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Ensino e Educação

Projeto do Setor Palotina cria site sobre ensino de Exatas voltado para deficientes visuais

Aline Fernandes França     18 de dezembro de 2018 - 11h33

O desafio de compreender disciplinas como Matemática, Física e Química torna-se uma tarefa ainda mais complexa para estudantes com deficiência visual. A ausência de material específico está entre as principais dificuldades dos professores para o processo de ensino-aprendizagem.

Pensando nisso, três estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Exatas do Setor Palotina criaram um site sobre o ensino de Exatas, voltado para deficientes visuais. O produto é resultado do projeto “Oficinas de materiais pedagógicos para o ensino e aprendizagem de exatas para deficientes visuais”, coordenado pelas professoras Rita de Cássia dos Anjos e Camila Tonezer.

Antes de iniciar as atividades, as estudantes Ana Paula Carvalho do Carmo, Nayara Talia Barros Barbosa e Thais Cristina dos Santos aprenderam a ler, escrever em Braille e até utilizar programas computacionais de acessibilidade. Ao longo do projeto, as bolsistas passaram a elaborar e adaptar materiais para o ensino de Exatas, voltados a deficientes visuais, como o multiplano em que os alunos podem montar fórmulas de Física e realizar cálculos. Para compartilhar os produtos desenvolvidos e iniciativas semelhantes, surgiu o site “Física em Braille”.

O grupo dedicou-se a pesquisas de materiais mais adequados, sites com acessibilidade e programas. “O aluno deficiente visual está na sala de aula e precisa ser incluído; para isso são necessários materiais específicos. Nosso objetivo foi unir tudo em único lugar para facilitar a vida deles e dos professores da rede pública. Muitas vezes os professores necessitam de materiais, mas não sabem onde encontrar. O site facilita nesse sentido”, comenta a docente Rita de Cássia dos Anjos.

“Nosso trabalho dá suporte para que os professores tornem o ensino mais palpável aos alunos, por meio de materiais pedagógicos. Os materiais que já existem, mas são de difícil acesso. Todo esse processo visa possibilitar aos alunos com deficiência visual uma chance de ter uma educação de maior qualidade, uma chance de inclusão”, avalia a estudantes Ana Paula, que cursa o 4º semestre de Licenciatura em Ciências Exatas.

A página virtual possui várias abas com materiais pedagógicos e artigos de suporte, reunindo conteúdos e informações que encontravam-se fragmentadas na internet. De acordo com Rita, há muitos materiais espalhados pelo Brasil. A proposta do projeto é manter o site atualizado, com versões em inglês e espanhol, e incluir, até mesmo, materiais produzidos em outros países. “Contamos com a participação da sociedade para que nos envie outros sites e materiais que estão sendo desenvolvidos”, diz.

A próxima etapa do projeto é avaliar a utilização em sala de aula para realizar as alterações necessárias, tornando o material o mais acessível possível.

Acesse o site.

Formação acadêmica

Thais Cristina dos Santos, estudante do 5º semestre do curso de Licenciatura em Ciências Exatas do Setor Palotina, participa das atividades do projeto há um ano e meio. “Este trabalho possui extrema importância para a minha formação. Como uma estudante de licenciatura, no futuro possivelmente, terei alunos com deficiência visual e poderei auxiliar na construção do conhecimento para que eles estejam verdadeiramente inclusos”, avalia.

“Acho que todos deveriam ter a oportunidade de participar de um projeto assim, foi a melhor escolha que fiz. Me ajudou a perceber o quanto é importante a inclusão dos deficientes em sala de aula e o quanto eles sofrem pela falta de materiais para o ensino”, diz Nayara Talia, bolsista do projeto.

De acordo com a estudante Nayara, é necessário priorizar a inclusão. “A sociedade precisa conhecer e fazer a inclusão dos deficientes, mostrar que eles têm potencial como qualquer outra pessoa. Não basta apenas estar inserido no meio, é preciso que ocorra a inclusão efetiva”.

Ana Paula conta que o projeto contribuiu para a vivência da inclusão. “Durante minha formação para docência sempre li sobre a importância da inclusão, com este projeto pude ver na prática como promover a inclusão em sala de aula. Tive a oportunidade de aprender a ler e escrever em Braille e, a cada material que adaptamos, pude me aproximar ainda mais da realidade desses alunos”.

Projeto

Iniciado em 2015, o projeto está na segunda edição. “Oficinas de materiais pedagógicos para o ensino e aprendizagem de exatas para deficientes visuais” integra o programa Licenciar, que congrega projetos de cursos de Licenciatura da Universidade Federal do Paraná, e é coordenado pela Coordenação de Atividades Formativas e Estágios (COAFE).

O objetivo do Licenciar é apoiar ações que visem ao desenvolvimento de projetos voltados à melhoria da qualidade de ensino nas Licenciaturas.


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