Universidade Federal do Paraná

Menu

Extensão e Cultura

Grávidas montam plano de parto e aprendem o que esperar dele com projeto do Departamento de Enfermagem da UFPR

Camille Bropp     10 de junho de 2019 - 15h55

A estudante Isabelle Daru, de 21 anos, tinha uma dúvida sobre o parto em que nascerá Caetano, seu primeiro filho, que deve ocorrer a qualquer momento na Maternidade Victor Ferreira do Amaral, em Curitiba. “Posso usar meus óculos [de grau]?”, pergunta ela, que explica já ter ouvido histórias de hospitais que vetam o acessório por precaução extra em relação à higiene hospitalar. A pergunta simples, de uma mãe de primeira viagem que quer poder ver o rosto do bebê assim que ele nascer, é uma das muitas que um projeto de extensão do Departamento de Enfermagem da UFPR vem ajudando a responder.

Criado oficialmente em janeiro, mas em funcionamento desde setembro, o projeto tem como meta oferecer a gestantes com 37 semanas ou mais de gravidez uma consulta aprofundada. Nela, os procedimentos obstétricos realizados na maternidade são discutidos um a um e as grávidas conhecem seus direitos, que são descritos nas diretrizes de assistência ao parto normal do  Sistema Único de Saúde (SUS). As mães são orientadas sobre o que esperar da fase final da gravidez e recebem dicas sobre o que fazer para se preparar para o parto, inclusive em casos complexos, como os de incompatibilidade sanguínea entre mãe e criança.

Gestantes de Curitiba aprendem o que esperar do parto com projeto de extensão; cerca de 140 já foram atendidas nos últimos oito meses. Fotos: Nicolle Schumacher/Sucom-UFPR

As consultas com as grávidas, que já fazem o pré-natal na maternidade, ocorrem às sextas-feiras à tarde. Até agora, já foram atendidas cerca de 140 gestantes.

As informações são usadas pelas grávidas para que elas construam o plano de parto, que é o documento em que a mulher define seu posicionamento sobre etapas do processo que atingem o corpo dela e o bebê. As informações estão em uma cartilha ilustrada para retratar tudo o que ocorre com a mãe e com o bebê antes, durante e depois do parto. Dessa forma, elas são orientadas sobre o que esperar das mudanças físicas que ocorrem antes do trabalho de parto, e informadas sobre como procedem as equipes da maternidade onde serão atendidas.

O intuito é que a gestantes consigam viver o momento com mais tranquilidade, explica a professora Tatiane Trigueiro, que coordena o projeto. “Nota-se que, após a consulta, as gestantes e os seus acompanhantes saem menos ansiosos e mais preparados sobre quando ir à maternidade diante de sinais e sintomas de trabalho de parto”, conta. “É uma atenção simples, mas muito importante para que as mães tenham o parto como um momento feliz, com boas lembranças, e não saiam dele traumatizadas e se sentindo impotentes”.

Dúvidas

O projeto conta com 11 estudantes de Enfermagem, a maioria voluntárias e estudantes do 7.º e do 8.º semestres. As alunas ajudam nas consultas às gestantes sob orientação das professoras Tatiane, Marilene Wall (vice-coordenadora do projeto) e Silvana Kissula Souza. Muitas delas já tinham vontade de trabalhar em unidades obstétricas, mas algumas tiveram esse interesse despertado pelo projeto.

As professoras Marilene Wall e Tatiane Trigueiro, que coordenam o projeto; e as alunas de graduação Karine de Arruda, Letícia Couto, Karen Bonancim, Jenifer Roda, Rafaela Mildemberg e Daysa Araujo

A estudante Jenifer Roda, por exemplo, já é mãe de um menino de seis anos. Ao atender as gestantes, ela pensa nas próprias dúvidas e temores que teve durante a sua gravidez. “Acabei fazendo um parto domiciliar por medo que a humanização do parto de que os hospitais falam não fosse tão praticada”, reconhece. “É importante ajudar que a grávida conheça seu direitos porque muitas instituições e profissionais ainda se apegam a protocolos antigos por hábito. É uma questão de educação que precisa ser resolvida”.

Para participar do projeto, as alunas precisam se preparar para responder a perguntas bastante variadas. Algumas delas: pode se alimentar antes de ir à maternidade? Resposta: sim, desde que seja uma refeição leve. A mulher é obrigada a fazer outra cesariana se já passou por um parto dessa forma? Resposta: não, mesmo nesse caso a cesárea continua excepcional. Mais detalhadamente, são cinco as indicações para esse tipo de parto: ruptura e descolamento de placenta, cordão umbilical para fora, bebê de lado e placenta prévia (inserida no colo do útero).

Os mitos em torno da gravidez e do parto ainda continuam tão numerosos que nem mesmo mães experientes fogem deles, contam as estudantes. “Cada consulta é um aprendizado”, define Karen Bonancim, também aluna de Enfermagem da UFPR.

O casal Leonardo Christen e Isabelle Daru durante a consulta na Maternidade Victor Ferreira do Amaral, no último dia 24/5

Com esse apoio, o casal Isabelle Daru e Leonardo Christen, ambos de 21 anos, conseguiram estabelecer o que esperar da vinda de Caetano. Além dos óculos de grau, Isabelle quer ter o marido do lado, contato com o recém-nascido logo depois do parto e poder amamentar na primeira hora.

“Acredito que o projeto, ao informar as gestantes e demonstrar que, sim, a gestante tem controle e pode escolher o que acontece nesse momento. Você devolve à mulher o poder do trabalho de parto e a confiança de que a responsável pelo nascimento do bebê dela é ela mesma”, avalia ela, para quem o parto humanizado é capaz de fortalecer o vínculo afetivo da mãe com o bebê, além de melhorar a experiência da maternidade em geral. “Sério, chega de tratar o parto como dor infinita e trauma, porque não era para ser isso”.


UFPR nas Redes Sociais

UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Flickr RSS UFPR UFPR no Youtube UFPR no Instagram
Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299 | CEP 80.060-000 | Centro | Curitiba | PR | Brasil | Fone: +55(41) 3360-5000
UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Youtube
Setor de Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299
CEP 80.060-000 - Centro
Reitoria da UFPR - Curitiba - PR - Brasil
Fone: +55(41) 3360-5000

Imagem logomarca da UFPR

©2019 - Universidade Federal do Paraná

Desenvolvido em Software Livre e hospedado pelo Centro de Computação Eletrônica da UFPR