Universidade Federal do Paraná

Menu

Extensão e Cultura

Coletividade e reflexões internas: professores de Psicologia e História da UFPR apontam o que pandemia tem a ensinar

Superintendência de Comunicação Social     10 de julho de 2020 - 15h59

Estar em quarentena é um desafio constante. O tédio, o medo e a solidão ativam novos comportamentos e preocupações. Professoras de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) reconhecem que a atual situação é suscetível ao surgimento de novas reflexões internas, mas enfatizam que a responsabilidade com o coletivo deve ser uma prioridade. “Estamos aprendendo a lidar com frustrações e a não fazer somente aquilo que temos vontade, mas aquilo que é importante que seja feito”, diz a professora Lis Soboll, do Departamento de Psicologia da UFPR.

Para professoras de Psicologia, pandemia é suscetível a novas reflexões internas, mas responsabilidade com o coletivo deve ser prioridade. Ilustração: Amanda Gomes/Agência Escola UFPR

O sentimento de insegurança é inevitável. As atualizações diárias do número de infectados, mortos e recuperados e as incertezas sobre a economia do País trazem consequências diretas à saúde mental da população. Para Maria Virgínia Cremasco, professora e pesquisadora do Departamento de Psicologia da UFPR, esse momento é um convite para a autorreflexão. “Com toda dor que a pandemia nos traz, ainda assim é uma oportunidade. Cabe a cada um acolher e aproveitar da melhor maneira possível para que a nossa existência tenha mais sentido”, explica.

A pandemia também tem implicações na preocupação com o coletivo. Seja no núcleo familiar ou com os profissionais que estão na linha de frente no combate ao vírus, a cooperação é dever de todos. “Estamos pensando naquele que não sabemos que cara ou que nome tem, mas é ele quem estamos preservando quando respeitamos os limites”, conta Lis.

Não há dúvida de que esse é um momento para autocrítica e reavaliação. Segundo a professora Maria Virgínia, esse vírus veio para nos mostrar como vivemos nas nossas casas, com a nossa família e qual a qualidade desses laços. “Agora, as pessoas vão se conectar mais umas às outras, apesar de estarem menos fisicamente juntas”, conta.

A professora ainda reitera que essa pandemia tem muito a nos ensinar sobre como podemos estar juntos de forma mais significativa. “Anteriormente, estávamos voltados à lógica da produção, agora precisamos construir uma lógica do que eu posso ser, falar, expressar, acolher e ser acolhido”, enfatiza.

A mudança em gestação

A contaminação em massa da Covid-19 desacelerou a sociedade como não se via há mais de um século. Escolas e universidades pararam e o trabalho virou remoto. O coronavírus tomou conta do mundo em um estalar de dedos e paralisou uma sociedade onde o ócio não é socialmente permitido. Para o filósofo italiano Giorgio Agamben, o único ponto positivo da situação atual é a possibilidade de as pessoas se questionarem sobre o modo que vivem. “Quando a peste terminar, não penso que – pelo menos para aqueles que mantiveram o mínimo de lucidez – seja possível voltar a viver como antes”, enfatiza o filósofo.

Clóvis Gruner, professor de História da UFPR, comenta sobre a fala do intelectual e acredita que precisaremos, sim, mudar nossa concepção de “normalidade” após a pandemia. “Não é possível seguir sendo o que éramos depois de termos nossas existências tocadas pela tragédia. Não sei se sairemos dessa melhores ou piores, mas é certo que não sairemos os mesmos”.

Em entrevista à CNN, o historiador brasileiro Leandro Karnal confirma que a humanidade enfrenta uma metamorfose. Processos que vinham sendo desenvolvidos, em tempos de crise, tendem a acelerar. Reuniões de trabalho pela internet, por exemplo, se tornarão regra após o fim da pandemia. O professor de História da UFPR vai além e ainda acrescenta a provocação: “Esses processos estão sendo acelerados a serviço de quem? O isolamento social está nos ensinando que podemos depender menos de espaços públicos, com impactos positivos ao meio ambiente, por exemplo. Mas até onde o uso do espaço doméstico não significa estarmos produzindo uma rotina em que o cotidiano e a vida profissional perigosamente se confundem, com jornadas de 24 horas, sete dias por semana?”.

Historicamente, diferentes civilizações reagiram de variadas maneiras perante momentos de crise. Após a 1ª Guerra Mundial, por exemplo, os países europeus mergulharam nos “anos loucos”. A década de 1920 foi marcada por experimentações estéticas, políticas e comportamentais extremas. Já ao longo do século 20, algumas sociedades se fecharam completamente.

Para Clóvis Gruner, existem duas constantes nessas reações. “Primeiro, a presença da violência, como a eleição de um inimigo a ser combatido, ou a afirmação de um presente atravessado pela urgência, algo muito presente nos ‘anos loucos’. Segundo, é que a memória desses momentos de crise irá marcar as experiências, escolhas e condutas por muitos anos ainda. É o que acontece com grupos que viveram situações limites como o holocausto, no caso dos judeus”, explica o professor.

Ouça abaixo um episódio do podcast Fala, Cientista!, da Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR, sobre como manter a saúde mental em tempos de pandemia:

Saiba tudo sobre as ações da UFPR relacionadas ao novo coronavírus

Por Luísa Mainardes
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR


UFPR nas Redes Sociais

UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Flickr RSS UFPR UFPR no Youtube UFPR no Instagram
Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299 | CEP 80.060-000 | Centro | Curitiba | PR | Brasil | Fone: +55(41) 3360-5000
UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Youtube
Setor de Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299
CEP 80.060-000 - Centro
Reitoria da UFPR - Curitiba - PR - Brasil
Fone: +55(41) 3360-5000

Imagem logomarca da UFPR

©2020 - Universidade Federal do Paraná

Desenvolvido em Software Livre e hospedado pela AGTIC - Agência de Tecnologia da Informação e Comunicação da UFPR