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Animais de estimação não adquirem Covid-19; tutores doentes não devem ter contato com humanos ou animais

Superintendência de Comunicação Social     27 de março de 2020 - 13h21

A população brasileira possui mais de 132 milhões de animais de estimação – entre cães, gatos, aves, peixes, répteis e pequenos mamíferos. Os dados, de 2018, são do Instituo Pet Brasil que utiliza números levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em todo o território nacional. Tratados como membros da família, é comum que a preocupação com os pets seja a mesma dispensada a seres humanos e no atual contexto, de pandemia causada pela Covid-19, um questionamento bastante ouvido pelos especialistas diz respeito à possibilidade de os animais adquirirem a doença e transmitirem o vírus.

Até o momento, não há evidência de que o SARS-CoV-2 seja transmitido por animais domésticos ou selvagens, tampouco existem registros de animais contraírem o vírus. Foram registrados dois relatos, em todo o mundo, de cães que testaram positivo para a presença do novo coronavírus em suas mucosas. Entretanto, a explicação mais admitida pelos especialistas é de que esse resultado tenha a ver com o material genético dos tutores, que em ambos os casos apresentavam a Covid-19.

No primeiro caso, em Hong Kong, um cachorro da raça Lulu da Pomerânia de 17 anos testou fracamente positivo para o SARS-CoV-2. As amostras coletadas foram de suas mucosas nasal e oral. O animal não apresentou sinais da doença até o momento em que os testes se tornaram negativos e ele foi liberado da quarentena. Infelizmente, dois dias após o resultado negativo, o cachorro faleceu de causa desconhecida e seu tutor não permitiu a autópsia. Alguns médicos veterinários acreditam que a morte possa ter sido causada por ansiedade sofrida durante quarentena, além da idade já estar bastante avançada para a espécie.

O segundo registro, também em Hong Kong, é de um cachorro da raça Pastor Alemão que testou positivo para o vírus no dia 20 de março. Até o momento, ele não apresenta sinais da doença e está em quarentena, sendo monitorado. Testes também estão sendo refeitos periodicamente.

Para o Departamento de Agricultura, Pescas e Conservação do Governo de Hong Kong, o fato de os testes encontrarem pouco material genético viral não indica que o vírus esteja se multiplicando nos cães, mas provavelmente que foram contaminados pelos donos que tinham Covid-19. Além disso, o resultado negativo após isolamento do Lulu da Pomerânia em local distinto reitera a possibilidade de contaminação pelo contato com o tutor.

Na China, o receio infundado, até o momento, da transmissão do SARS-CoV-2 por animais domésticos está aumentando os casos de abandono. Por isso, é importante reforçar que até agora não existe evidência da transmissão da Covid-19 por animais.

Especialistas da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Coronavírus da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aconselham que pessoas com Covid-19 se isolem e não mantenham contato nem com pessoas, nem com animais. No último caso, o risco não é que o animal também adquira a doença, mas sim que seja contaminado com o vírus por meio do material genético do tutor e acabe levando-o a outros membros da família.

Presidente da comissão, o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular Emanuel Maltempi de Souza, orienta a manutenção dos hábitos de higiene em humanos e animais. “É bom sempre manter os animais bem asseados e lavar as mãos depois de manuseá-los, alimentá-los ou limpar as áreas que ocupam. Se tiver dúvida sobre quais produtos usar nos pets, é indicado consultar um veterinário”.

Caso o animal de estimação teste positivo para o novo coronavírus, é necessário que fique em quarentena e seja isolado do contato com outras pessoas. “Mas isso é extremamente raro e, até agora, nenhum teste tem sido feito em animais de estimação no Brasil”, afirma Souza.

As orientações do Conselho Federal de Medicina Veterinária e do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo são para que pessoas infectadas evitem contato com seus cães e gatos, fazendo quarentena de convivência com eles durante o período de isolamento domiciliar. A medida tem o objetivo de evitar que o tutor infectado, ao espirrar ou tossir, espalhe partículas virais na pelagem no animal.

Os veterinários recomendam, ainda, que as saídas com os animais sejam curtas, buscando lugares não aglomerados e horários de menor movimento. Ao retornar para a residência, é necessário higienizar as patas dos pets com água e sabão neutro, para evitar que o contato com superfícies contaminadas na rua leve partículas virais para o ambiente domiciliar.

Coronavírus animal

A comissão da UFPR esclarece que a Covid-19 é causa por vírus da família Coronaviridae, que possui espécies patogênicas para humanos e animais, sendo específicas para cada hospedeiro. O vírus da Covid-19, doença que atinge seres humanos, pertence ao gênero Betacoronavirus,  da espécie SARS-Cov-2.

“Em gatos, o FCoV (coronavírus felino) causa enterite, inflamação da mucosa do intestino delgado. Uma variante mais virulenta dessa espécie pode, ainda, causar a peritonite felina infecciosa”, explicam os especialistas. O FCoV pertence ao gênero Alphacoronavirus da família Coronaviridae.

“Em cães, o coronavirus canino (CCoV) pertence ao gênero Alphacoronavirus 1 e causa doença intestinal contagiosa a outros cachorros”. Esses vírus patogênicos para cães e gatos não infectam humanos, da mesma forma que o vírus da Covid-19 tem mostrado não infectar animais.

Souza comenta que existem vacinas para as doenças causadas pelo coronavírus animal e que elas não funcionam para humanos. “Se nós tomarmos a vacina ela será, na melhor das hipóteses, inócua. Há o risco de ela causar uma reação que pode levar à morte”.

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