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Equipes da UFPR são finalistas de competição internacional de startups

Aline Fernandes França     13 de março de 2019 - 12h22

Duas das cinco equipes finalistas da competição HackBrazil, vinculada à Brazil Conference at Harvard & MIT, são formadas por alunos da Universidade Federal do Paraná. Os grupos disputam a fase final do torneio no mês de abril em Boston, Estados Unidos (EUA). A HackBrazil busca brasileiros que podem fazer a diferença para o País, com a proposta de acelerar startups, montar protótipos e conectar pessoas para que soluções concretas resolvam os problemas.

As equipes classificadas foram aprovadas em duas etapas anteriores – a seleção inicial e a fase de desenvolvimento, em que os projetos com maior potencial foram conectados aos ecossistemas das instituições americanas e receberam mentoria on-line durante três meses. A competição teve cerca de 400 equipes inscritas e apenas cinco disputam as premiações.

Organizada por alunos brasileiros da Universidade de Harvard e do MIT (Instituo de Tecnologia de Massachussetts), a HackBrazil faz parte da Brazil Conference – evento que reúne, anualmente, grandes nomes do País para discutir e apresentar painéis sobre os atuais desafios do Brasil. Neste ano, a conferência acontece entre 05 e 07 de abril.

Os finalistas apresentarão seus projetos para uma banca de jurados no evento. O primeiro lugar receberá uma premiação no valor de R$ 75 mil; e o segundo lugar, R$ 25 mil, para investir no desenvolvimento da ideia.

Equipe Instok está entre as cinco classificadas para a final da HackBrazil. Foto: Marcos Solivan

Instok
A simples negociação de compra de um tênis levou Gabriel de Oliveira, estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, a criar a empresa Instok. Ao lado dos sócios Gustavo Motta, acadêmico de Engenharia Elétrica, e do egresso do curso de Engenharia de Produção, Diogo Miloco; Gabriel desenvolveu a busca de soluções para o excesso de estoque.

“Quando fui comprar o tênis, fiz a oferta para adquirir uma unidade que estava parada em estoque ou da estação passada e fechamos a compra. Saí da loja com o modelo de negócio”, conta Gabriel.

A Instok conecta lojas com excesso de estoque a clientes que procuram compras financeiramente atrativas, promovendo a economia circular e a sustentabilidade. O trio criou a proposta, que viabiliza a compra e venda de produtos parados, voltada inicialmente para o segmento têxtil, e iniciou as atividades com as etapas de pesquisa, validação da ideia e da tecnologia.

“Começamos a visitar lojas de vários shoppings e confirmamos o problema diretamente na fonte, que é o varejista. Conseguimos 50 itens, testamos em plataforma gratuita e deu certo. Começamos então a desenhar uma tecnologia específica”, explica Gabriel.

A solução é dividida em duas partes: os lojistas encontram a gestão de pedidos e produtos no site, enquanto os clientes acessam os dados de estoque e ofertas no aplicativo. A ideia é oferecer produtos baratos, com agilidade e possibilidade de retirada no mesmo dia.

O grupo aponta que há em média dois mil itens parados por loja. A empresa deve começar atendendo poucos varejistas para validar os pontos da tecnologia e, posteriormente, expandir, contemplando até novos segmentos.

Durante os três meses em que a empresa recebeu treinamento de investidores, empresários e alunos ligados às instituições americanas, a equipe da Instok abriu os horizontes para a estratégia de mercado. “Pensávamos em focar nossa empresa em Curitiba, mas os mentores da competição nos explicaram que o negócio deve ser escalável para fora do Brasil. Isso mudou bastante o projeto. O melhor prêmio que ganhamos é participar da HackBrazil e estar lá”, destaca Gustavo Motta.

A empresa Instok será lançada oficialmente para o público após a Brazil Conference.

Foto: Marcos Solivan

Veia empreendedora

Os três sócios respiram empreendedorismo. Com vontade de fazer o negócio dar certo e muita disposição para trabalhar até mesmo durante as madrugadas, Diogo Miloco conta que as experiências anteriores no mercado de trabalho não o motivaram. “Trabalhei em empresas grandes e pequenas e vi que o empreendedorismo é a única opção para mim porque proporciona uma grande liberdade. A melhor sensação é solucionar o problema de forma criativa e ver as pessoas usando algo que criamos”, diz.

O forte perfil empreendedor dos estudantes fez Gabriel buscar novas formas de conhecimento e assumir a presidência da Liga de Empreendedorismo da UFPR. “Ser finalista de uma competição desse nível com pessoas tão boas já é uma vitória intangível, não só para o negócio, mas para nós como empreendedores”, completa.

Equipe NextCam também disputa a competição.

NextCam

A empresa NextCam também está entre os finalistas da HackBrazil. Criada pelos estudantes do curso de Engenharia Elétrica da UFPR, Adriano Peniche dos Santos e Guilherme Vogt e pelo egresso Luis Guilherme de Souza, a startup traz soluções para a construção civil.

A empresa usa a visão computacional para evitar acidentes em obras e para controlar o absenteísmo – considerado um grande desafio para o setor. “Temos como objetivo evoluir como empresa, fomentar o desenvolvimento tecnológico e inovação e no futuro gerar oportunidades, sendo exemplo para alunos da própria universidade”, diz Guilherme.

A equipe desenvolveu uma tecnologia dotada de inteligência artificial, capaz de identificar riscos e realizar ações preventivas em cada etapa da obra a partir de imagens de câmeras instaladas em locais estratégicos dos canteiros de obras. O software detecta situações de risco em tempo real e ainda gera relatórios que podem subsidiar a elaboração de medidas preventivas voltadas para a segurança do trabalho.

Sistema desenvolvido pela NextCam usa a inteligência artificial.

De acordo com Guilherme, o sistema aprende com imagens do ambiente e se aprimora com o tempo. “Quanto mais tempo a câmera observar os mesmos cenários, mais ela aprende e mais preciso são os dados coletados”.

A NextCam surgiu a partir do estágio dos alunos em uma startup na Alemanha. Iniciado em abril de 2018, o projeto foi incentivado pelo professor James Baraniuk e integra a Academic Working Capital (AWC), iniciativa de empreendedorismo universitário do Instituto TIM.

“Estamos ansiosos em ir para Boston e temos a expectativa de fazer a startup crescer com o prêmio da HackBrazil”, conclui o estudante.


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