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Coronavírus: UFPR informa comunidade e alerta para prevenção

Superintendência de Comunicação Social     4 de março de 2020 - 17h29

O que precisamos saber sobre o novo coronavírus? O Ministério da Saúde anunciou, no dia 26 de fevereiro, o primeiro caso de um brasileiro infectado. A doença, chamada de Covid-19 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), já foi confirmada em mais de 90 mil pessoas – a maioria na China -, com 2.946 mortes registradas até o dia 4 de março. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Paraná atualizados na última terça-feira (3), há 14 casos suspeitos monitorados no estado.

Para compreender o mecanismo de infecção do vírus, a equipe da Assessoria a Projetos Educacionais e Comunicação (Aspec) do Setor de Ciências Biológicas da UFPR conversou com a professora Lucy Ono, do Departamento de Patologia Básica. Confira também, ao final da matéria, o vídeo com a entrevista que a chefe da Unidade de Infectologia do Hospital de Clínicas (HC), Sônia Raboni, concedeu à TV UFPR.

O que é o coronavírus? 

A maioria dos vírus já identificados são microrganismos muito simples e pequenos, que apresentam como material genético o ácido ribonucléico (RNA) e uma cápsula proteica que o envolve. Acima dessa cápsula, há um envelope com proteínas ancoradas, como é o caso dos coronavírus. 

Entre as características que diferenciam o coronavírus de outros vírus, como os da dengue ou da gripe, estão os genes que ele apresenta. “Embora possam produzir quadros gripais que se assemelham, esses vírus não pertencem a mesma família viral”, esclarece Lucy. 

A família dos coronavírus já é conhecida pelos cientistas desde a década de 60. Até o ano passado, foram identificadas seis espécies diferentes que infectam humanos. Seu integrante mais conhecido é o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que teve epidemia, também iniciada na China, em 2002. 

Como o vírus infecta o ser humano? 

De acordo com estudos em andamento, a infecção se inicia pelo contato humano com o vírus. Para se adaptar ao organismo humano, o vírus pode sofrer mutações. Quando isso acontece, a transmissão entre humanos pode ou não ser facilitada, mas, de acordo com a professora Lucy, não é algo intencional. “Às vezes, temos a impressão de que o desejo do microrganismo é matar o hospedeiro, mas não é verdade. Essas mutações acontecem durante a evolução. Aquilo que é vantajoso para ele acaba sendo selecionado”.

Exemplo de infecção de células por vírus: cultura de células não infectada (à esquerda) e com infecção pelo vírus HSV1, apresentando alteração morfológica característica e corada com cristal violeta. Fonte: Arquivo do Laboratório de Microbiologia Yasuyoshi Hayashi da UFPR

Infecção é diferente de sintoma 

A docente explica que os vírus podem infectar células humanas sem que haja algum quadro clínico evidente. A pessoa pode carregar o coronavírus sem sintomas (no chamado período de incubação) e o transmitir, como já relatado em caso estudado na Alemanha. Com base em dados divulgados em relatório da OMS do dia 4 de março, a taxa de letalidade – proporção entre número de mortes e casos confirmados – é de 3,4%, calcula a pesquisadora. “Não se tem observado até o momento que o novo coronavírus seja altamente virulento, ou seja, sua infecção implica em uma probabilidade de morte pequena para cada indivíduo”. 

Dados exatos só serão possíveis ao final da epidemia, pois os vírus de infecção respiratória são facilmente confundidos até que se tenha o diagnóstico laboratorial correto. Há também a possibilidade de casos assintomáticos ou com sintomas brandos não estarem sendo detectados e contabilizados. “É impossível conseguir realizar no laboratório, em tempo real, os exames diagnósticos de todos os pacientes suspeitos quando há um número excessivo de casos, como ocorre hoje na China”, afirma a docente. 

Coleta de amostras para realização de exames de identificação do novo coronavírus no grupo de brasileiros que estiveram em quarentena, na base aérea de Anápolis, Goiás. Foto: Warley de Andrade/TV Brasil

Desenvolvimento de drogas e vacinas 

O estudo do coronavírus – e da virologia, em geral – também visa à identificação de substâncias que possam impedir a transmissão, assim como a produção de vacinas. Para isso, logo no início da epidemia, pesquisadores chineses liberaram para acesso público a sequência genética do vírus. A partir disso, são realizados testes com substâncias que podem ter ação antiviral, e que podem dar origem a um medicamento comercialmente disponível. “Isso acelera o processo de desenvolvimento de drogas porque com o acesso ao genoma viral os cientistas não precisam mais cultivar o vírus em laboratório, eles podem simplesmente pegar a informação genética, clonar em uma outra célula e fazer com que ela produza um alvo de ação para avaliar uma droga antiviral”, pontua Lucy.

O desenvolvimento de drogas e vacinas pode ser rápido, mas os testes em humanos não podem ser acelerados. “Os protocolos devem garantir a segurança e eficácia em várias etapas até finalmente serem comercializadas. Pode levar muitos meses ainda”. 

Prevenção 

A pesquisadora enfatiza que a notificação da Covid-19 no Brasil não deve gerar pânico. “Muitas vezes, o desespero acontece pela falta de esclarecimento, e traz prejuízo para o coletivo. Quando há uma busca desenfreada pelo sistema de saúde, pela compra de máscaras cirúrgicas ou outras ações motivadas pelo desconhecimento e que acabam sobrecarregando o sistema, as pessoas que realmente precisam acabam não conseguindo acesso”. 

Seguir as orientações da OMS é a indicação da professora. “Devemos usar as mesmas estratégias que foram usadas para gripe H1N1, por exemplo. Ao lavar as mãos com frequência, evitar que este e outros vírus sejam trazidos para as nossas vias respiratórias pela boca ou nariz ou mucosa dos olhos. Devemos evitar tocar olhos e nariz e utilizar álcool 70%, pois esse é um antisséptico que dissolve a estrutura superficial do vírus e faz com que ele não se torne infeccioso”.

Assista à entrevista com a professora da UFPR e infectologista do HC, Sônia Raboni, doutora em Biologia Celular e Molecular, autora de um dos trabalhos mais recentes sobre outros tipos de coronavírus que já circulavam pelo Brasil:

Mais informações no site do Ministério da Saúde e no portal da Secretaria da Saúde do Paraná.


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