com essa oportunidade na UFPR”.

À esquerda, o sírio Tarek Kanjo e à direita, o haitiano Russel Cerilia. Fotos: Marcos Solivan

Há cinco anos no Brasil, Russel Cerilia escolheu o lugar pelo bom acolhimento aos imigrantes. “Posso dizer que meu Haiti dentro do Brasil é Curitiba. Inclusive, acabo de criar uma família aqui, pois meu filho nasceu há dois anos. Adoro esta cidade porque o tipo de tratamento que recebo me ajuda a crescer”.

Cerilia se formou em Economia no Haiti, mas desde que chegou no Brasil não parou de estudar. Fez cursos técnicos em eletromecânica e eletrônica e enxerga a oportunidade de cursar Administração na UFPR como uma chance de mudar de vida.

“A responsabilidade política que tenho me faz pensar em voltar ao Haiti, por ver que as coisas não estão dando certo lá. Mas atualmente, com a diversidade e a internacionalização, vejo que também tenho essa responsabilidade no Brasil e por enquanto me sinto em casa aqui”, revela.