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Mulheres da UFPR: Maria do Rosário Knechtel completa 50 anos dedicados ao ensino e a pesquisa

Superintendência de Comunicação Social     5 de março de 2018 - 16h53

No ano de 1968, a Universidade Federal do Paraná recebia no seu quadro docente uma jovem que colocaria seu nome entre as referência no campo da pesquisa da instituição. A socióloga e educadora Maria do Rosário Knechtel começava sua trajetória acadêmica que se desdobraria nas próximas décadas em marcos como a criação dos Programas de Pós-Graduação de Educação (PPGE) e, na década de noventa, no de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Dema), o primeiro a tratar desta temática no Brasil.

Knechtel trazia na bagagem uma experiência inicial muito frutífera no campo da produção de conhecimento, um projeto que desenvolveu como professora do curso normal ainda na cidade de Ponta Grossa. Ela coordenou suas alunas na busca de traçar um panorama do contexto socioeducacional da época. A experiência seria apenas o primeiro passo de uma trajetória de décadas dedicadas ao contínuo aperfeiçoamento no campo da metodologia da pesquisa.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves

Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

Foi pelas mãos de outras duas mulheres que a professora adentrou ao mundo acadêmico. A primeira delas foi a professora Maria Olga Mattar, a quem teve oportunidade de conhecer durante o curso de graduação, que fazia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Mattar percebendo o potencial de Knechtel a apresenta para Zélia Miguel Pavão, ambas já eram docentes na UFPR, em uma época em que as mulheres começavam a adentrar nos espaços acadêmicos.

Zélia, que foi a primeira mulher a defender uma tese de doutorado de estatística no Brasil, coordenava um grupo de estudos sobre metodologia da pesquisa. Knechtel conta que este grupo seria muito importante na sua projeção como acadêmica, pois durante o mestrado iniciado na Universidade de São Paulo (USP) a faria se destacar entre os estudantes.

“A experiência no grupo da Zélia nos valeu muito, nós nem tínhamos terminado a dissertação e nos convidaram para cursar as disciplinas no doutorado. Isso acelerou a nossa formação na pós-graduação. Depois soubemos da abertura da seleção na Universidade Federal de Santa Maria, onde concluí o doutorado” conta a pesquisadora.

Pioneira da pós-graduação

Outra conquista foi a participação na organização do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPR, hoje um dos mais tradicionais da instituição. Era apenas o primeiro, nos próximos anos seria convidada a contribuir com a criação de cursos de pós-graduação em várias universidades entre elas a de Ponta Grossa (UEPG), de Blumenau (FURB) e de Joinvile (UNIVILLE).

Certamente o projeto com que mais se envolveu foi a criação do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (Dema) da UFPR. Dos seus 50 anos de UFPR metade dedicou a este trabalho.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves

Obras publicadas – Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

O programa, primeiro do Brasil a tratar da temática, foi fundado em 1993 tendo a coordenação dos professores Claude Raynaut e Magda Zanoni, da cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco). “Não tínhamos praticamente nada sobre Meio Ambiente aqui no Brasil e pediram que nós sugeríssemos uma ementa. Quando viram a proposta que eu fiz, a professora Magda disse que eu deveria fazer parte do corpo docente do programa” relembra Knechtel.

A experiência da professora foi essencial ao explorar um campo novo e multidisciplinar. “Todos nós já tínhamos consciência de que deveríamos ter um quadro de professores com qualificações diversificadas. Escolhemos como princípios a sustentabilidade e a interdisciplinaridade, numa época em que estavam apenas começando as preocupações científicas e metodológicas com a interdisciplinaridade”, afirma.

Um dos acontecimentos que lembra com carinho foi a oportunidade de apresentar ao sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin, uma das principais referências das linhas de pesquisa do Dema, os resultados obtidos pelo programa.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves

Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

“Mostrei como nossos alunos do doutorado estavam entendendo e aplicando a interdisciplinaridade e já dando o salto para o transdisciplinar. Foi muito interessante ouvir os comentários sobre a apresentação, tanto de Morin quanto do Saturnino de la Torre [pesquisador espanhol da Universidade de Barcelona]. Eles apreciaram muito os resultados alcançados” lembra Maria do Rosário. O encontro com Morin, foi um dos pontos altos da carreira da professora que conta ainda com dois pós-doutorados, um pelas Universidade Complutense de Madri e Universidade de Barcelona e outro pelas Universidades de Karlsruhe e de Berlim.

Na ativa

Mas se engana quem pensa que a professora, com mais de 80 anos, está apenas colhendo os louros deste trabalho. Knechtel continua em atividade como pesquisadora e orientadora.

Atualmente ela trabalha em dois projetos de pesquisa. No primeiro, a professora desenvolve um estudo entitulado “Cultura e Educação: interfaces com a Multi-interculturalidade e Dignidade Humana na América Latina”. O projeto, coordenado pelo professor Dimas Floriani, também do Dema, integra uma rede de pesquisadores ligados à Casa Latino-americana (Casla) e Congresso de Cultura e Educação para a Integração da América Latina (Cepial), que envolve universidades do México, Colômbia, Chile e Brasil. O objetivo é compreender as dinâmicas entre sociedade, cultura e meio-ambiente no contexto de nosso continente.

Outro projeto, uma interface com a área do direito, chama-se “Justiça Restaurativa- uma Prática Sócio-educativa para o Jovem-Adulto em Conflito com a Lei”. Em parceria da UFPR com o Tribunal de Justiça do Paraná e o Cepial, o estudo busca compreender a aplicação de medidas que possibilitem ao jovem em conflito com a lei ser reintegrado à sociedade.

A professora não cansa de explorar novos caminhos, seu mais novo desafio é orientar o trabalho da doutoranda Ana Lizete Farias. Com o título “A emergência do saber ambiental numa perspectiva psicanalítica”. A perspectiva da psicanálise ainda não havia sido explorada pela professora que afirma que o trabalho deve trazer uma contribuição importante para a Educação Ambiental, ao desvendar sua relação com a teoria freudiana.

Entre os livros publicados pela professora destaca-se as obras “Educação Ambiental – Epistemologia e Metodologias”, “Educação Permanente: Da reunificação Alemã e Reflexões e Práticas no Brasil”, “Metodologia da pesquisa em educação – uma abordagem teórico-prática dialogada”.

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