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Ensino e Educação

Pibid UFPR impacta 5 mil acadêmicos e professores em oito anos; ex-bolsistas já retornam ao programa como professores supervisores

Aline Fernandes França     23 de novembro de 2017 - 17h01

Sair direto da condição de aluno de graduação para a de professor da educação básica nem sempre é uma transição fácil. Para muitos acadêmicos, o estágio obrigatório dos cursos de licenciatura é insuficiente para garantir a formação necessária. Nos últimos 10 anos, um programa do governo federal vem inserindo futuros professores no contexto das escolas públicas já durante a graduação. Na UFPR, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) já beneficiou cerca de 5 mil bolsistas, atingindo mais de 500 escolas e revelando vocações para a docência.

Criado em 2007, o Pibid é visto por muitos especialistas como uma iniciativa de sucesso no aperfeiçoamento da formação de professores para a educação básica.

Por meio do programa, os graduandos desenvolvem atividades didático-pedagógicas nas escolas, com a orientação de docentes da universidade e de professores da educação básica da rede pública de ensino.

Ao longo de sua trajetória, o Pibid fechou um ciclo, formando gerações de professores que hoje já auxiliam na formação de novos acadêmicos.

Everton Grison participou do PIBID Filosofia durante a graduação e voltou ao programa como professor supervisor. Foto: Samira Chami Neves.

 

 

 

É o caso de Everton Grison, formado em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Durante a graduação, o estudante sentia falta de uma vivência mais profunda nas escolas e não teve dúvidas quando surgiu a oportunidade de ingressar no programa. A experiência de acompanhar de perto o trabalho em sala de aula foi a responsável por Everton abraçar a docência. “O Pibid introduz o graduando no ambiente escolar, ajuda no processo todo. Com isso, não sofri o impacto de ser colocado diretamente em uma sala de aula”, relata.

Neste ano, os papéis se inverteram. Grison voltou a integrar o programa, mas agora na função de supervisor – professor da rede pública que participa do Pibid.

As atividades vão desde orientar os graduandos que vivenciam a rotina da escola, até a produção de materiais. “Hoje supervisiono cinco graduandos no programa e tento passar o melhor da minha experiência como professor. Estabelecemos um laço forte entre escola e universidade”, diz.

O pró-reitor de Graduação e Educação Profissional da UFPR, Eduardo Salles de Oliveira Barra, afirma que o supervisor é um agente fundamental no processo. “O fato de ex-bolsistas do Pibid voltarem para o programa como supervisores é muito interessante. Eles já vêm com uma capacidade extraordinária na formação dos próximos professores”, descreve. Barra ainda afirma que “isso faz com que o programa tenha crescimento de concepção e qualificação, já que começa a se beneficiar dos seus próprios frutos”.

A atual coordenadora institucional do programa na UFPR, Joanez Aires, lembra que a presença do supervisor nas atividades fortalece a formação. “Temos conosco o professor supervisor, que está com o pé no chão da escola. Juntos conseguimos uma sinergia, mobilizando os saberes de conteúdo e de docência”, explica.

O supervisor também é bolsista e se qualifica durante o programa, com atividades formativas contínuas na universidade. “A voz dos supervisores é levada em conta em todos os processos. Com o Pibid, há uma tentativa direta da universidade de se aproximar do ambiente escolar, pensando juntos, por meio de um diálogo direto e franco, sobre como melhorar o ensino”, avalia Grison.

Os professores apontam que a interação entre universidade e escola também transforma o processo de ensino aprendizagem. “O professor supervisor modifica a sua forma de ensinar a partir da sua participação no Pibid. Também passam a se interessar em continuar sua formação, uma vez que muitos dos supervisores tornam-se nossos alunos no mestrado e doutorado, voltando para a universidade”, completa Joanez.

 

Relevância do Programa

Oficina realizada pelo PIBID/UFPR.
Foto: Pibid Química

O pró-reitor Eduardo Barra considera o Pibid como o programa mais importante organizado nas universidades brasileiras desde que as instituições assumiram a tarefa de formar professores, na década de 1930. O momento de criação do programa também é considerado oportuno. “O Pibid chegou quando as universidades tinham consolidado uma reflexão sobre a formação de professores, porque inicialmente essa preocupação era delegada apenas às faculdades de educação”, explica.

A coordenadora Joanez acompanha a trajetória do Pibid na Universidade Federal do Paraná desde o início (2009). Nesse período, o programa beneficiou aproximadamente 5 mil bolsistas – entre graduandos, professores das escolas e da universidade. “Sou professora há 30 anos e nunca antes presenciei  um programa que de fato impactasse na formação de professores no Brasil”, descreve.

Mariana Lopes Teixeira ingressou no primeiro Pibid Química da UFPR. A experiência durou quatro anos.

A licenciatura é oferecida a nós de maneira fragmentada e, muitas vezes, não específica para a área do curso. Com o Pibid, já nos primeiros anos eu tive a oportunidade de discutir sobre filosofia da ciência, saberes docentes, história da ciência, ensino de química e colocar tudo em prática”, conta.

A egressa da UFPR também compara a vivência do Pibid com o estágio obrigatório. “No estágio não há tempo para acompanhar a turma, dar aula, assistir ao responsável. Já no Pibid a gente faz uma construção e os professores responsáveis participam, eles nos dão liberdade para a vivência em sala de aula. Foi um diferencial para minha formação”, conclui.

Diferencial nas escolas

Desde 2009, o PIBID/UFPR já impactou mais de 500 escolas em Curitiba e no litoral do estado.

O supervisor Everton conta que a chegada do Pibid mudou a dinâmica da escola em que leciona porque a presença dos acadêmicos aproximou a universidade da escola. “Antes, poucos alunos tinham interesse em um curso superior. Com a chegada do programa, houve uma mudança de postura dos alunos, muitos já prestaram vestibular”, diz. “Surgiu uma preocupação em entender a universidade e que o acesso pode ser sim uma chance de relacionamento com o conhecimento e também de ascensão social e profissional”.

Há mais de um ano a acadêmica Robertha Trevisan Buff integra a equipe do Pibid de Geografia. “Já participei de outros projetos, mas o Pibid foi o programa que mais contribuiu para minha formação profissional na área de educação”, afirma.

A estudante da UFPR acredita que o programa também oportuniza o acesso a novas formas de ensino e compreensão a estudantes da rede pública que estudam em regiões periféricas.

O programa de fato contribui para a melhoria da educação em nosso amado país. Inclusive, o Pibid não deveria acabar, mas sim ser ampliado para todos que desejam seguir a nobre profissão de formar cidadãos”, analisa.

De acordo com a coordenadora Joanez, o programa faz o aluno da escola perceber que um dia pode também ser acadêmico da UFPR. “Muitos alunos não vislumbram a universidade na sua vida. Então quando são realizadas atividades do Pibid em que os alunos da educação básica são trazidos para a universidade, bem como, quando veem um bolsista Pibid na sua escola, quase da mesma idade, estudando na UFPR, eles começam a acreditar que também podem estar aqui, que este lugar também pode ser o seu lugar”.

PIBID na UFPR

O Pibid iniciou as atividades em 2007 e chegou a UFPR em 2009.

Em 2015, havia 5.824 alunos bolsistas do programa no Paraná, dos quais 588 na UFPR. Atualmente, em função dos cortes no orçamento da Capes, há 440 bolsistas de iniciação à docência, 66 professores supervisores (professor das escolas) e 35 coordenadores de área (professor universitário). Para 2018, o orçamento ainda está indefinido.

Três eventos anuais do programa acontecem na instituição: “Seminário Institucional do Pibid”, “Conversas com o Pibid” – realizado durante o Siepe – e “Enaf” (Encontro das atividades formativas).

O PIBID/UFPR está em 16 licenciaturas da instituição. As áreas participantes são Química, Física, Ciências, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Artes, Filosofia, Letras-Inglês, Letras-Português, Letras Espanhol, Matemática, Educação Física, Geografia, História, Pedagogia e Interdisciplinar.

Ameaças ao Pibid

O MEC lançou em outubro a Política Nacional de Formação de Professores com o programa chamado “Residência Pedagógica”, que seria uma modernização do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID).

A proposta de alterações na estrutura e na gestão do programa gerou grande preocupação entre os envolvidos no Pibid. Isso porque as mudanças podem trazer a descontinuidade das atividades.

Representantes de universidades paranaenses defenderam a manutenção do programa durante uma reunião com o diretor de Formação de Professores da Educação Básica da Capes realizada na UFPR.

Esse é o primeiro programa que tem trazido tantos resultados positivos. O Pibid está transformando a educação brasileira. Eu estou há oito anos vivendo o Pibid e vejo o que ele faz na vida desses alunos e professores”, defende a coordenadora Joanez.

No dia 15 de outubro, aconteceu o Dia Nacional de Luta pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Os participantes do movimento voltaram a se manifestar no dia 25 pelo fim dos cortes e da ameaça de interrupção do programa.


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