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Ensino e Educação

De olho na internacionalização, cresce a oferta de disciplinas em inglês na UFPR

Superintendência de Comunicação Social     26 de setembro de 2018 - 9h26

Dez anos atrás, um estudante que chegasse na UFPR interessado em cursar disciplinas ministradas em inglês ficaria frustrado. Se havia alguma, era uma iniciativa absolutamente isolada. Nos últimos anos, a oferta cresceu lentamente. Mas, agora, impulsionado pela necessidade de internacionalização, esse processo que nasceu tímido e disperso começa a ganhar contornos institucionais, com forte apoio da Reitoria, e a se disseminar pelos setores da universidade.

O ponto de inflexão nessa curva envolve o trabalho de muitas pessoas e está relacionado particularmente a duas siglas: Capa e Print. O primeiro é o Centro de Assessoria de Publicação Acadêmica, unidade que, além de oferecer apoio e capacitação para professores interessados em lecionar em inglês, vem se dedicando a aglutinar os esforços dos vários programas voltados para a língua inglesa existentes na UFPR.

Print é a sigla para Programa Institucional da Internacionalização, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que selecionou instituições para receber, nos próximos quatro anos, recursos financeiros para ampliar a internacionalização. O Print recebeu 108 inscrições, e a inclusão da UFPR entre as 25 aprovadas deverá ser o empurrão que faltava para avançar na incorporação da língua inglesa à cultura acadêmica da universidade.

Da esq. para a dir.: Ane Cibele Palma, coordenador do , do  MEC; Eduardo Diniz de Figueiredo, coordenador do English Teaching Assistants (Fullbright); Fernanda Silva Veloso, vice-coordenadora do Idioma para Fins Acadêmicos; e Ron Martinez, do Capa. Foto: Acervo Pessoal

“A oferta de disciplinas em inglês e a capacitação do corpo docente para isso estão entre os objetivos de quase todos os projetos apresentados pela UFPR ao Capes Print”, afirma o diretor do Capa, professor Ron Martinez, que também atua como assessor de Políticas Pedagógicas de Internacionalização na universidade.

Uma das primeiras providências tomadas por Martinez após o anúncio dos selecionados para o Print, ocorrido em agosto, foi organizar uma reunião entre os coordenadores dos programas de apoio linguístico já existentes na UFPR: Inglês Sem Fronteiras (financiado pelo Ministério da Educação e coordenado pela professora Ana Cibele Palma); Idioma para Fins Acadêmicos (Setor de Educação/Celin, coordenado por Fernanda Silva Veloso); Idiomas sem Fronteiras (Celin, coordenado por Luiz Gardenal) e Fullbright English Teaching Assistants(que utiliza recursos repassados pelo governo americano ao governo brasileiro e é coordenado por Eduardo Diniz de Figueiredo), além da disciplina English as a Medium of Instruction (EMI), ministrada pelo próprio Martinez.

“A ideia é aproveitar os programas que já temos, fazendo com que trabalhem em conjunto e ordenadamente em apoio ao Print”, afirma o diretor do Capa. Segundo ele, entre as medidas já acertadas está a oferta de duas novas disciplinas no âmbito do Inglês sem Fronteiras, com o objetivo de reforçar o domínio da língua: uma para estudantes, com conteúdo direcionado para EMI (sigla em inglês para Inglês como Meio de Instrução) e outra de preparação linguística para professores que ainda não se sentem aptos a dar aulas em inglês.

Já os bolsistas dos programas Fullbright e Idioma para Fins Acadêmicos vão se dedicar a apoiar professores que lecionam em inglês, assim como alunos que frequentam as disciplinas. “Eles vão combinar o trabalho com cada professor, de acordo com a necessidade. Podem, por exemplo, acompanhar aulas e dar feedback sobre a pronúncia. Ou dar apoio linguístico a alunos com mais dificuldade”, diz Martinez.

O Capa, por sua vez, pode ajudar um professor na preparação de uma apresentação em inglês para as aulas, por exemplo. Ou dar apoio a um aluno na correção de conteúdos e preparação para avaliações.
Paralelamente, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação oferta as chamadas disciplinas transversais, que atendem interesses e necessidades comuns a vários programas de pós-graduação. Uma das mais procuradas é a disciplina de Escrita Acadêmica em Inglês.

Aulas em inglês

A UFPR não tem um levantamento do número de disciplinas em inglês já ofertadas na instituição. O certo é que o número vem crescendo graças ao apoio oferecido pela universidade aos professores interessados na prática. Um exemplo: a professora Chirlei Glienke, do Departamento de Genética e dos programas de pós-graduação em Genética e em Microbiologia, ofertou pela primeira vez este ano aos alunos da pós-graduação a disciplina “Genetics of plant-pathogen interaction”. A matéria, optativa, atraiu 11 alunos neste semestre.

“Eu sempre tive vontade de dar aulas em inglês na UFPR, mas tomei a decisão depois de fazer a disciplina EMI”, conta Chirlei Glienke. De acordo com a professora, o nível de domínio da língua inglesa entre os alunos é desigual, mas ela acredita que a experiência é válida para todos: “É importante para preparar melhor os nossos alunos, de maneira que não fiquem perdidos quando forem ao exterior. E também para estarmos preparados quando recebermos alunos de fora”.

Além dessa, o Programa de Pós-Graduação em Genética oferta desde 2017 outra disciplina em língua inglesa, sobre Seminários – esta obrigatória.

De acordo com Ron Martinez, assim como Chirlei Glienke, cerca de 80 professores da UFPR já passaram pelo curso de EMI e vários deles abriram disciplinas em inglês depois disso. Desse grupo faz parte Fabiano Montiani Ferreira, professor do Departamento de Medicina Veterinária e do Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV). Ele fez o curso em julho e no segundo semestre começou a ministrar em inglês a disciplina optativa “Nature and Practice of Science – Fundamentals of Biostatistics”.

“A qualidade das aulas e o entusiasmo do professor Ron Martinez serviram de inspiração para eu decidir ministrar a minha disciplina em inglês”, conta Ferreira. Segundo ele, também foi fundamental o apoio de três assistentes que atuam no Capa – Daniel Magerman, Daniel Persia e Alby Recierdo: “Eles participaram das aulas, auxiliaram os alunos em classe e na preparação das suas apresentações em inglês para a disciplina”.

Para o professor Fabiano Ferreira, esse é um caminho sem volta. “O inglês, de modo geral, tornou-se a língua franca da ciência. O PPGCV aceita teses e dissertações apresentadas e escritas nesta língua desde 2014. Um dos reflexos imediatos foi a elevação da nossa nota, de 4 para 5, na avaliação da Capes”, afirma Ferreira, que coordenou o programa entre 2014 e 2017.

Para os alunos, diz, o ganho é duplo: “Eles ganham experiência em empregar o inglês na sua atividade científica e a maioria perde a inibição de se comunicar nesta língua. Adicionalmente, o emprego de uma língua estrangeira faz com que o aluno comece a pensar de maneira diferente. Junto com a língua vem uma cultura”.
Além de Ferreira, cinco outros professores do PPGCV começarão a ministrar disciplinas em inglês. Três deles já participaram do curso EMI. E um dará uma disciplina 50% em inglês e 50% em espanhol, ainda este ano.

Alunos ganham confiança

Para o professor João Carlos Bespalhok Filho, do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal, a experiência com aulas em inglês é mais antiga. Desde 2016 ele oferece a optativa Basic Concepts in Rural Science, em parceria com o professor Paulo de Tarso de Lara. Ainda no Setor de Agrárias, o professor Luiz Lucchesi ministra a disciplina Aspects of the Paraná Agriculture, e está em tramitação a aprovação de uma terceira disciplina em inglês, para o curso de Agronomia: Advanced Topics In Biotechnology And Plant Breeding.

Bespalhok já havia aprovado sua disciplina em inglês quando fez o curso de EMI com uma equipe de Oxford que veio à UFPR, antes de a própria universidade ofertar o curso. “Desde 2016 tivemos quatro turmas, com média de 15 alunos por turma. É uma demanda maior do que esperávamos”, conta.

Segundo ele, entre os alunos há alguns que já passaram por programas de mobilidade acadêmica no exterior – especialmente o Ciência sem Fronteiras –, outros que estão se preparando para passar um tempo fora e ainda aqueles que ainda não têm planos, mas querem melhorar o desempenho em inglês.

“Os alunos ganham confiança para se comunicar. Para nós, professores, é recompensador quando eles pedem mais disciplinas na língua inglesa”, afirma Bespalhok. “Se a UFPR quer se internacionalizar, tem que ofertar mais disciplinas optativas, e também obrigatórias, em inglês.”

Outras iniciativas

Nos próximos meses, novas iniciativas deverão contribuir para reforçar o apoio a professores interessados em lecionar na língua inglesa na UFPR e para fortalecer o processo de internacionalização da universidade. Uma delas é a oferta do curso “English as a Medium of Instruction (EMI)” na modalidade híbrida, com a maior parte das aulas a distância. A previsão é que a primeira turma comece em fevereiro de 2019.

Outro projeto, já em andamento – numa parceria entre o Capa e a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação –, é a tradução para o inglês e o espanhol dos sites de todos os programas de pós-graduação da UFPR.

Também está em discussão uma parceria com duas universidades britânicas (Oxford e Cambridge) para a realização de uma pesquisa sobre o nível linguístico adequado para ministrar disciplinas em inglês.

A UFPR também vai sediar eventos sobre temas relacionados à internacionalização. No dia 7 de dezembro acontece um seminário com docentes da região Sul interessados em lecionar em inglês. Em 2021, a universidade receberá a quinta edição do Priseal (Publishing and Presenting Research Internationally: Issues for Speakers of English as an Additional Language), o maior congresso internacional sobre publicação científica, que acontece a cada três anos e este ano foi na Islândia.

“Tudo isso faz parte de um grande esforço da UFPR na direção da internacionalização, que é um caminho inescapável para qualquer instituição de ensino e pesquisa que queira aumentar sua relevância. Nós queremos que os nossos professores saibam que terão apoio da instituição para avançar nessa área”, afirma o reitor Ricardo Marcelo Fonseca.

Por Lorena Aubrift Klenk