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Extensão e Cultura

Estudante do polo de treinamento de Matemática alcança segunda maior nota em Olimpíada Brasileira

Aline Fernandes França     13 de agosto de 2018 - 16h47

Apenas 14 anos de idade e um talento fora do comum para a Matemática. Daniel Henrique Barbosa dos Santos é estudante do primeiro ano do ensino médio e, desde os 11, participa de treinamentos e olimpíadas voltadas para sua disciplina preferida, com apoio e orientação da Universidade Federal do Paraná.

No início deste mês, Daniel foi ao Rio de Janeiro receber a medalha de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) 2017. O estudante atingiu 119 dos 120 pontos possíveis, conquistando a segunda colocação do Brasil no nível dois.

A preparação para a competição passou pelo Polo de Treinamento Intensivo, um projeto desenvolvido para alunos do ensino fundamental e médio na UFPR, com o objetivo de treiná-los para eventos nacionais e internacionais de Matemática.

“Entrei no PIC [Programa de Iniciação Científica Jr.] aos 11 anos, por ser medalhista da OBMEP. Sempre gostei de Matemática, mas quando comecei o treinamento no POTI, em 2014, conheci um novo universo”, conta Daniel.

Em 2017, 21 alunos que treinam no POTI foram premiados na Olimpíada Paranaense de Matemática (OPRM), dois na Olimpíada Brasileira de Matemática e sete na OBMEP.

“O Brasil é um grande celeiro de medalhistas. O resultado representa uma somatória de fatores, entre eles, que o treinamento está dando certo”, avalia o chefe do departamento de Matemática da UFPR, José Carlos Eidam.

Os polos foram criados pela Sociedade Brasileira de Matemática em 2010 e são destinados a alunos dos níveis 1 (6º e 7º anos), 2 (8º e 9º anos) e 3 (ensino médio). As aulas são ministradas por docentes da rede municipal, egressos, pós-graduandos e acadêmicos do curso de Matemática da UFPR.

Neste ano, a procura pelo polo cresceu e cerca de 500 alunos se inscreveram. Foram selecionados 120 estudantes, sendo 40 para cada nível. Daniel explica que o Poti ajuda a criar uma base para os estudos. “Treinei bastante em casa, praticamente todos os dias, com as listas de exercícios e banco de questões”.

Atualmente, Daniel também recebe orientação de docentes da UFPR em disciplinas mais avançadas de Matemática. “É uma experiência muito interessante”, diz o estudante.

Estudantes recebem orientação de docentes da UFPR. Foto: Nicolle Schumacher

Idealizador do projeto

A paixão do Engenheiro Marcelo Moreira da Silva pela Matemática o fez buscar formas de auxiliar na preparação de estudantes para competições da disciplina. “Quando minha filha começou a participar da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), em 2013, percebi que faltava um treinamento específico nas escolas. Então começamos um Clube de Matemática no Colégio da Polícia Militar no ano seguinte”, lembra.

Dando aulas voluntariamente no clube, Marcelo conheceu Daniel, atual medalhista da OBMEP. O forte potencial dos estudantes levou Marcelo a apresentar a proposta da criação do polo de treinamento aos professores de Matemática da UFPR.

O projeto começou em 2016 e culminou com a realização da Olimpíada Paranaense de Matemática (OPRM). Atualmente na 3ª edição, a OPRM teve cerca de 12 mil estudantes inscritos de todo o estado em 2018.

“Através destes projetos descobrimos jovens talentos como o Daniel e tivemos um grande número de medalhas na OBMEP e OBM, além das primeiras medalhas em Olimpíadas Internacionais para o estado; fato que há mais de uma década não acontecia”, afirma Marcelo, que cursa o terceiro ano da graduação em Matemática da UFPR. “Trabalho de forma voluntária e com muito prazer para ajudar esses alunos de grande talento a se desenvolverem e, quem sabe, serem de grande influência para o desenvolvimento da Matemática em nosso País”.

Medalhistas da OBMEP 2017, Daniel dos Santos e Otávio Moreira. Foto: Nicolle Schumacher

PIC e PICME

Otávio Dittrich Moreira participa do PIC, o Programa de Iniciação Científica Jr. para alunos premiados na OBMEP, desde 2015. O PIC permite que o estudante amplie o conhecimento científico, com direito a uma bolsa mensal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Aos 15 anos, o estudante trocou o futebol pelos números e passou a se dedicar à Matemática. “Desde pequeno eu gostava, meu pai comprava jogos de Matemática de computador e eu colocava nos níveis mais difíceis. Fui abandonando o futebol e ficando em casa para estudar pela internet; às vezes eu passava o domingo inteiro fazendo exercícios”, conta Otávio.

Neste ano, Otávio ingressou no curso de Bacharelado em Matemática da UFPR e passou a integrar o PICME – uma extensão do programa PIC voltada a estudantes universitários que se destacaram na OBMEP ou OBM, coordenado pelo Impa. As bolsas são destinadas por meio de uma parceria entre o CNPq e a CAPES.

Após cursar a turma Honors do departamento de Matemática no primeiro semestre, o acadêmico faz planos de seguir carreira acadêmica. “A Honors foi uma experiência muito boa. Pretendo concluir o curso o mais rápido possível para iniciar uma pós-graduação”, diz.

“Alunos como eles [Otávio e Daniel] sempre existiram, mas a maneira de detectá-los mudou com as competições OBMEP, OBM e OPRM. O perfil mais interessante é triar esse estudante desde o nível 1, criando um método de estudo diferente da escola. É como um esporte, você pode ter talento nato, mas precisa desenvolvê-lo”, conclui o docente José Carlos Eidam.