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Ensino e Educação

Engenheiros da UFPR fazem manutenção e consertos em respiradores hospitalares

Superintendência de Comunicação Social     1 de abril de 2020 - 19h50

Depois de “lave as mãos com água e sabão e use álcool gel”, uma das coisas que mais se ouve falar no contexto de pandemia da Covid-19 (coronavírus) é sobre o colapso no sistema de saúde que pode acontecer caso muitas pessoas adoeçam simultaneamente. “Não haverá leitos com respiradores para todo mundo”, é o que dizem as autoridades da área. Foi pensando nisso que o curso de especialização em Engenharia da Manutenção 4.0 da Universidade Federal do Paraná (UFPR) criou o grupo “Médicos de máquinas”, com o objetivo de, gratuitamente, colocar em funcionamento respiradores hospitalares que não estejam operando.

A ideia surgiu, há menos de 15 dias, entre estudantes e docentes para prevenir eventuais faltas de respiradores durante esse momento crítico. Os engenheiros, que são focados em máquinas da indústria automotiva e petrolífera, resolveram abraçar, mesmo sem experiência, a área hospitalar. Em seguida, a iniciativa ganhou o apoio de especialistas da área da saúde, de engenheiros clínicos do Hospital de Clínicas da UFPR e de engenheiros voluntários.

Como não há financiamento, o grupo se voluntaria para realizar a mão de obra, consertando, instalando e fazendo a manutenção dos respiradores parados. “A intenção é deixar todos os equipamentos funcionando. Em alguns casos são necessárias peça específicas, aí temos que fazer a análise e correr atrás”, comenta a bióloga Paola Montanheiro, uma das voluntárias do grupo.

Fotos: Arquivo pessoal

O professor Alexandre Pescador Sardá, do Departamento de Engenharia Mecânica, explica que os voluntários que vão até os hospitais recebem suporte a distância de especialistas da área de saúde. “Pedimos apoio porque são aparelhos que requerem um alto grau de limpeza e desinfecção”. A supervisão remota acontece em reuniões via aplicativos de mensagem. Dessa forma, vários profissionais conseguem auxiliar os técnicos que estão em campo.

Nesta terça-feira (31), o grupo realizou os primeiros atendimentos no Hospital São Vicente e no Hospital das Nações, em Curitiba, e no Hospital de Caridade Dona Darcy Vargas, no município de Rebouças (Paraná).  Esse último tinha apenas um respirador, o único da cidade, e estava estragado.

“Diminuímos a pressão da rede, o que ocasionava um rompimento da mangueira de ar no ventilador. Trocamos a bateria, que estava desde 2009 sem substituição, e testamos toda a parte eletrônica dos parâmetros. Também realizamos os ajustes de pressão e calibragem”, contam os engenheiros que estiveram em Rebouças. No mesmo dia, o hospital recebeu um equipamento novo, pelo qual o grupo “Médicos de máquinas” foi responsável pela instalação e testes. “Fizemos, ainda, uma demonstração de utilização aos médicos e enfermeiros, sanamos todas as dúvidas e orientamos o pessoal da manutenção local para que mantivessem os níveis de saída de pressão na rede estáveis”.

Foto: Arquivo pessoal

O grupo segue com o levantamento de peças necessárias para alguns consertos e corre atrás para conseguir esses materiais. A UFPR também apoia os deslocamentos e a logística com transporte. Os hospitais que tiverem respiradores estragados ou precisando de manutenção podem solicitar os serviços contatando a Paola pelo telefone (41) 98445-6711 ou pelo e-mail paolamontanheiro@gmail.com.


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