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Ciência e Tecnologia

Pesquisa aponta usos para subprodutos do etanol e da soja

Simone Meirelles     9 de abril de 2018 - 15h25

Prof. Miguel Daniel Noseda (foto Marcos Solivan)

Uma pesquisa muito promissora para o mercado agrícola brasileiro está sendo coordenada pelo professor Miguel Daniel Noseda, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná. O docente e sua equipe de bolsistas, mestrandos e doutorados desenvolveram processos para obtenção de compostos de maior valor agregado a partir da biomassa de levedura excedente da produção de etanol e da soja. Esses resíduos muitas vezes são subaproveitados como fonte de proteínas ou descartados, provocando um problema ambiental.

A pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2010, em parceria com a empresa Bio4 Soluções Biotecnológicas, empresa incubada na Universidade Positivo. No laboratório do professor Noseda, foram desenvolvidos dois processos para transformar farelo de soja e levedura excedente da produção do etanol em produtos com aplicação industrial. Na dissertação da mestra Juliana Teodoro (PPG-Bioquímica), integrante de sua equipe e da Bio4, foi delineado um processo sequencial onde são gerados produtos com aplicação industrial: ribonucleotídeos, que são utilizados como flavorizantes – realçadores de sabor na área da indústria alimentícia, e polissacarídeos da parede celular das leveduras – aplicados como prebióticos e imunoestimulantes na ração animal para melhorar o funcionamento do intestino e diminuir os riscos de infecções. Também foram realizados, com o apoio de outra empresa, a Imunova, incubada no Setor de Ciências Biológicas da UFPR, testes em aves para avaliar as aplicações dos produtos.

O processo sequencial de extração das leveduras para diferentes utilizações gerou um pedido de patente que já está depositado no INPI.

A composição nutricional e alta disponibilidade do farelo de soja, subproduto da produção de óleo de soja, cujo destino usual é a incorporação em ração animal, o tornam uma fonte com potencial de utilização para fins biotecnológicos. A pesquisa desenvolvida na tese da doutora Jenifer Mota Rodrigues, orientada pelo professor Noseda (PPG-Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia), evidenciou que os extratos quimiotransformados de farelo de soja apresentam alto potencial de ligação à Salmonella enterica sv. Typhimurium. Esses resultados demonstram o potencial uso biotecnológico dos extratos obtidos a partir do farelo de soja na prevenção de infecções causadas por bactérias enteropatogênicas, responsáveis pelas infecções do aparelho digestivo. A consequência esperada ao seu uso é a redução da utilização de antibióticos na pecuária, contribuindo de maneira promissora frente ao contexto mundial de aumento da incidência de cepas bacterianas resistentes a antibióticos.  Desta pesquisa também foi depositada no INPI uma patente de invenção.

A expectativa é de que as pesquisas recebam o apoio de investidores para se tornarem produtos comerciais, com consequente impacto ambiental aproveitando subprodutos e resíduos agroindustriais sem afetar o meio ambiente, impacto social gerando empregos nos setores produtivos, e impacto econômico otimizando o uso de matéria-prima no meio produtivo e promovendo a diversidade de produtos na economia.

“É um orgulho ver essas realizações, que se refletem também na qualidade dos cursos de pós-graduação dos quais sou professor orientador do Núcleo Permanente”, diz ele. No ano passado, as pós-graduações em Bioquímica e em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UFPR receberam conceito 7 da Capes, o maior possível.

O professor Noseda é bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além disso, o projeto “Potencial aplicação biotecnológica de leveduras e farelo de soja no controle de doenças entéricas e propriedades prebióticas”, foi contemplado pelo CNPq e recebeu R$ 50 mil em custeio e capital, bem como bolsas de Apoio Técnico a Pesquisa – Nível Superior e de Iniciação Científica.

(Fonte: Portal CNPq)


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