Universidade Federal do Paraná

Menu

Ciência e Tecnologia

Cientistas explicam cuidados em sala de aula e impactos pedagógicos da pandemia em respostas para sociedade

Superintendência de Comunicação Social     26 de março de 2021 - 20h05

A volta às aulas presenciais em escolas é tema desta edição do “Pergunte aos Cientistas”, que também esclarece outras dúvidas sobre a Covid-19

Dúvidas da sociedade sobre a retomada das aulas presenciais e/ou em modelo híbrido foram respondidas por cientistas dos setores de Educação e Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná. Os pesquisadores alertam sobre os cuidados de professores e alunos em sala de aula, expõem os impactos da pandemia nos processos pedagógicos e ainda esclarecem outras questões sobre a Covid-19.

As perguntas foram enviadas pela população de diferentes estados brasileiros e fazem parte da ação Pergunte aos Cientistas, da Agência Escola de Comunicação Pública UFPR. A iniciativa busca aproximar sociedade e pesquisadores, democratizando o acesso às descobertas científicas e aos conhecimentos produzidos na Universidade.

A volta às aulas em tempos de Covid-19 envolve questões psicológicas, pedagógicas, bem como cuidados para preservar a saúde dos alunos e da equipe das escolas. Dessa forma, as respostas a seguir dos cientistas podem auxiliar pais, estudantes, professores e demais profissionais a compreenderem melhor a situação, além de se prevenirem adequadamente da doença. Para ainda mais informações acerca de políticas educacionais durante a pandemia, você pode assistir aqui a série de vídeos do Núcleo de Pesquisas Educacionais (NuPE) da UFPR sobre o tema.

Participaram dessa edição do Pergunte aos Cientistas os pesquisadores Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR; Alexandra Acco, professora do Departamento de Farmacologia; Patrícia Dalzoto e Andréa Marques Stinghen, professoras do Departamento de Patologia Básica; Claudia Regina Moreira, professora do Programa de Pós-graduação em Educação e do Núcleo de Políticas Educacionais (NuPE) da UFPR; Marcos Alexandre Ferraz, diretor do Setor de Educação da Universidade; e Andréa Gouveia, professora do NuPE e vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação.

Em suas respostas, os cientistas abordam práticas pedagógicas, meios de conversar com as crianças e com as famílias sobre a pandemia, como se prevenir da Covid-19, por quanto tempo o vírus permanece em superfícies e outras questões. Confira:

“Considerando o aprendizado, o modelo híbrido de ensino (uma semana na escola e duas semanas em casa) tem vantagens em relação ao ensino totalmente remoto? Essas vantagens são suficientes para justificar o retorno às aulas presenciais em um momento em que a pandemia está fora de controle?” (André Luiz Corrêa Vianna Filho, 26 anos, doutorando em Matemática, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que o modelo híbrido proposto pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná e pela Secretaria Municipal da Educação de Curitiba é diferente: parte dos estudantes volta integralmente para a escola, em atividades presenciais, e a outra parte continua realizando as atividades de forma remota. A escolha ficou a cargo das famílias. Neste caso concreto, a comparação seria, portanto, entre a atividade totalmente presencial e a atividade totalmente remota.
Não temos conhecimento de pesquisa que esteja sendo realizada que possa reunir evidências que permitam uma resposta à questão. A realização de um estudo dessa natureza demandaria tempo suficiente e uma metodologia que permitisse isolar o modelo de ensino como causa da aprendizagem. Avaliar a aprendizagem é algo complexo, que envolve uma série de variáveis que incluem as condições do ensino, mas que também envolvem as condições emocionais tanto de quem aprende, quanto de quem ensina. Considerando isso, é possível formular a hipótese de que, diante do quadro de agravamento da pandemia, professores e estudantes estejam voltando às atividades presenciais sob extrema tensão, com medo de adoecerem no exercício do seu ofício na escola, interferindo nas condições do trabalho. Além disso, a observância dos protocolos sanitários prejudica o planejamento das atividades na escola, já que a realização de atividades em grupo e o próprio contato físico encontram-se proibidos. Quanto mais novo o estudante, maior o prejuízo, porque a aprendizagem passa não apenas pelo intelectual, mas também pelo sensorial. Crianças, em geral, aprendem melhor quando tocam, cheiram, veem e vivenciam o que estão aprendendo.
Por isso, o debate que deveria estar sendo realizado de forma mais ampla deveria ser aquele que apontasse para ações que visassem conter a pandemia, para colocar sob controle as taxas de transmissão da doença, como a vacinação em massa da população, permitindo a reabertura integral de todas as escolas com segurança sanitária. Além disso, deveríamos estar discutindo a construção de um protocolo de retomada das atividades que levasse em consideração aspectos bio-psico-sociais da aprendizagem, no sentido de promover a acolhida de crianças e adolescentes e a valorização do trabalho de professores, garantindo a efetiva condição para a realização do trabalho escolar, o que inclui a formação continuada desses profissionais e um planejamento que vise a redução de danos.

“Quanto a questões psicológicas, como proceder com as crianças? Falar sobre a pandemia? Ou ignorá-la? E se as crianças perguntarem sobre a pandemia?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/CMEIs)
Cientistas UFPR – Esta é uma questão importantíssima, porque diz respeito aos impactos emocionais da pandemia sobre as crianças e os adolescentes. Não se trata apenas de um ano fora da escola, mas das condições em que se deu esse afastamento. A alteração da rotina pode ter provocado mudanças nos hábitos de sono e de alimentação. Além disso, crianças e adolescentes podem ter convivido com pessoas doentes na família, terem elas mesmas contraído a Covid-19, terem perdido entes queridos para a doença. Muitas terão passado pela experiência de familiares que perderam o emprego e a renda, tendo que conviver muitas vezes com a fome. As pessoas que trabalham nas escolas, tanto as de Educação Infantil, quanto as de Ensino Fundamental e Médio, precisam ter em conta que a experiência tem sido traumática para a ampla maioria das crianças e adolescentes.
O que fazer? Como fazer? Primeiro é preciso reconhecer a escola como um espaço de acolhida, de cuidado. A primeira atitude que deve ser tomada é a de receber bem todas e todos na escola. Para as crianças muito pequenas, isso já é muitas vezes o suficiente. Para crianças maiores, pode-se fazer um trabalho de resgate das memórias sobre o tempo de confinamento. Pedir para que desenhem algo que tenha sido bom nos meses fora da escola e algo que tenha sido ruim pode ser um exercício interessante para entender como foi a experiência das crianças. Num primeiro momento, é necessário exercer a escuta atenta enquanto cada uma explica o que desenhou. Pode ser uma atividade interessante para identificar o estado emocional de cada uma das crianças, permitindo inclusive identificar possíveis casos de violência doméstica (e nesse caso, a Rede de Proteção deve ser acionada).
Não é possível ignorar a pandemia, mas é aconselhável deixar que as crianças ditem o ritmo de como o assunto deve ser abordado. Pode ser que as crianças não queiram falar sobre isso num primeiro momento, e isso precisa ser respeitado. O mesmo deve se considerar quando a criança fizer alguma pergunta. Responder com honestidade as perguntas feitas é um exercício importante, mesmo quando não se tem uma resposta. No caso de crianças maiores e adolescentes, uma pergunta sem resposta pode ser um bom ponto de partida para a realização de uma pesquisa a respeito.
Por fim, é bom lembrar que em dezembro de 2019 foi sancionada a Lei n. 13.935, que prevê a oferta de serviços de psicologia e serviço social nas escolas das redes públicas de ensino em até um ano após a publicação da lei. O momento da retomada das atividades presenciais irá exigir conhecimentos que se encontram fora do escopo da formação das professoras e professores, sendo da especialidade de psicólogos e assistentes sociais, então é muito importante conhecer o conteúdo da lei para poder cobrar de gestores municipais e estaduais a aplicação da lei e, portanto, o suporte desses profissionais dentro da escola.

“Como lidar com o impacto emocional dos professores e crianças?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/CMEIs)
Cientistas UFPR – Nos tempos em que vivemos, uma mudança profunda na estrutura social se efetivou nas configurações familiares. As famílias diminuíram. Seus núcleos ficaram reduzidos a pai, mãe, filhos em pequeno número e no máximo avós. O parentesco ampliado (primos, primas, tios, tias, etc…) se diluiu, deixando de ser uma rede contínua de apoio no processo de educação e socialização das crianças. Neste contexto, CMEIs e escolas passam a ocupar o centro do processo de socialização e educação.
É claro que CMEIs e escolas devem cumprir seu papel formativo e informativo que produz o cidadão intelectualmente autônomo; mas, ao mesmo tempo, precisam exercer sua função de cuidado e socialização que produz o cidadão socialmente responsável e participativo na sua comunidade. Esclarecemos essa questão para reconhecer que o espaço de convivência real, no interior da escola, é fundamental no mundo moderno. E a suspensão repentina deste espaço, causado pela pandemia, é potencialmente prejudicial à saúde emocional de nossos professores e crianças.
Contudo, reconhecer isso não implica em defender o retorno a atividades presenciais sem a devida segurança sanitária. O direito à educação e o direito à socialização emocionalmente saudável (este um direito não explícito constitucionalmente, mas subentendido no interior do conceito de educação de qualidade) não podem ser interpretados à revelia do direito à saúde.
Assim, neste momento, o isolamento social é necessário, mesmo com potenciais impactos emocionais. Contudo, lidar com essa questão exige o desenvolvimento – ou a aceleração – de novas práticas de socialização, em que, as tecnologias de informação (internet, plataformas online, redes sociais) não farão milagres, mas terão maior centralidade.
Estar em isolamento social não pode significar estar sozinho. Sob novas fórmulas, os CMEIs e as escolas são chamados a se desdobrarem em ações novas que façam professores e crianças se sentirem parte de um grupo. As tecnologias geram apoio, mas os CMEIs e as escolas ainda devem exercer o seu papel central no processo de formar, cuidar, informar e socializar. Só com as instituições de ensino no centro do processo – ainda que remotamente – estaremos inseridos em nossa sociedade de maneira emocionalmente saudável. Em outras palavras: crianças e professores devem permanecer em casa, mas a vida escolar também lá deve estar.

“O que falar para as famílias neste momento tão difícil?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR- As escolas, os centros municipais de educação infantil, as universidades são espaços de educação que cumprem dois papéis importantes na sociedade: partilhar conhecimento científico e socializar. Começamos lembrando isto, pois pensamos que é fundamental afirmarmos para as famílias que a educação é importante e que o direito das crianças a aprender e conviver é justo e necessário. Porém, é fundamental também tirarmos o peso de que isto tem que ser feito em prazos inegociáveis, o direito à educação tem que ser combinado com o direito à saúde.
Estamos vivendo um tempo completamente atípico no Brasil, mas também no mundo. Esta será uma geração marcada pela existência de uma pandemia. As famílias, as escolas e a sociedade precisarão garantir que as sequelas deste período não sejam motivo de ampliação de desigualdades. Portanto, é fundamental dialogar com as famílias sobre a importância de manter as crianças seguras e com saúde e construir o compromisso que a aprendizagem será garantida, porque especialmente as crianças, ao voltarem ao convívio quando houver condições sanitárias adequadas, poderão viver com intensidade a experiência escolar.
Este tempo de vida durante a pandemia tem roubado de todos e todas as condições imediatas de aprender e conviver com o diverso, mas é um tempo de outras aprendizagens. As crianças têm vivido aprendizagens que se relacionam muitas vezes com perdas, com preocupações, trata-se de uma bagagem diferenciada para os seus processos formativos. As escolas não têm que voltar sem segurança sanitária, mas quando voltarmos será fundamental pensar que o tempo da escola precisará ser enriquecido com a história que estamos vivendo juntos.
É preciso explicar às famílias que este não é um tempo perdido, é um tempo necessário para todos estarmos seguros. O tempo para aprender e para viver juntos nas escolas, nos centros de educação infantil e nas universidades deverá respeitar o fato de que existiu uma pandemia. Não podemos agir na volta como se fosse apenas continuar de onde paramos, esta geração merece que a volta ao modo presencial seja um tempo de reencontro e de garantia de acolhimento. Esta garantia exige políticas públicas que garantam condições de trabalho aos profissionais e condições de tempo para os/a estudantes. Mas esta garantia exige também diálogo sobre o sentido da educação e a compreensão de que há dimensões da aprendizagem que só acontecem na escola, mas não precisam acontecer sempre da mesma maneira. As crianças não estão paralisadas, estão vivendo outras aprendizagens que se encontrarão com o seu direito a aprender a cultura, a ciência e a arte de forma segura em escolas seguras.

“A escola das minhas filhas voltou com rodízio dos estudantes, mas elas estão em casa por decisão familiar. Noto que a maioria dos professores usam o protetor facial e não a máscara. Essa atitude coloca em risco os alunos que estão na sala? As partículas de saliva que os professores emitem quando falam não ficam soltas dentro da sala? Seria correto só usar o protetor ou o certo seria usá-lo junto com a máscara?” (Eliane Americo, 39 anos, orientadora, Valparaíso de Goiás-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane! O procedimento correto é o uso da máscara e do protetor facial (face shield). Como o protetor facial não fica completamente aderido ao rosto, é importante que a máscara também seja usada, pois ao proteger nariz e boca, diminui bastante o número de partículas que são expelidas no momento da fala e da respiração.

“Em 13 de dezembro de 2020, por meio de emenda parlamentar, a educação foi considerada ‘atividade essencial’ em situações de calamidade pública em Santa Catarina. Assim, estamos em sala de aula há duas semanas completas. Percebo que é muito difícil controlar o uso de máscaras por adolescentes. Além de em diversos momentos abaixarem a máscara, cada uma delas é de um material e modelo diferente. Não raras vezes, são grandes, ficam soltas, frouxas. Ao mesmo tempo, diversos professores estão usando um pequeno protetor facial, também muito utilizado em academias, mas sem máscara. Qual é o prejuízo em termos de proteção desses dois cenários?” (Neto Ghizzi, professor de ensino fundamental, Santa Catarina)
Cientistas UFPR- Olá, Neto! O uso correto da máscara é fundamental para a prevenção da infecção pelo SARS-CoV-2. A máscara pode ser cirúrgica ou de tecido, sendo que, neste caso, deve-se evitar tecidos muito finos ou que tenham tramas mais abertas, como aquelas máscaras de crochê, por exemplo. A máscara deve ficar bem ajustada ao rosto, cobrindo nariz e boca. Também deve-se evitar manusear a máscara, pois ao tocá-la podemos contaminar as mãos e acabar entrando em contato com o vírus. Além disso, a máscara deve ser usada em todos os momentos e deve ser trocada a cada três horas ou antes deste período, se estiver úmida. O procedimento correto é o uso da máscara e do protetor facial (face shield). Como o protetor facial não fica completamente aderido ao rosto, é importante que a máscara também seja usada, pois ao proteger nariz e boca, diminui bastante o número de partículas que são expelidas no momento da fala e da respiração.

“Preciso higienizar os materiais que levei para a escola?” (Maria Eduarda Kuzma Marques, 17 anos, estudante, São José dos Pinhais- PR)
Cientistas UFPR- Oi, Maria Eduarda. Sim, você deve higienizar os materiais que leva para a escola e também os materiais que você leva para casa após a aula. Dependendo do material, você pode lavá-lo com água e sabão ou higienizá-lo com álcool 70%. E lembre sempre que a máscara deve ser usada em todos os momentos e que as mãos devem ser constantemente higienizadas durante o período em que estiver na escola. Mantenha o distanciamento de 1,5 m dos colegas.

“Dou aula de ginástica artística em escola. Todos os professores e alunos utilizam máscara durante toda a aula. Higienizamos as mãos e pés dos alunos quando entram na área de ginástica, todos os materiais que utilizamos e, mesmo higienizando minhas mãos e braços cada vez que encosto em um aluno, tenho medo de me contaminar. Tem mais alguma atitude que posso tomar para evitar o meu contágio e o dos alunos?” (Camila Scorsin Mikosz, 28 anos, profissional de Educação Física, Curitiba- PR)
Cientistas UFPR- Olá, Camila! As medidas que você vem tomando são eficazes e previnem a contaminação pelo SARS-Cov-2. Além destas medidas, é importante manter o distanciamento de, pelo menos, 1,5 m dos alunos. Durante as aulas, incentive o uso de álcool em gel 70% nas mãos e o distanciamento entre os estudantes. Após o término da aula é importante higienizar as superfícies e materiais da sala de aula.

“No retorno às aulas presenciais, como assegurar o distanciamento físico com crianças pequenas, inclusive bebês?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR – Em tempos difíceis e tão diferentes do que estamos habituados, é importante que novas estratégias sejam empregadas para que possamos enfrentar as dificuldades. Realmente, é muito complicado fazer com que crianças pequenas mantenham o distanciamento. Para tanto, é necessário, antes de tudo, adaptar a escola para essa nova realidade. As carteiras devem ser posicionadas a uma distância segura umas das outras, as janelas devem ficar abertas, mantendo o ambiente arejado e este ambiente deve ser higienizado antes e depois da aula. O número de alunos por turma deve ser reduzido e, se possível, deve-se utilizar outros espaços da escola, como pátios e quadras de esporte abertos. Demarcar os locais no chão também é uma boa ideia para que as crianças mantenham o distanciamento.
Para que as crianças entendam a situação, é preciso conversar com os pequenos, explicando, de forma lúdica, como devem se comportar. De acordo com cada faixa etária, deve-se explicar a importância do distanciamento, do uso da máscara e da higienização das mãos, fazendo a criança entender noções de empatia, ou seja, como proteger a si e aos outros.
Jogos, histórias, vídeos e brincadeiras podem ser importantes aliados neste momento. Dê preferência para brincadeiras que possam ser feitas respeitando o distanciamento. O Grupo Escoteiros do Brasil desenvolveu uma cartilha com algumas atividades educativas que respeitam o distanciamento, que você pode acessar aqui.
Além disso, o comportamento correto pode ser recompensado de alguma forma, com elogios, sistema de pontos, entre outros. E pequenas “prendas” podem ser cobradas das crianças que descumprirem as normas, desde que isso não leve a constrangimentos nem a desconforto. Desta forma, o distanciamento e o uso da máscara podem se tornar desejáveis para as crianças. Apesar disso, sabemos que o retorno não será fácil e que precisaremos todos nos adaptar e aprender como vencer este desafio.

“O que deve ser feito se uma criança tossir?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR – A preocupação com tosse ou outros sinais respiratórios que podem indicar Covid-19 é muito pertinente, em especial no atual momento da pandemia com a variante viral P.1, que é mais infectante do que a anterior. No entanto, nem toda tosse é de origem respiratória. Se for tosse ocasional, ela pode estar relacionada, por exemplo, a engasgo. Então, pode-se oferecer água à criança e encaminhá-la a um espaço destinado à observação e aos cuidados de profissional (preferencialmente com EPIs completos: máscara, protetor facial, touca, luvas e capote), enquanto aguarda os pais ou responsáveis para buscá-la. O Guia de Implementação de Protocolos de Retorno das Atividades Presenciais nas Escolas de Educação Básica do MEC recomenda que: “Ao identificar um estudante com sintomas de síndrome gripal em sala de aula, a escola deve acionar os pais ou responsáveis, orientando que esse estudante seja imediatamente encaminhado à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Nesse caso, o estudante deverá aguardar em local seguro e isolado, até que pais ou responsáveis possam buscá-lo”. Ainda, “todo e qualquer sintoma, em especial tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, fadiga, tremores e calafrios, dor muscular, dor de cabeça, perda recente do olfato ou paladar, apresentado por estudante ou outra pessoa da comunidade escolar, deve ser comunicado imediatamente à escola, a qual notificará a UBS. Além disso, deve-se estabelecer a norma ‘se não estiver se sentindo bem, fique em casa’ para todos os membros da comunidade escolar.” Lembre-se de que o período de incubação nas crianças é igual ao dos adultos, assim o tempo entre a exposição ao vírus SARS-CoV-2 e o início dos sintomas da Covid-19 é geralmente de cinco a seis dias, mas pode variar de um a 14 dias.

“Que ações as escolas/CMEIs de educação infantil podem tomar, uma vez que o ambiente da sala de aula e o convívio tão próximo das crianças pode ajudar a propagar a doença? Seria possível garantir a segurança das crianças pequenas dentro da escola/CMEI?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR – De fato, essa preocupação é pertinente e há uma série de regras e restrições para garantir a segurança das crianças em sala de aula e em espaços comuns. Por exemplo, o “Protocolo de retorno das atividades presenciais” da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba recomenda interditar parquinhos, casinhas de bonecas, muros de escaladas, instalações sonoras e estruturas de uso coletivo no espaço externo, bem como não disponibilizar brinquedos que não possam ser lavados, para reduzir o contato das crianças com objetos que possam estar contaminados. Fundamental é manter o distanciamento de pelo menos um metro, como recomendado pela OMS, tanto dentro das salas de aula quanto fora, para alunos de todas as faixas etárias e demais pessoas que estão no ambiente escolar. Em todos os ambientes o uso da máscara também é necessário, embora se saiba que o cumprimento desta exigência por crianças menores pode ser prejudicado. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso de máscaras inclusive na educação infantil, a partir de dois anos de idade, especialmente de máscaras de pano, com duas camadas, bem ajustadas ao rosto, cobrindo do nariz até o queixo, que devem ser trocadas a cada três horas ou antes, caso fiquem sujas ou úmidas. Mesmo que as crianças inicialmente tenham dificuldades com as máscaras, os professores devem considerar o potencial pedagógico da atividade, para que as crianças aprendam a usá-las em ambiente lúdico e que estimulem esse aprendizado. Outras práticas, como readequação de espaços da escola e turnos alternados de crianças na turma, poderão ser ajustadas conforme a realidade de cada escola.

“Existirá algum ‘manual’ com orientações detalhadas da área da saúde que contemple todo procedimento que devemos adotar nas salas e na nossa rotina diária, com idas ao banheiro, escovação dos dentes, sono, refeições, troca de fraldas, brincadeiras, atividades com uso de material coletivo, leituras de livros, exploração dos livros pelas crianças, uso coletivo dos brinquedos, brincando coletivamente no parque, na areia e etc.?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR – Os pontos mencionados são uma preocupação global no retorno às aulas presenciais, assim várias entidades prepararam guias de apoio às escolas e professores. Há alguns guias elaborados por educadores e pediatras abordando o retorno às aulas que podem ser encontrados em sites específicos para download. Por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação de Curitiba elaborou um guia completo intitulado “Protocolo de retorno das atividades presenciais”, abordando aspectos como cuidados e limpeza com áreas comuns e salas de aulas, cuidados no transporte escolar e orientações aos pedagogos, gestores e professores. A Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou o guia “Retorno Seguro nas Escolas”, contemplando informações como o planejamento de espaços seguros, cuidados de higiene pessoal e o cuidado com pessoas sintomáticas. O MEC também preparou o “Guia de Implementação de Protocolos de Retorno das Atividades Presenciais nas Escolas de Educação Básica”, que aborda, além de aspectos gerais, capítulo de atenção aos alunos com necessidades especiais. A OMS tem orientações em seu site com perguntas e respostas para esclarecimentos, além de um guia e checklist de ações, porém as informações estão em inglês, espanhol e francês. Como o retorno presencial das aulas diante da Covid-19 é muito delicado e específico, professores, funcionários e pais, que são a chave para implementar as medidas de saúde e segurança, precisam estar envolvidos conjuntamente durante todo o processo.

“Os professores serão submetidos ao teste da Covid-19? Com que frequência?” (Dúvida levantada por profissionais dos Centros Municipais de Educação Infantil de Curitiba e Região Metropolitana/ CMEIs)
Cientistas UFPR – O planejamento estratégico visando o retorno das atividades nas escolas envolve diversos setores e ações, como estrutura física de cada escola, dimensões das salas, ventilação dos ambientes, número de profissionais que trabalham na escola, disponibilidade de máscaras, produtos de higienização e testagens diagnósticas. No entanto, não há realização de testagens sistematizadas em nosso país, como tem sido relatado em países mais desenvolvidos, exceto por iniciativas isoladas em algumas cidades, fato que dificulta o rastreamento ideal da contaminação viral. No retorno às aulas presenciais, seria importante a periodicidade de abordagens diagnósticas, inclusive porque na reabertura de escolas em vários estados brasileiros, em 2021, houve relatos de casos de Covid-19 em alunos e professores da mesma escola. Em caso de haver algum infectado em uma turma, seria indicado isolar todos, inclusive o professor, para evitar possível propagação do vírus, bem como identificar e rastrear os contatos desses casos positivos, pois o que acontece na escola terá ramificações para todos dentro e fora dela. Porém, infelizmente não há previsão de testes diagnósticos periódicos nas escolas de Curitiba ou do Estado do Paraná.

“O vírus de pessoas infectadas fica no quarto por mais de 20 dias?” (Sandra Nascimento)
Cientistas UFPR- Olá, Sandra. Pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 transmitem o vírus para outras pela proximidade, essencialmente por gotículas respiratórias contendo o vírus. Daí os cuidados de distanciamento social, uso de máscaras e manutenção de locais arejados para dispersar as partículas virais e reduzir o risco do contágio. Alguns estudos também mostram que o vírus SARS-CoV-2 permanece viável em superfícies, sendo mais estável em plástico e aço inoxidável do que em cobre e papelão, porém não por 20 dias, em especial se o ambiente for bem arejado. Experimentalmente, o vírus viável foi detectado até 72 horas após sua aplicação em diferentes superfícies, embora também tenha sido observado declínio na sua infectividade. Outro estudo avaliou UTIs de pacientes com Covid-19 após eles testarem negativo e demonstrou que os objetos na UTI estavam livres do vírus, mas o ar continha partículas virais por alguns dias. Vale lembrar que a UTI é um ambiente com elevada presença do vírus e com sistema próprio de ventilação, diferente de um quarto em casa que tem ventilação natural. Limpar as superfícies com desinfetante adequado (como álcool 70%) e deixar o ambiente arejado reduz a chance de permanência do vírus nos cômodos.

“Há pessoas que pegam essa nova variante sem sair de casa ou ter contato com alguém. Por que isso acontece?” (Adelina, Santa Catarina)
Cientistas UFPR – Olá, Adelina. A variante P.1 do SARS-CoV-2, conhecida como a variante de Manaus e que agora está presente em vários estados brasileiros, pode ser 1,4 a 2,2 vezes mais transmissível do que as linhagens não-P.1 do vírus e tem alta probabilidade (até 61%) de escapar da imunidade protetora induzida pela infecção. Estudos mostram que a P.1 possui características epidemiológicas alteradas robustas em relação a outras linhagens do vírus da Covid-19, e que indivíduos contaminados com esta variante têm carga viral 10 vezes maior do que os contaminados com outras cepas do SARS-CoV-2. Além disso, estudos sugerem que indivíduos acima de 18 anos podem ser igualmente infectados com P.1, independentemente do sexo e da idade. Esses dados justificam a alta taxa de transmissibilidade e gravidade desta variante, inclusive em pessoas mais jovens, o que mudou o perfil dos pacientes graves de Covid-19: antes eram, geralmente, idosos e/ou com comorbidades, e agora podem ser mais jovens e sem doenças prévias.
Apesar dessas características de alta infectividade em relação às outras variantes, o modo de transmissão é o mesmo, através de gotículas contaminadas pelo vírus, o que acontece primariamente pelo contato entre pessoas e, de modo menos provável, pelo contato das mãos com superfícies contaminadas por gotículas infecciosas e que posteriormente irão tocar a boca, o nariz ou os olhos, sendo uma via de transmissão indireta. Ou seja, as pessoas que se contaminaram com essa variante também tiveram contato, mesmo que brevemente, com outra pessoa ou ambiente contaminado com a variante P.1.

“Meu pai, ao passar álcool líquido 70% nas mãos (nem sempre lavadas), leva as mesmas ao nariz como uma ‘concha’ e inala o cheiro por um longo tempo. Ele acredita que limpa as vias aéreas, mas eu acho que isso aumenta o risco de contrair o vírus, pois não tem como ter certeza de que a mão está 100% limpa. Gostaria de saber se cheirar as mãos após passar álcool líquido aumenta o risco de contrair Covid-19 e se esse hábito é um risco. Cheirar álcool tem algum benefício comprovado cientificamente?” (Ludmilla Pinheiro, 30 anos, Belo Horizonte- MG)
Cientistas UFPR – Olá, Ludmilla. De fato, você tem razão: o costume de seu pai de tentar “limpar” as vias respiratórias inalando álcool não tem nenhum efeito sobre o coronavírus (e outros microrganismos e vírus) que possa ter se instalado internamente. A razão para isso é muito simples: por mais álcool que se inale, o teor nunca chegará aos 70% necessários. No ar inalado estão presentes apenas algumas moléculas de etanol volatilizadas (a maioria já se difundiu na atmosfera) e apenas uma parte delas serão solubilizadas no líquido em volta das células, onde estaria o suposto vírus. A concentração é muito pequena. Por outro lado, a concentração de etanol pode ser alta o suficiente para causar intoxicação alcoólica (dependendo de quanto álcool é inalado): o álcool pode ter efeito adverso sobre o epitélio e também pode ser absorvido pelo sangue. Se houver outros contaminantes voláteis no álcool, o risco pode ser ainda maior. Não é provável que esse costume aumente risco de se contaminar com outro microrganismo.
É importante não usarmos essas soluções para evitar contaminação. Se pensarmos bem, se fosse verdade, todos os médicos estariam recomendando isso. O ex-presidente americano, Donald Trump, fez o ano passado uma sugestão parecida: se a água sanitária mata facilmente o coronavírus, por que não tomar? Simples, porque é altamente tóxica e algumas pessoas seguiram o conselho e tiveram sérios problemas, inclusive óbitos. A mensagem importante: o que é para uso externo não deve nunca ser usado internamente, nem na forma oral, nem inalado. Sempre consulte seu médico antes de mudar o uso recomendado!

“O coronavírus sobrevive por quanto tempo na grama ao ar livre? Pergunto porque quando o jardineiro corta a grama (ele usa máscara), fico três dias sem pisar na grama, nem solto os cachorros! Será que estou exagerando?” (Rosa Schumacher, 59 anos, administradora empresarial, São Leopoldo- RS)
Cientistas UFPR – Olá, Rosa. Essa é uma pergunta extremamente difícil de responder. Não encontramos nenhum estudo sobre sobrevivência do vírus em grama e seu potencial de contaminação. É possível encontrar alguma informação sobre grama sintética, pois já existem estudos sobre sobrevivência do vírus sobre diversos plásticos. Nesses casos, os materiais de limpeza com algum detergente são suficientes para eliminar todo vírus. Porém, de forma geral, se o ambiente é externo, o mais provável é que o aquecimento pelo sol inative o vírus. Se chover ou mesmo chuviscar, a água lava o vírus para o solo, inativando-o também. Além disso, a grama representa um mini ecossistema, com uma quantidade imensa de bactérias, insetos, moluscos e fungos. Esse sistema é bastante dinâmico e, com o tempo, vai atuar sobre o coronavírus também. Existem dados na literatura sobre sobrevivência do coronavírus em esgoto (as pessoas eliminam o coronavírus pelas fezes), que mostram que é muito comum encontrar o material genético do vírus em esgoto de cidades que sofrem com a pandemia, mas é bem incomum encontrar um amostra de esgoto com coronavírus viável, ou seja, capaz de provocar doença. E as quantidades de coronavírus inativado em esgoto podem ser bem altas. Assim, o coronavírus SARS-CoV-2 teria uma “vida” muito difícil se caísse na grama ao ar livre. Mas e se estivesse lá? Nesse caso, é bom lembrar que ele precisa acessar nariz, boca ou olhos, as principais portas de entrada. Se você estiver tomando cuidado de usar máscara nos seus passeios e lavar as mãos logo após, é bastante improvável que ocorra contaminação. O mesmo vale para seus cachorros (eles não precisam de máscaras…), lembrando que cachorros têm alta resistência ao novo coronavírus e os casos de contaminação ocorrem quando entram em contato com grandes quantidades de vírus. Sugiro tomar o cuidado de esperar algumas horas após o corte, e seu gramado aparado certamente será seguro para passeio ao ar livre!

“Gostaria de saber o seguinte: a pessoa contraiu a Covid-19 e fez o isolamento em casa. Quanto tempo o vírus permanece nos ambientes, superfícies, roupas, etc.? E quais os produtos mais indicados para fazer a desinfecção do imóvel?” (Renato Palhano)
Cientistas UFPR – Olá, Renato. O SARS-Cov-2 tem um tempo de permanência variável, dependendo da superfície em que se encontra. Estudos indicam que as partículas virais que são expelidas quando a pessoa tosse, espirra ou fala, podem ficar em suspensão no ar por até duas horas e 30 minutos. Já em superfícies, dependendo de suas características, podem ser viáveis por alguns dias. Pesquisadores do Instituto Nacional da Saúde (NIH) dos Estados Unidos afirmam que o vírus pode permanecer viável em papelão por 24 horas e, em plástico e aço inoxidável, por até três dias. Em maio de 2020, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos afirmou que a contaminação por meio de embalagens e superfícies não é a principal forma de contrair Covid-19 e que os hábitos de higienização das mãos parecem ser eficientes para evitar a infecção. Isso porque, com o passar do tempo, o número de partículas virais tende a diminuir e a chance de contaminação ao tocar as superfícies é reduzida. Deste modo, manter o ambiente arejado e limpar as superfícies do cômodo com um desinfetante (água sanitária, álcool 70% ou outros desinfetantes comerciais) ou com água e sabão são suficientes para eliminar as partículas virais remanescentes. É importante continuar fazendo a higienização frequente das mãos.

“A minha mãe está internada com a Covid-19. Até o dia 16 de março pela manhã, ela ficou no quarto, depois foi para o hospital. Desde então o quarto está com a porta fechada. A janela ficou aberta por dois dias e depois fechei, está fechada por três dias. Já posso fazer a limpeza, lavar as roupas dela e as roupas de cama que estão lá dentro? No quarto, tem algumas caixas de papelão, objetos debaixo da cama e colchões. Ainda existe vírus vivo lá?” (Fabiana Paula Davi Soares, 35 anos, do lar, Patos de Minas-MG)
Cientistas UFPR – Olá, Fabiana. As partículas virais podem permanecer viáveis por horas a dias, dependendo da superfície em que se encontram. Estudos indicam que essas partículas podem ficar em suspensão no ar por até duas horas e 30 minutos, por isso a importância de manter os ambientes bem ventilados. Em superfícies, este tempo pode variar de horas a dias. Por exemplo, em papelão, o vírus pode ficar ativo por 24 horas, enquanto em metais e plásticos, por até três dias. Entretanto, com o passar do tempo, a quantidade de partículas virais diminui, o que reduz a probabilidade de contaminação ao tocar em objetos e superfícies. Deste modo, manter o ambiente arejado e limpar as superfícies do cômodo com um desinfetante (água sanitária, álcool 70% ou outros desinfetantes comerciais) ou com água e sabão é suficiente para eliminar as partículas virais remanescentes.
Acredita-se que, em tecidos, o vírus pode permanecer viável por três dias, mas ele é sensível ao calor, ao sabão e à água sanitária. Assim, ao lavar as roupas de uma pessoa com Covid-19, verifique as orientações de lavagem apresentadas nas etiquetas, pois alguns tecidos não podem ser submetidos a alvejantes com cloro, como é o caso de lã, seda, couro e lycra. Em máquina de lavar, use bastante água, de preferência acima de 60ºC, o sabão de sua preferência e água sanitária diluída 0,05% (25 ml de água sanitária em 975 ml de água). No caso da impossibilidade de lavar as roupas em máquina, a OMS recomenda que se utilize água morna, sabão e que as roupas fiquem de molho em uma solução de água sanitária a 0,05% por 30 minutos, para uma desinfecção mais eficiente.

“Gostaria de saber por que ainda há tantos médicos a favor do uso e receitando a ivermectina e a cloroquina, medicamentos que são comprovadamente ineficazes e até perigosos. Em que se baseiam, qual seu argumento científico? Por que não aceitam as comprovações de ineficácia? Por que as organizações médicas não são categóricas a respeito?” (Mariane Torres)
Cientistas UFPR – Olá, Mariane. Existe sim um grande número de médicos que estão recomendando a ivermectina e a cloroquina para uso profilático e como tratamento para a Covid-19. Ocorre que existe muita desinformação circulando sobre os efeitos “milagrosos” destes medicamentos e muitos profissionais não estudam a fundo sobre os efeitos prejudiciais que eles podem causar. Várias entidades de classe já declararam sua opinião sobre o uso, sendo contrárias, tais como a Sociedade Brasileira de Infectologia, Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva e Sociedade Brasileira de Imunologia, entre outras. Porém, existem também outros fatores envolvidos. A disseminação exacerbada de fake news, somadas ao medo da população e ao dogmatismo cego ligados a alguns agentes políticos, levaram-nos à situação desastrosa que estamos vivendo. Reafirmamos que a UFPR tem compromisso com a ciência, e nos baseamos em fatos e achados científicos e nunca em opiniões e crendices populares.

Para ler mais respostas de pesquisadores sobre a Covid-19, acesse aqui outras reportagens da série Pergunte aos Cientistas.

Foto destaque: Freepik/Divulgação

Por Isabela Stanga
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing e Agência Escola de Comunicação Pública UFPR


UFPR nas Redes Sociais

UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Flickr RSS UFPR UFPR no Youtube UFPR no Instagram
Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299 | CEP 80.060-000 | Centro | Curitiba | PR | Brasil | Fone: +55(41) 3360-5000
UFPR no Facebook UFPR no Twitter UFPR no Youtube
Setor de Universidade Federal do Paraná
Rua XV de Novembro, 1299
CEP 80.060-000 - Centro
Reitoria da UFPR - Curitiba - PR - Brasil
Fone: +55(41) 3360-5000

Imagem logomarca da UFPR

©2021 - Universidade Federal do Paraná

Desenvolvido em Software Livre e hospedado pela AGTIC - Agência de Tecnologia da Informação e Comunicação da UFPR