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Grupo de pesquisa monitora políticas públicas durante a pandemia

Lais Murakami     15 de dezembro de 2020 - 7h44

A alta de casos de covid-19 e o colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) poderiam ser evitados se não houvesse inação no período de maio a julho e políticas públicas mais duras tivessem sido implantadas. É o que aponta a pesquisa inédita de monitoramento das políticas públicas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), realizada pelo Grupo de Pesquisa em Sociologia e Políticas Sociais, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPG Socio) da Universidade Federal do Paraná.

O relatório recém lançado, disponível aqui, é uma versão resumida dos primeiros seis meses do trabalho, compreendendo o período de março a agosto de 2020. A pesquisa traz uma metodologia cruzando o monitoramento das políticas de enfrentamento à pandemia com os dados epidemiológicos dos 29 municípios que fazem parte da RMC. Segundo a coordenadora do grupo, professora Maria Tarcisa Silva Bega, até agora a série histórica nunca foi analisada desta maneira. O estudo é contínuo e no momento monitora o período de setembro a dezembro. Os próximos resultados serão apresentados em janeiro de 2021.

Casos confirmados de Covid 19 na RMC em março/2020 – Elaboração: Robert Marques

Casos confirmados de Covid 19 na RMC em agosto/2020 – Elaboração: Robert Marques

A pesquisa foi uma das contempladas pelo edital de Projetos individuais no combate à covid-19 (Proind 2020), lançado pela Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Proplan). A equipe é formada por pesquisadores da UFPR e do Instituto Federal do Paraná, doutorandos do PPG Socio e alunos e bolsistas dos cursos de Ciências Sociais e Geografia.

Entre as conclusões da pesquisa, a professora Tarcisa destaca a falta de coordenação centralizada das políticas, deixando os prefeitos à mercê das pressões dos interesses econômicos, apenas “gerenciando a doença” e não evitando-a. No relatório, os pesquisadores definiram o conjunto de ações tomadas como “gerenciamento da pandemia”, pois as políticas implementadas eram muito mais de administração de impactos do que enfrentamento da pandemia.

Através de mapas, gráficos, tabelas e com a linha do tempo das políticas públicas – instrumento de monitoramento desenvolvido pelo grupo de pesquisa – ,foram avaliadas as ações implementadas pelo poder público e seus impactos no ritmo de disseminação do novo coronavírus. A pesquisa também evidenciou o lugar que a saúde pública ocupa no contexto do Brasil contemporâneo.

Linha do tempo de políticas públicas de combate á pandemia em Curitiba – Fonte: PPG Socio

 

O desenvolvimento da pesquisa se deu pela elaboração da linha do tempo das políticas públicas, capaz de localizar temporalmente as principais etapas do ciclo, demandas, contexto de elaboração, publicação e efeitos após a publicação. Os mapas permitem visualizar a dinâmica de avanço da pandemia na RMC. Ao invés do poder público procurar evitar que o vírus circulasse e infectasse as pessoas, optou por manter o contágio sob níveis considerados toleráveis. Sobre a saúde pública, os dados demonstram que “o sistema suportou a demanda não em decorrência da eficiência das políticas de mitigação da doença, mas da enorme capacidade do SUS de ampliar rapidamente sua capacidade de atendimento aos pacientes graves de covid-19”.

O cruzamento das informações mostra que as medidas de isolamento social mais restritivas são as mais bem sucedidas no enfrentamento da pandemia, pois até os meses de abril e maio, o ritmo de transmissão se mantinha sob relativo controle. O primeiro pico de novos casos, como a entrada em fase exponencial de transmissão, se dá praticamente ao mesmo tempo em todo o espaço metropolitano, quando os decretos mais restritivos são flexibilizados na primeira data comercial importante, a Páscoa.

“Comprovamos que o lockdown programado para toda a RMC seria a única forma de achatar a curva e evitar o colapso do SUS. Ainda em agosto o SUS demonstrava capacidade de atendimento. Mas apontamos que em agosto, se houvesse uma política mais dura de isolamento social o colapso de hoje teria sido evitado”, finaliza Tarcisa.

 

Imagem em destaque de Justine FG, de FreeImages

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