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Egresso do PPGHIS da UFPR recebe prêmio por tese sobre conhecimento geográfico da região da Bacia Platina

Superintendência de Comunicação Social     11 de setembro de 2020 - 17h20

“Estudar história é como olhar os bastidores da sociedade, é entender por que chegamos aqui dessa forma, com esses processos e essas escolhas. Assim, desenvolvemos um senso crítico apurado e uma grande capacidade de analisar a sociedade atual.” (Tiago Bonato – egresso)

Tiago Bonato recebeu o Prêmio ANPHLAC Teses, na categoria História Ameríndia e Colonial. Foto: Arquivo pessoal

A Associação Nacional de Professores e Pesquisadores de História das Américas (ANPHLAC) concedeu o Prêmio ANPHLAC Teses, na categoria de História Ameríndia e Colonial, a Tiago Bonato, egresso da UFPR. O trabalho “Articulando escalas: cartografia e conhecimento geográfico da Bacia Platina (1515-1628)”, orientado pela professora Andréa Doré no Programa de Pós-Graduação em História (PGGHIS), foi realizado entre 2014 e 2018. O pesquisador cursou graduação, mestrado e doutorado na Federal do Paraná.

A forma como ocorreu a exploração e o mapeamento da Bacia Platina no primeiro século e meio de colonização foi o objeto da tese do historiador. Para Tiago, os processos de invasão, exploração e ocupação da região são interessantes por terem relação com uma extensa área de fronteira entre os impérios português e espanhol na América. “Fronteiras muitas vezes pouco definidas em um contexto de bastante incertezas, tanto em relação ao território como em relação à ciência e aos instrumentos de medição astronômica, longitude, falta de uniformidade de medidas. O objetivo era entender como foi o processo, concomitante, de exploração e mapeamento”, explica.

Articular diferentes escalas foi a solução metodológica que o aluno e a orientadora encontraram para desenvolver o estudo. “De um lado, a pequena escala dos planisférios, os mapas-múndi, em que a região aparecia muito esquematicamente. Esses mapas tinham um caráter imperial – ligados a políticas de posse e reivindicação de territórios. Na outra ponta, muitos relatos de expedições no território platino – considerando afluentes do rio Paraná, como Iguaçu, Piquiri, Ivaí, Paranapanema, Tietê”, detalha Tiago.

De acordo com a orientadora da pesquisa, a metodologia desenvolvida pela história da cartografia recente estuda os mapas sem considerar que são um espelho da realidade, mas construções retóricas que apresentam a região mapeada com base em interesses econômicos e políticos. “Às vezes, as intenções do cartógrafo são explícitas. Por exemplo: indicar que a linha de demarcação da fronteira entre as terras de Portugal e Espanha ficavam mais de um lado ou de outro. Outras vezes, as intenções estão escondidas sob uma aparente neutralidade, mas pesquisando em detalhes as crenças, as visões de mundo da sociedade de origem do cartógrafo, o historiador consegue apontar essas intenções e motivações”, pontua Andréa.

Nas palavras do pesquisador, o território imaginado como objeto da pesquisa compõe um grande triângulo entre as vilas de São Paulo de Piratininga, Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires, na atual Argentina. As conclusões do estudo apontam para a relação complexa entre as explorações feitas à pé, pelos rios, guiadas pelos indígenas, e os mapas. “Não há uma relação direta entre expedição e novos mapas, por exemplo, ou entre descobertas geográficas e atualização dos mapas. Tampouco há uma linearidade em direção a uma acurácia geográfica. Ou seja, não é necessariamente verdadeira a premissa de que a medida que se conhece o território os mapas se tornam mais reais”.

Um dos aspectos que indica a relevância da pesquisa é o estudo da região da bacia do rio da Prata no século XVI, período em que o conhecimento europeu sobre essa região é ainda impreciso, com fontes esparsas, segundo a Andréa. Como um diferencial da pesquisa, ela destaca o uso e a análise de mapas manuscritos. “São mapas pouco difundidos e que exigem do historiador um amplo conhecimento do contexto e da linguagem usada na feitura dos mapas para serem interpretados”. 

Desde 2012, quando realizou pós-doutorado na Universidade de Harvard, a docente pesquisa aspectos da construção do conhecimento geográfico sobre a América do Sul que envolvem os interesses ibéricos, principalmente portugueses, em busca do diálogo entre os espaços por onde circularam os portugueses na Ásia e o Brasil.

Entre 2004 e 2007, período em que cursou a graduação, Tiago teve os primeiros contatos com pesquisas por meio de bolsas de Iniciação Científica, voluntárias e remuneradas. Por uma dessas pesquisas, quando estava na quarto ano de graduação, recebeu o 5º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica – Edição 2007, promovido pelo CNPq. Parte da premiação foi uma bolsa de mestrado CNPq, que utilizou no PGGHIS da UFPR, entre março de 2008 e março de 2010.

Na graduação e no mestrado, o egresso pesquisou temas relacionados ao império português e ao contexto do Iluminismo europeu do século XVIII. No doutorado, voltou a atenção para os processos de exploração e ocupação do início do período chamado colonial, nos séculos XVI e XVII. Desde meados de 2019, é professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Na instituição, leciona disciplinas relacionadas ao mundo colonial americano e do eixo de Fundamentos de América Latina.

“Ser reconhecido por fazer ciência, ainda mais em um momento como esse, é um alento. Além da pandemia, no Brasil vivemos um contexto bastante delicado em relação a políticas públicas de valorização de educação e ciência, com sucessivos cortes em verbas de pesquisa, e de um crescente negacionismo e obscurantismo em relação ao conhecimento científico”, finaliza o historiador formado pela UFPR.

Tiago foi agraciado na primeira edição do prêmio. A cerimônia estava prevista para ocorrer presencialmente durante o XIV Encontro Internacional da ANPHLAC, que seria realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Devido à pandemia de covid-19, o evento ocorreu de forma virtual entre os dias 28 e 31 de julho.


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