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Ciência e Tecnologia

Entrevista: Elisa Orth, pesquisadora do Departamento de Química, ganha Prêmio Para Mulheres na Ciência

Jéssica Maes     11 de agosto de 2015 - 16h16

A professora colabora em diversos grupos de pesquisa e laboratórios da UFPR. Imagem: Arquivo pessoal

A professora colabora em diversos grupos de pesquisa e laboratórios da UFPR. Imagem: Arquivo pessoal

Na tarde da última segunda-feira, dia 10, a L’Oréal Brasil anunciou as sete vencedoras da 10ª edição do Prêmio Para Mulheres na Ciência, único programa brasileiro voltado às mulheres cientistas, realizado em parceria com a UNESCO no Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Dentre elas, está a professora Elisa Orth, pesquisadora do Departamento de Química da UFPR e coordenadora do Grupo de Catálise ​e Cinética (GCC). O prêmio reconhece a qualidade do currículo e o potencial de suas pesquisas, sendo que as homenageadas recebem uma bolsa-auxílio de US$ 20 mil (convertidos em reais), para dar prosseguimento às suas pesquisas.

Selecionada entre mais de 400 projetos inscritos nesta edição, com seu estudo Elisa Elisa busca desenvolver novos catalisadores que acelerem eficientemente diversas classes de reações químicas. Uma potencialidade é obter enzimas artificiais que poderiam ser usadas para resolver problemas genéticos — relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Outro interesse de aplicação é destruir substâncias químicas nocivas à saúde humana, presentes em muitos agrotóxicos ainda utilizados no Brasil. O objetivo, no futuro, é obter novos materiais multifuncionais que possam atuar como enzimas artificiais e ajudar no tratamento de doenças genéticas e ainda eliminar/monitorar substâncias nocivas, tornando os alimentos mais saudáveis e seguros, sem comprometer sua qualidade.

É bacharel, mestre e doutora em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas realizou seu pós-doutorado, na mesma área, na UFPR. Em 2012, recebeu o Grande Prêmio CAPES de Tese Milton Santos na área de Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar Materiais e Biotecnologia.  Além de sua atuação na coordenação do GCC, também colabora com os grupos de Química de Materiais; e de Pesquisa em Macromoléculas e Interfaces; além dos laboratórios de Síntese Química e Enzimática e Ressonância Magnética Nuclear. Por fim, ao lado dos professores Orliney Guimarães e Camila Silveira da Silva, colabora na área de ensino da Química. E isso tudo com apenas 31 anos.

Conversamos com a pesquisadora sobre seu trabalho dentro e fora do laboratório, incentivando adolescentes a mergulharem no mundo da ciência.

– Como foi a sua experiência com o Prêmio Para Mulheres na Ciência?
É indescritível. Desde nova estou no meio acadêmico, pois ajudava meu pai com seus experimentos durante seu doutorado em Agronomia, então eu sempre soube que queria seguir carreira de pesquisadora. Apesar de ser muito desafiador trabalhar com pesquisa, sinto-me completamente realizada fazendo isso e ter esse reconhecimento só me inspira mais e reafirma que estou no caminho certo. Acompanho esse prêmio desde nova, sempre achei o máximo e, claro, sonhava com isso. Considero esse prêmio uma das minhas maiores realizações, que foi, é e será um dos pilares da minha trajetória científica. Finalmente, dedico esse prêmio aos meus alunos! Tanto os alunos que dei aula, que sempre me inspiraram, quanto os alunos que já fizeram e fazem parte do meu grupo de pesquisa, pois são eles os verdadeiros responsáveis pelos resultados que temos tido. Orgulho-me muito deles e sem excelentes alunos, nada disso seria possível.

– Para você, qual a importância de ter uma premiação que reconheça o trabalho de pesquisa feita por mulheres?
Acho essencial para a ciência nacional e mundial que se reconheça a pesquisa feita por mulheres para acabar com estigmas e ajudar o crescimento da ciência como um todo, que pode ser feito por todos, sem distinção de gênero. Acredito que esse tipo de premiação, além de inspirar muitas meninas que sonham em fazer em pesquisa, também divulga a ciência de qualidade que vem sendo feito no Brasil.

– Você desenvolve um projeto de extensão voltado para jovens do ensino médio que visa incentivar o interesse pela Química. Como tem sido desenvolver esse trabalho?
É muito gratificante, pois tentamos divulgar a pesquisa de forma que todos possam entender e eles realmente ficam entusiasmados. Ainda buscamos desenvolver experimentos para demonstrar aspectos da Química e mostrar como ela é fascinante. A gente traz os alunos para o nosso departamento e ainda vamos aos colégios para dar palestras e ilustrar os experimentos. Acho que precisamos investir nos nossos jovens, porque eles são nosso futuro e precisamos os inspirar a enxergar quanto a ciência pode fazer por nós.

– Você acha que há menos incentivo para as mulheres seguirem áreas das Ciências exatas do que há para os homens?
Não necessariamente. Acho que muitas meninas acabam não indo para área de exatas pois se cultuou muito que os homens têm mais facilidade na área de exatas, mas acho que isso está passando. De fato, temos muitas garotas cursando cursos de Exatas atualmente e ainda muitas que fazem pós-graduação e seguem na vida científica. Acho que é uma questão de mostrar as possibilidades para as meninas no ensino médio, fundamental, que podem acabar demonstrando grande afinidade por essas áreas. Na verdade, a ciência merece ser compartilhada com todos, meninas e meninos, e certamente muitos irão se fascinar. Como disse Carl Sagan “Não explicar a ciência parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo mundo”.

– Já tem planos para o destino do valor que receberá pelo prêmio?
Sim, quero consolidar meu grupo de pesquisa. Ainda sou recente na UFPR, então preciso estruturar meu laboratório com equipamentos e reagentes. Ou seja, dar melhores condições para meus alunos trabalharem e permitir que possamos continuar fazendo pesquisa de boa qualidade.

Para conhecer mais sobre o trabalho da professora Elisa, visite o site do seu grupo de pesquisa: www.quimica.ufpr.br/elisaorth.


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