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Mulheres da UFPR: Mariangela Vieira, o desafio de ser mãe e universitária

Superintendência de Comunicação Social     8 de março de 2018 - 14h13

Ser mãe não é fácil. Ser mãe e universitária é mais difícil ainda. É assim que Mariangela Vieira, estudante do terceiro período do curso de Letras-Francês na UFPR, define a sua vida. Com 28 anos de idade, ela é mãe do pequeno Lucas, que tem oito anos e já estuda no quarto ano do ensino fundamental. Ela descobriu que estava grávida aos 19 enquanto cursava jornalismo na Uninter. Mariangela foi pega de surpresa. A estudante resolveu trancar o curso, por achar que não seria capaz de conciliar o estudos com maternidade, mas hoje, dentro da UFPR, ela garante que se arrepende de ter feito essa escolha.

Mariangela se define uma mãe como qualquer outra. “Ser universitária é só um papel a mais que tenho na minha vida”, conta. Ela assume que possui outras prioridades além do campo acadêmico, porque precisa cuidar do filho. Porém, sempre mantém o foco nos estudos, porque sabe que o diploma pode acarretar um futuro melhor para ela e para o Lucas. “Eu gosto muito de estudar na UFPR”, diz. “Eu me sinto à vontade e tenho as oportunidades necessárias aqui dentro, a parte mais difícil é conciliar o tempo”.

O tempo é precioso para Mariangela. Ela trabalha de manhã na Central de Informações da Prefeitura como monitora de qualidade e de noite vem para a UFPR estudar. Ela só consegue ter tempo livre com o filho durante os finais de semana. Às vezes, em sua cabeça, o pensamento de trancar a faculdade e dar dedicação total ao Lucas é tentador, mas ela sabe da importância que um diploma de ensino superior pode ter em sua vida. “O meu futuro está entrelaçado com o do meu filho”, afirma. “Por mais que hoje eu esteja fazendo um sacrifício, tendo que deixar ele com outras pessoas e ficar longe dele, eu tento pensar que é para o nosso bem”.

Durante o período em que ficou com o curso trancado, ela se dedicou exclusivamente a trabalhar para conseguir cuidar do filho. Mariangela, optando por voltar a estudar, escolheu a UFPR pelo fato de ser uma boa universidade e por ser pública, já que ela não teria condições de pagar por uma privada. Ela recebe ajuda da avó do Lucas e do pai, que cuidam dele enquanto ela está fora. E nesse quesito ela se considera uma mulher de sorte. Ela conhece os auxílios que a UFPR possui para as mães que são estudantes da graduação, como o auxílio creche e a brinquedoteca do Setor de Educação disponível no complexo da Reitoria.

Apesar de nunca ter precisado utilizar esse benefícios, ela reconhece que a academia tem um papel importante de acolher as mães universitárias e fazer com que elas se sintam bem dentro do ambiente universitário. “Eu acredito que tem muitas mulheres que são mães que acabam desistindo da universidade por falta de condições”, diz. Algumas mães não possuem um lugar para deixar o filho ou não têm dinheiro para pagar uma babá ou uma creche. “A universidade precisa acolher essas mães para que elas não desistem do estudo”.

Mariangela Vieira, estudante do terceiro período do curso de Letras-Francês na UFPR (foto: Samira Chami Neves, arte: Comunicação Institucional UFPR)

Mariangela Vieira, estudante do terceiro período do curso de Letras-Francês na UFPR (foto: Samira Chami Neves, arte: Pedro Curcel)

A primeira reação das pessoas de seu convívio, ao saberem da gravidez de Mariangela, era um susto inicial, mas ela acredita que seja mais pelo fato dela ser mais nova. Apesar disso, conta que é recebida com muito carinho. “Nunca sofri nenhum preconceito, nunca fui julgada aqui dentro da UFPR por ser mãe, sempre fui muito bem recebida por todos aqui”, relata.

Acolhimento

Mariangela considera o ambiente da UFPR acolhedor em relação às mães. Para poder ter mais tempo com o filho, a estudante consegue pegar menos matérias durante o semestre para ter mais tempo livre. Outro ponto que a motiva muito é o fato de nunca ter tido problemas com os professores, já que eles sempre foram muito compreensíveis com ela. “Inclusive eu sei que se em algum momento eu tivesse que trazer meu filho para assistir aula junto comigo, eu sei que aceitariam tranquilamente”. A estudante acredita que hoje em dia as pessoas entendem melhor a situação de uma mãe solteira. “Estou apenas correndo atrás do meu futuro também”, diz.

No curso de Letras, Mariangela conheceu outras mães também, porém bem mais velhas que ela e que têm filhos mais adultos. Ela também já viu outras mães que trazem o filho para a universidade, sem nenhum problema. Por ter engravidado muito nova, essa relação com outras mães assustavam Mariangela no início, mas hoje, afirma que gosta do convívio que ela tem com essas outras mulheres. “Ter contato com mães que são mais velhas eu acho muito bom, porque elas têm uma experiência e uma sabedoria bem maior do que eu”, conta. Ela fala que, não só dentro da universidade, mas até no lugar onde ela trabalha, essa relação a ajudou muitas vezes a entender o que é ser mãe. Dentre os conselhos, ela recebe muito incentivo para continuar os estudos.

Não desistir é o principal conselho que Mariangela dá para as outras mães que pensam em desistir do curso superior ou que possuem medo de entrar na universidade por serem mães. “Não deixem que as dificuldades do dia-a-dia interfiram no seu sonhos e na pessoa que você quer ser”, conta. Parar, pensar e refletir que entrar em uma universidade vai ser o melhor para a mãe e para o filho.

Auxílios

A Pró Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) disponibiliza o auxílio creche, no valor de R$200,00, para à mãe ou pai que estão matriculados na UFPR e que precisam pagar uma creche para a criança enquanto ele ou ela estão na universidade. Em 2017, eram 16 bolsistas beneficiados pelo auxílio.

Para ter direito ao auxílio, o pai e a mãe não podem ser atendidos pela prefeitura e precisam ter um gasto mensal com creches particulares ou conveniadas. A criança precisa ter 6 anos incompletos e os pais precisam levar, mensalmente, o comprovante de matrícula na creche para a PRAE.

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Por Pedro Macedo


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