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Ex-reitor Carlos Faraco: centenário da UFPR remete à criação genial da sociedade paranaense

Maria de Lurdes Welter Pereira     3 de dezembro de 2012 - 9h56

A Assessoria de Comunicação Social começa uma série de entrevistas com pessoas que contribuíram para que a UFPR se tornasse a instituição que é hoje, com reconhecimento não só no Brasil como internacionalmente, através de centenas de convênios com instituições de outros países. Uma comunidade de mais de 40 mil pessoas, entre universitários, estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e professores.

O primeiro depoimento é de Carlos Alberto Faraco, que dirigiu a UFPR de 1990 a 1994. Doutor em Linguística, mesmo depois de aposentado Faraco continuou orientando pesquisas na pós-graduação. Hoje, o professor titular de Língua Portuguesa está afastado das funções acadêmicas e conta o orgulho que sente de pertencer à comunidade da UFPR.

Ex-Reitor Faraco quando estava na ativa. Foto arquivo ACS

“Para mim, foi muito honroso ocupar o cargo de reitor da UFPR porque pude sentir que estava dando continuidade à saga dos seus fundadores. Acredito que qualquer pessoa que acompanhe a história da UFPR se emociona com a garra com que a instituição foi criada e mantida apesar de todas as dificuldades que surgiram em seu caminho. É muito interessante ver como, desde o início, a sociedade paranaense assumiu o projeto da universidade. Empenhou-se em sustentar a instituição, mesmo quando uma lei burra determinou seu desmembramento; lutou por sua restauração e, depois, pela sua federalização.

No período 1990-94, procuramos cumprir várias metas, pensando no futuro da UFPR a longo prazo, apesar das inúmeras restrições orçamentárias e financeiras do período. Acredito que vivemos, naquele período, um ponto de inflexão importante: deixamos para trás os traumas da reforma universitária de 1968, principalmente o viés tecnocrático que ainda embaraçava as ações da Universidade e pudemos assentar as bases para o desenvolvimento mais intenso das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão. Fizemos uma reestruturação da administração central de modo a deixar mais claras as responsabilidades pelo cumprimento das tarefas-meio e o apoio às tarefas-fim. Criamos uma política de gestão de pessoal, impulsionamos a institucionalização da extensão, fortalecemos a editora e os grupos artísticos, criamos o Festival de Inverno e o Campus de Palotina (buscando assim cumprir o projeto de interiorização das universidades federais), retomamos, depois de 25 anos, a expansão da base física da Universidade com o início da consolidação do campus do Jardim Botânico, entre outras muitas ações que ainda repercutem na vida da instituição.

Ex-Reitor

Foi um período de grandes desafios políticos para a sociedade brasileira, o que, obviamente, repercutiu na própria Universidade. Tínhamos o primeiro Governo Federal eleito diretamente depois de quase 30 anos, mas realizando um projeto de gestão atabalhoado e autoritário. Seu mal pensado e pior executado projeto de reforma do Estado, por exemplo, nos trouxe enormes dificuldades. Felizmente, à época, os reitores das federais resistiram em bloco e não só evitaram o desmonte do sistema universitário federal como conseguiram paralisar o desastre anunciado. Em seguida, o Governo Federal entrou em rápido processo de deterioração política que resultou no impeachment do presidente da República. Tivemos em dois anos quatro ministros da Educação. Vivíamos sobressaltos quase cotidianos com mudanças súbitas de orientação político-administrativa do MEC. Foi também o momento do movimento dos “caras-pintadas” que, constituído basicamente pela juventude estudantil, contribuiu muito para a mobilização social pró-impeachment.

Minha memória do período 1990-94 guarda, portanto, imagens de um tempo muito difícil, mas, por outro lado, de um tempo muito positivo pela resistência dos reitores, pela mobilização da sociedade e, internamente, pelo trabalho de uma equipe afinadíssima e empenhadíssima em fazer uma boa gestão, pensando sempre a Universidade a longo prazo, ou seja, no futuro desta criação genial da sociedade paranaense que completa agora seu primeiro centenário.”


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