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Ciência e Tecnologia

Nupra-UFPR viabiliza estudos sobre questões tecnológicas e raciais; veja programação da inauguração, em 17/5

Camille Bropp     16 de maio de 2018 - 11h40

Com inauguração marcada para esta quinta-feira (15), no Campus Politécnico, em Curitiba, o Núcleo de Pesquisa de Relações Raciais, Ciência e Tecnologia (Nupra) surgiu por uma demanda manifestada pelos próprios alunos de cursos de engenharia da UFPR. Trata-se de uma união de esforços entre o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neab), ligado ao Setor de Educação, e alunos e professores do Politécnico que sentiram a necessidade de viabilizar estudos que fizessem o cruzamento entre questões raciais e temas ligados à formação tecnológica. Com essa proposta, inédita no Paraná, o núcleo já reuniu, antes mesmo de inauguração oficial, cerca de dez estudantes, sob coordenação do professor Ramón Sigifredo Cortés Paredes, da Engenharia Mecânica.

Entre os temas que os estudantes já abordaram nos trabalhos apresentados em congressos e eventos científicos, estão perfis e percepções de alunos negros que ingressam nos cursos do Politécnico, o acesso de técnicos negros a cargos de liderança e a participação de cientistas e técnicos negros no conhecimento tecnológico. Também são incentivados estudos técnicos dentro das graduações que os alunos cursam — hoje, principalmente Engenharia Mecânica e Engenharia Química.

Alguns integrantes do Nupra: o coordenador, Ramon Paredes; e os alunos de Engenharia Mecânica Milena Cassemiro, Daiane Amorin e Watena N’Tchalá. Foto: Leonardo Bettinelli/Sucom-UFPR

Paredes conta que o núcleo surge para atender a demandas já perceptíveis nos cursos. Com o aumento do acesso de estudantes negros à UFPR, assuntos pertinentes a esse grupo social já se manifestam em diversas situações do cotidiano da universidade, como a presença de alunos que precisam se desdobrar entre trabalho e estudo, por exemplo. Uma delas é o perfil dos novos ingressos das engenharias.

“Quando a política de ações afirmativas da universidade começou, em 2004, as cotas eram preenchidas com muita dificuldade”, lembra. “Hoje, percebemos um aumento grande de mulheres negras que chegam às engenharias, por esse caminho ou não, e os professores sensibilizados com isso entendem que é preciso dar apoio a essas mudanças”, diz Paredes, que ressalta o duplo preconceito a que essas alunas podem estar sujeitas.

Atualmente atuam no Nupra outros dois professores — João Morais da Silva Neto e Hélio Padilha, ambos da Engenharia Mecânica — e uma pesquisadora, Rosa Amália Espejo Trigo, que atua no Neab.

Mobilização

Um aspecto do Nupra que foge à regra da criação de núcleos de pesquisa é o fato de ele ter surgido de uma mobilização de alunos da graduação. “O núcleo mostra uma mobilização que veio de baixo para cima”, conta Watena Ferreira N’Tchalá, de 25 anos, aluno de Engenharia Mecânica e um dos primeiros a publicar trabalhos científicos com esse viés, por meio de uma bolsa de iniciação científica no Neab.

“À primeira vista parece difícil relacionar esses conteúdos, mas estamos conseguindo”, diz. “Sentimos falta de conteúdo para levantar e debater esses temas com a sociedade, já que muitos deles têm a ver com a própria ética profissional do engenheiro”.

N’Tchalá explica que a proposta é que o Nupra seja uma referência tanto de incentivo à pesquisa quanto de acolhimento a alunos negros do Politécnico, sejam eles ou não alvo de ações afirmativas para ingresso na universidade. “Além de facilitar o acesso a esse conteúdos, o Nupra ajuda na iniciação científica dos alunos e aumenta a produção científica da universidade. Todos ganham”.

Para Daiane Amorin, estudante de Engenharia Mecânica de 19 anos que participa do Nupras, o núcleo ajuda a dar visibilidade aos alunos negros, o que tem como retorno o incentivo para participar de ações científicas. “Quando entrei me sentia um tanto isolada dos meus colegas, que tinham histórias muito diferentes da minha. Encontrei no Nupras um lugar onde posso me expressar”, conta.

Um dos trabalhos que Daiane desenvolveu no núcleo foi sobre a inserção de jovens negros nas universidades públicas do Paraná. Já Milena Cassemiro, também de 19 anos, é coautora de um artigo que aborda o acesso de mulheres negros a cargos de liderança, com base em dados do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

SERVIÇO
Inauguração do Nupra-UFPR (Campus Politécnico)
Data: 17/5 (quinta-feira)
Horário: mesa redonda a partir das 13h30; solenidade a partir das 17h30
Local: Auditório de Administração do Setor de Tecnologia (Av. Coronel Francisco H. dos Santos, 100, Jardim das Américas, Curitiba)

Programação

17/5, às 13h30
Mesa redonda “Ações Afirmativas e Contribuições para a Ciência e Tecnologia dos estudantes negros”
Convidados: Anna Maria Canavarro Benite, presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros/as e Coordenadora do Coletivo Negro Ciata; Veronica Calazons, pesquisadora e coordenadora do Neabi-UTFPR; Ivo Queiroz, professor aposentado UTFPR e colaborador do Nupra; Paulo Vinicius Baptista, pesquisador no Neab-UFPR; e Rosa Espejo Trigo, pesquisadora e colaboradora do Nupra

17/5, às 17h30
Solenidade com o tema: Africanos e afrodescendentes no desenvolvimento tecnológico como um todo e no Brasil
Presenças do reitor Ricardo Marcelo Fonseca e do diretor do Setor de Tecnologia, Horacio Tertuliano Filho
Apresentação do Nupra
Programação cultural
Palestra da professora Anna Maria Canavarro Benite com o tema “Protagonismo dos povos africanos no desenvolvimento tecnológico da humanidade”
Coffe Break
Encerramento com apresentação artística no hall

Mais informações no site do núcleo e na página no Facebook.


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