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Ensino e Educação

Com forte presença na comunidade local, Setor Palotina celebra 25 anos esta semana

Aline Fernandes França     12 de março de 2018 - 8h26

No início, era apenas um curso – Medicina Veterinária. Vinte e cinco anos depois, o sonho da comunidade de Palotina de ter uma extensão da Universidade Federal do Paraná na cidade deu origem a um setor que já graduou mais de mil profissionais, tem oito cursos de pós-graduação, seis cursos ou programas de pós-graduação (inclusive um doutorado) e uma forte presença na sociedade da região, por meio de parcerias e programas de extensão.

O Setor Palotina comemora 25 anos este mês e vai celebrar a data com uma programação que começa nesta segunda-feira (12) e vai até sexta (16) – ver a programação completa abaixo.

“O Setor Palotina é um exemplo de perseverança e de sucesso. São dezenas de servidores técnicos e docentes que se dedicaram a transformar o espaço em um forte apoiador do desenvolvimento regional. A competência desta equipe fez com que cursos virassem referência a ponto de trazer estudantes de localidades distantes, proporcionando também o crescimento econômico da cidade e dos municípios ao seu entorno”, avalia o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

Proporcionar o acesso ao ensino superior na região Oeste do estado era um desejo da administração de Palotina desde 1989.

O prefeito da época, Marcio José da Silva, conta que havia uma preocupação com o grande número de estudantes do município que deslocavam-se até faculdades da região diariamente. “Tivemos a ideia de buscar parceria com universidades para atender a demanda de cursos de interesse dos nossos estudantes e fizemos uma reunião com o então reitor da UFPR, Carlos Faraco”, diz.

Em 1991, foi criada uma comissão técnica para avaliar a viabilidade de implantação do curso de Medicina Veterinária. A graduação foi escolhida em função da economia da cidade, que circulava principalmente em torno da agropecuária.

“Depois de quase um ano de estudo tivemos a felicidade de receber um parecer favorável ao nosso pleito”, lembra o ex-prefeito de Palotina.

O termo de cooperação entre a Universidade Federal do Paraná e o município de Palotina para a instalação do campus foi assinado em 1992. A extensão do ensino superior em Palotina, a 600 quilômetros de Curitiba, representou também o início do processo de interiorização da UFPR no estado.

A aula inaugural do curso de Medicina Veterinária aconteceu no dia 13 de março de 1993, no Colégio Agrícola da cidade. Professores de Curitiba viajavam até Palotina para ministrar aulas práticas e teóricas.

No ano seguinte, 200 candidatos concorreram a 40 vagas ofertadas para o Campus Palotina. Os primeiros vestibulares aconteceram em Curitiba.

A palotinense Maristela Padilha, estudante da primeira turma do campus, lembra que decidiu fazer o curso assim que abriu a graduação na cidade. “Sempre que vou a Palotina, passo para ver o campus, e a cada ano está diferente e maior. Fico emocionada quando encontro alguém que diz: ‘meu filho estuda em Palotina’”, afirma a médica veterinária, que atua como auditora fiscal federal agropecuária do Ministério da Agricultura.

Outra ex-aluna da primeira turma, Tatiana dos Santos, conheceu o marido durante a faculdade e hoje é docente. “Segui a carreira universitária, sou professora da Universidade Estadual de Maringá. Ainda mantenho vínculo com a UFPR em função das atividades acadêmicas”, conta.

Apesar de pioneira, a primeira turma alcançou o conceito “A” pela avaliação do Ministério da Educação. O desempenho no Exame de Qualificação do Conselho Federal de Medicina Veterinária foi considerado excelente, o que fortaleceu a graduação.

Em 2009, a universidade adquiriu um terreno adjacente, com 145 mil metros quadrados do Seminário São Vicente Pallotti, dobrando a área total. Em 2012, o campus tornou-se o Setor Palotina, passando a ter assento formal nos Conselhos Superiores da UFPR e a participar da divisão do orçamento, com mais autonomia e recursos.

O Setor Palotina já formou mais de mil profissionais em Medicina Veterinária, tecnólogos em Aquicultura e tecnólogos em Biocombustíveis. Foto: Samira Chamin Neves – Sucom/UFPR

No aniversário de 25 anos, o Setor Palotina comemora a formação de mais de 900 acadêmicos em Medicina Veterinária; 52 acadêmicos Tecnólogos em Aquicultura; 81 acadêmicos Tecnólogos em Biocombustíveis; 146 Tecnólogos em Biotecnologia; 93 graduados em Ciências Biológicas; 81 acadêmicos em Agronomia; 161 títulos de Mestre e 125 títulos de Médicos Veterinários Residentes .

Atualmente são 1600 acadêmicos de graduação, 182 pós-graduandos stricto sensu, 27 pós-graduandos lato sensu, 79 técnicos e 129 docentes, além de estagiários e equipes terceirizadas.

O Setor oferece os seguintes cursos de graduação: Agronomia, Ciências Biológicas, Engenharia de Aquicultura, Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Engenharia de Energias Renováveis, Licenciatura em Ciências Exatas, Licenciatura em Computação e Medicina Veterinária.

“Hoje podemos dizer que plantamos uma boa semente e os palotinenses a cultivaram com muita dedicação, pois está produzindo frutos de qualidade par ao desenvolvimento regional. Novas ideias vindas de muitas regiões do País com os estudantes, novos investimentos gerando riquezas e ajudando cada vez mais o município a ter vida própria”, completa o ex-prefeito de Palotina, Marcio José da Silva.

Comunidade protagonista

É unânime. Em 25 anos, a criação e o desenvolvimento do Setor Palotina contou com um fator essencial: o envolvimento da comunidade local.

“Desde o princípio a comunidade abraçou a causa. Moradores da cidade, servidores e professores ajudaram até na compra de materiais de construção e aparelhos como microscópios. Cada um tinha um carnê e contribuía para comprar tijolo, areia, ferro entre outros materiais”, conta o primeiro servidor do Setor Palotina, Arlei José Birck.

Arlei, atualmente professor do Departamento de Biociências, tem orgulho de dizer que a universidade é o local onde se realizou profissionalmente. “Fui galgando degraus na carreira, primeiro como funcionário e agora como docente da UFPR. Estou aqui desde o início, entrei com 17 anos e cresci com o campus”, diz.

O professor Nei Moreira, que deu aula para a primeira turma do Setor, confirma os relatos: “Tivemos a oportunidade de ver tudo isso crescer, com o apoio da comunidade. O acolhimento e a simpatia da cidade foram essenciais para a continuidade dos trabalhos”.

Inicialmente, o processo de instalação do campus previa um acordo de investimentos com o município. Começou então a busca de recursos para manter o funcionamento das atividades.

A aquisição da primeira área do campus e, mais tarde, a construção de blocos contaram com o apoio da comunidade local. Foto: Samira Chami Neves – Sucom/UFPR

A primeira área do campus foi adquirida em 1994. Empresas e famílias do município assumiram a dívida por meio de contribuições de cotas anuais de sacas de soja.
“Palotina é uma cidade com um povo aguerrido, que luta pela educação e a coloca acima de tudo. Representar a UFPR nos engrandece e é gratificante ver o município e a universidade serem reconhecidos nas esferas regional e nacional”, afirma Elisandro Pires Frigo, diretor do Setor.

Os moradores participaram de campanhas para aquisição de equipamentos e, anos mais tarde, contribuíram para a construção de blocos, por meio da Associação de Amigos do Campus Palotina (AACP), criada em 1998.

Para Afonso Ribeiro dos Santos, aluno do curso de Ciências Biológicas, estudar no Setor Palotina é uma experiência única. “Saí de uma cidade grande (São Paulo) para o interior, por ser uma universidade renomada de grande importância acadêmica. Sou feliz aqui e recomendo para outras pessoas porque o ensino é de qualidade e os professores excelentes”, diz.

Extensão em Palotina

Uma das marcas da instituição na região Oeste do Paraná é a força das atividades de extensão. “O envolvimento com a comunidade é um diferencial. Aqui encontramos muitos projetos de extensão voltados para os moradores. Essa integração torna o Setor Palotina um dos mais importantes e fortes da UFPR”, ressalta o diretor de Apoio aos Campi Avançados, Helton José Alves.

As atividades envolvem docentes, estudantes, servidores técnico-administrativos da UFPR, além de escolas, poder público, empresas, cooperativas e a população em geral. Os projetos são desenvolvidos em variadas áreas, como ecologia, ensino, produção animal e vegetal, castração de animais, entre outros.

Entre as mais de 60 iniciativas de extensão do Setor Palotina está o Programa de Plantas Medicinais, que nasceu como atividade de extensão há 22 anos, sob coordenação da professora Bettina Ruppelt.

“O Setor Palotina, por estar localizado em uma cidade do interior, apresenta um diferencial: a proximidade com a comunidade. A população sabe que pode contar com a universidade, e assim surgem demandas e convites para trabalhos em conjunto”, analisa a professora Patricia da Costa Zoneti, que assumiu a coordenação do programa de Plantas Medicinais em 2015.

A extensão é considerada um elo com a comunidade local. “Cheguei aqui há sete anos como professora e atualmente estou na gestão. É um prazer enorme fazer parte dessa universidade centenária e poder contribuir com ensino e extensão de qualidade que sempre buscamos”, afirma a vice-diretora do Setor, Yara Moretto.

Pós-graduação

O Setor conta hoje com cursos de mestrado e doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular. Também oferece cursos de mestrado em Aquicultura e Desenvolvimento Sustentável, Bioenergia, Ciência Animal, Tecnologia de Bioprodutos Agroindustriais, além do Programa de Pós-Graduação de Residência em Medicina Veterinária, distribuídos entre dez especialidades.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) recomendou em 2011 o Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal. No ano de 2017, o programa alcançou conceito 4 da Capes.

Infraestrutura do Setor

O Setor Palotina possui cinco blocos didáticos, laboratórios, bloco de aves e suínos, bloco da anatomia e patologia, bloco da direção e secretarias acadêmicas, e o Lacoma – Laboratório de Inspeção e Controle de Qualidade de Alimentos e Água.

O Hospital Veterinário tem alas específicas para atender pequenos e grandes animais e animais silvestres.

Hoje o campus possui ampla infraestrutura, planejada segundo conceitos de sustentabilidade e acessibilidade. Foto: Marcos Solivan – Sucom/UFPR

Algumas construções são destinadas a estudos e pesquisas na área animal, como o aviário, o Centro de Estudos em Pequenos Ruminantes, o laboratório de suínos e o recinto para treino de voo de pássaros em recuperação.

Há também estufas de plantas, pomar, área para cultivo de plantas medicinais, e demais áreas abertas de pesquisas.

Além disso, a estrutura da biblioteca e outras unidades contribuem para a rotina acadêmica em Palotina.

A parte de lazer abrange campos de futebol, área do bosque com trilha iluminada e uma quadra de vôlei de areia construída recentemente.

Toda a distribuição elétrica do Setor Palotina é subterrânea e há acessibilidade nos espaços, com rampas e travessias elevadas. A sustentabilidade está presente em pavimentos que permitem a maior permeabilidade do solo, e cisternas de captação de água da chuva, utilizada em jardins, vasos sanitários e limpeza de calçadas.

A iluminação das ruas é feita por meio de postes com placa solar, que funcionam a partir de um sistema misto de energia solar e energia elétrica.

O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Aquicultura Sustentável do Setor Palotina localiza-se na cidade de Maripá e a Fazenda Experimental foi recentemente incorporada ao patrimônio da universidade.

Há também áreas para os centros acadêmicos e Atlética.

O Restaurante Universitário possui 250 lugares e foi inaugurado em 2015. No ano passado, mais de 270 mil refeições foram servidas, entre café da manhã, almoço e jantar.

A área total do Setor, incluindo a fazenda e outras instalações, abrange 571 mil metros quadrados, com mais de 18 mil metros quadrados de área construída.

 

Programação 25 anos

O Jubileu de Prata será comemorado durante toda a semana, de 12 a 16 de março. Confira a programação completa:

12/03 – 19h Culto Ecumênico
Local: Estacionamento do Bloco IV

13/03 – 9h Plantio simbólico de Ipê Roxo
Local: Setor Palotina

13/03 – 20h30 Apresentação artística “O Teatro Mágico” – voz e violão, por Fernando Anitelli
Local: ATC

14/03 – 19h Palestra professor Carlos Alberto Faraco – Aspectos iniciais do Setor Palotina
Local: Teatro Municipal

15/03 – 12h Almoço com bolo comemorativo
Local: Restaurante Universitário

15/03 – 19h Aula Magna Reitor Ricardo Marcelo Fonseca
Local: Teatro Municipal

16/03 – 19h30 Cerimonial comemorativo e jantar dançante
Local: ATC

 

Por Aline Fernandes França


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