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Comissão da UFPR divulga nota técnica sobre evolução da Covid-19 no Paraná

Superintendência de Comunicação Social     28 de abril de 2020 - 12h30

A Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus na UFPR realizou um estudo da evolução da Covid-19 na cidade de Curitiba e no estado do Paraná. O estudo levou em conta orientações e informes epidemiológicos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA/PR), além da avaliação da curva de crescimento do número de mortes em Curitiba e no Paraná em relação às cidades de Madri (Espanha), Nova Iorque (Estados Unidos) e São Paulo (SP).

Confira a nota técnica.

Nota da Comissão de acompanhamento e controle de propagação do novo Coronavírus na UFPR sobre flexibilização de algumas medidas de distanciamento social na UFPR.

Levando-se em conta os dados, as análises e as recomendações oficiais realizadas até a data de 21/04/2020:

a) Pelo Ministério da Saúde em seu Boletim Epidemiológico 07 – ESPECIAL: DOENÇA PELO CORONAVÍRUS 2019, de 06 de abril de 2020, que indica a possibilidade de flexibilização de parte das medidas de distanciamento social, quando a ocupação dos leitos hospitalares pela COVID-19 for menor que 50% (não tendo impactado ainda de forma severa o sistema de saúde) no Estado;

b) Pela Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA/PR) em seu informe epidemiológico COVID-19, de 18 de abril de 2020, que esclarece que nessa data o Paraná teria 526 leitos SUS de UTI adulto exclusivos para atender a COVID-19, e que a taxa de ocupação desses leitos era de 23% (portanto abaixo dos 50% indicados pelo Ministério da Saúde);

c) Pelo Ministério da Saúde em seu Boletim Epidemiológico 13 – COE COVID-19, de 20 de abril de 2020, que indicou nessa data um coeficiente de incidência de 88 casos por 1 milhão de habitantes no Estado do Paraná, um valor avaliado como “baixo” em relação à média nacional, tendo sido o Estado do Paraná classificado como em situação de alerta para a incidência da COVID-19 (mas não em situação de “emergência” ou de maior “atenção”); também indicou que nessa data, o coeficiente de mortalidade no Paraná era de 4 mortes para cada 1 milhão de habitantes, igualmente abaixo da média nacional;

d) Pela Comissão de acompanhamento e controle de propagação do novo Coronavírus na UFPR, que avaliou a curva de crescimento do número de mortes na cidade de Curitiba e no Estado do Paraná, em relação às cidades de Madri (Espanha), Nova Iorque (Estados Unidos) e São Paulo Capital, concluindo que o crescimento de número de casos e de mortes por COVID-19 em Curitiba até o momento se manteve sem aceleração descontrolada, com aparente tendência de redução nos últimos 7 dias, sugerindo que portanto as medidas de distanciamento social adotadas precocemente na cidade de Curitiba e no Estado do Paraná promoveram o achatamento esperado da curva de crescimento de novos casos e de óbitos pela COVID-19 até a data de 20/04/2020. Salienta-se que novas avaliações deverão ser feitas semanalmente, a partir da abertura do comércio de forma ainda restrita na cidade de Curitiba, em 16/04/2020.

Figura 1 – Curva de crescimento de mortes padronizada para cada 100.000 habitantes de diferentes cidades e Estado do Paraná até o 22º dia após o registro da 1ª morte. *

e) Pela avaliação do Ministério da Saúde indicando que mesmo em regiões de baixa transmissão, onde o Estado do Paraná está classificado, o cenário de maior risco ainda continua por semanas ou meses à frente e que resposta de enfrentamento está diretamente relacionada à capacidade do sistema de saúde em conseguir absorver/atender os casos leves e graves;

f) Pelas recomendações do Ministério da Saúde de que ainda ocorra no momento atual: envolvimento de toda sociedade em medidas de higiene para redução de transmissibilidade (lavagem das mãos, limpeza de superfícies); uso de máscaras caseiras; suspensão de aulas em escolas e universidades, com reavaliação mensal; distanciamento social amplo para pessoas acima de 60 anos, com reavaliação mensal; distanciamento social amplo para pessoas abaixo de 60 anos com doenças crônicas, com reavaliação mensal; distanciamento social no ambiente de trabalho – distância mínima de 1,5 entre as pessoas, reuniões virtuais, trabalho remoto, ajuste de horário de trabalho para diminuir densidade de equipe no espaço físico, com reavaliação mensal; isolamento domiciliar de pessoas mesmo com sintomas gripais leves; proibição de qualquer evento de aglomeração (shows, cultos, futebol, cinema, teatro, casa noturna etc.), com reavaliação mensal; diminuição da capacidade instalada de bares, restaurantes e afins, com reavaliação mensal;

g) Por Kissler e colaboradores em estudo publicado na revista Science (14 de abril de 2020[1]) indicando que estratégias de distanciamento social intermitentes podem ser necessárias para não colapsar o sistema de saúde enquanto vacinas para a Covid-19 não estiverem disponíveis.

A Comissão faz novas recomendações:

  1. Dadas as evidências de circulação do vírus SARS-CoV-2 em Curitiba e no Paraná recomendamos que as atividades didáticas presenciais não devam ser retomadas em 02 de maio de 2020. Esta recomendação de manutenção da suspensão das atividades didáticas será reavaliada pela Comissão na segunda quinzena de maio;
  2. Devido à possibilidade de manutenção da suspensão das atividades didáticas presenciais por período prolongado ou mesmo da necessidade de alternância entre períodos de maior ou menor distanciamento social em função da circulação de intensidades variáveis do novo Coronavírus ao longo dos meses subsequentes, recomenda-se considerar a retomada de alguma forma de atividade acadêmica de forma remota, quando viável e possível, a fim de haver menor prejuízo possível ao calendário acadêmico, tendo como contrapartida o suporte necessário aos docentes e a todos os estudantes para a realização das atividades remotas.
  3. Os servidores e estudantes que pertençam a grupos vulneráveis ao desenvolvimento de forma mais grave da COVID-19 (A LISTA DOS GRUPOS VULNERÁVEIS FOI REVISTA ABAIXO) deverão executar suas atividades remotamente, nos seguintes casos:I. Idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos;
    II. Diabetes insulinodependente;
    III. Insuficiência renal crônica grau 3 ou 4;
    IV. Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfisema pulmonar, asma moderada ou grave, tuberculose ativa ou sequela pulmonar decorrente de tuberculose;
    V. Doenças cardíacas graves, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial sistêmica severa;
    VI. Imunodeprimidos, salvo aqueles acometidos com doenças autoimunes sem uso de imunossupressores;
    VII. Obesidade mórbida com IMC igual ou superior a 40;
    VIII. Cirrose ou insuficiência hepática;
    IX. Gestantes ou lactantes de crianças com até 1 (um) ano de idade;
    X. Responsáveis pelo cuidado ou que coabitam com uma ou mais pessoas com confirmação de diagnóstico de infecção por COVID-19.
  4. Os trabalhos administrativos e de pesquisa e extensão na forma presencial podem gradativamente ser retomados nesse momento desde que se adequem às seguintes condições:
    I. As unidades, incluindo as direções setoriais, devem disponibiliza sabonete líquido e papel toalha, além de álcool 70% em todos os banheiros, bem como álcool gel 70% NOS AMBIENTES DE USO COMUM, DE MODO A PERMITIR O FÁCIL ACESSO AO agentes para higienização das mãos;
    II. Afixar cartazes de destaque com orientações de prevenção nos ambientes da UFPR, em concordância com as orientações do Ministério da Saúde;
    III. Os servidores ou os estudantes não devem pertencer a grupos de risco descritos no item 3, nem coabitar com pessoas suspeitas de infecção por COVID-19;
    IV. Uso de máscaras caseiras nas dependências da UFPR, de forma correta, conforme descritas a seguir:

* Antes de colocar a máscara, lave suas mãos com água e sabão;

* Cubra a boca e o nariz com a máscara, verificando se não há espaços soltos entre a máscara e sua face;

* Evite tocar na máscara enquanto estiver fazendo uso dela e se tocá-la, lave suas mãos com água e sabão;

* Substitua sua máscara assim que perceber que ela ficou úmida; sendo uma máscara caseira de tecido, recomendamos que se lave com água e sabão e seja bem seca antes de reutilizar;

* Para retirá-la, não toque na parte da frente da máscara, remova segurando pelo elástico ou pela fita que a amarra, e se não puder lavar imediatamente, coloque em saco plástico separado até o momento em que for lavar (o mais breve possível);

* Assim que retirar a máscara, lave suas mãos com água e sabão;

* Deve-se levar máscaras reservas de tecido, caso o tempo de permanência para atividades essenciais no prédio seja maior que 2 horas.

V. Assim que chegar ao local de trabalho, abrir janelas e portas para ter ventilação/circulação de ar adequada do ambiente;

VI. Se a atividade exigir o uso de máscara cirúrgica, esta deve ser colocada e removida seguindo as orientações anteriores

VII. Desinfetar as superfícies mais frequentemente tocadas com solução de álcool 70% e papel toalha (ou similar);

VIII. Ao realizar as atividades, procurar manter distância entre pessoas de cerca de 1,5 metro, bem como trocar a máscara e descartar adequadamente, caso ela fique úmida;
IX. Não compartilhar objetos com os colegas;
X.Não permitir aglomerações de pessoas caso a atividade seja realizada dentro de uma sala, mantendo distância média de 1,5 metros entre pessoas;
XI. Ao terminar a atividade, desinfetar as superfícies mais tocadas com álcool 70%; lavar as mãos antes de sair.

A Comissão também decide manter as seguintes recomendações anteriores:

  1. 5) VIAGENS não essenciais da comunidade universitária da UFPR (inclusive acadêmicas) DEVEM SER canceladas;
  2. 6) É OBRIGATÓRIO o isolamento domiciliar produtivo a servidores e discentes que tenham RETORNADO DE VIAGEM ou que tenham entrado em contato próximo com casos confirmados, prováveis ou suspeitos, mesmo que assintomáticos, por um período não menor do que 07 dias, procurando manter o mínimo contato possível com pessoas vulneráveis às formas mais graves da COVID-19;
  3. 7) Em caso de dúvidas e aparecimentos de sintomas relacionados à COVID-19, podem-se utilizar os telefones de contato Disque Saúde 136, além do aplicativo Coronavírus – SUS do Ministério da Saúde (disponível nas lojas oficiais para celulares Android e iOS) para a obtenção de orientações;
  4. 8) OS SERVIDORES E ESTUDANTES PERTENCENTES aos grupos vulneráveis ao desenvolvimento de forma mais grave da COVID-19 (os mesmos citados acima) e gestantes e lactantes, DEVEM FICAR EM ISOLAMENTO DOMICILIAR, E SE POSSÍVEL exercendo atividades remotas;
  5. 9) SERVIDORES QUE APRESENTEM SINTOMAS COMPATÍVEIS COM QUADRO GRIPAL, AINDA QUE NÃO DIAGNOSTICADOS COM EXAMES CLÍNICOS E LABORATORIAIS, DEVEM PERMANECER EM ISOLAMENTO DOMICILIAR, SE POSSÍVEL, PRODUTIVO POR 14 DIAS;
  6. 10) É OBRIGATÓRIA a suspensão de eventos comemorativos, científicos, artísticos e culturais, aulas inaugurais, cerimônias de entrega de títulos honoríficos e posses com o intuito de evitar aglomerações de pessoas nessas atividades extracurriculares;
  7. 11) Reuniões entre servidores devem ser realizadas preferencialmente de forma virtual (videoconferência);
  8. 12) FICAM ESTRITAMENTE PROIBIDAS REUNIÕES PRESENCIAIS ENTRE SERVIDORES COM MAIS DE 10 PARTICIPANTES.
  9. 13) AS RECOMENDAÇÕES DE DISTANCIAMENTO SOCIAL E HIGIENE DAS MÃOS, BEM COMO DE ETIQUETA RESPIRATÓRIA PERMANECEM ( https://coronavirus.saude.gov.br/)

Referências:

https://www.saude.gov.br/boletins-epidemiologicos

https://science.sciencemag.org/content/early/2020/04/14/science.abb5793

[1] Disponível em: https://science.sciencemag.org/content/early/2020/04/14/science.abb5793

*Dados obtidos de informativos e boletins da SESA/PR (Curitiba e Paraná) http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=3507, SESA/SP (cidade de São Paulo) http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/coronavirus-covid-19/situacao-epidemiologica, www.bing.com/coronavirus (Madri) e https://github.com/nychealth/coronavirus-data/blob/master/case-hosp-death.csv (cidade de Nova Iorque).


A pedido da Comissão, o gráfico houve uma substituição no gráfico 1, realizada no dia 4/05, por conta da identificação de um erro de digitação. A imagem foi atualizada.


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