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80 anos: Conheça iniciativas do Setor de Ciências Biológicas que contribuem para o desenvolvimento social e científico

Aline Fernandes França     5 de dezembro de 2018 - 15h07

O Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná completou 80 anos no mês de novembro. Com 11 departamentos e 12 Programas de Pós-Graduação, o Setor é responsável por 30% da produção científica da instituição.

Em uma série de matérias preparada pela Superintendência de Comunicação da UFPR, vamos mostrar algumas das contribuições de docentes, pesquisadores e estudantes das Ciências Biológicas para a sociedade e para o desenvolvimento da ciência brasileira e mundial, nas mais diversas áreas.

 

Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade

Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade. Foto: Nicolle Schumacher

Dentro de uma pequena porta do prédio do Setor de Ciências Biológicas, um valioso trabalho traz esperança de vida para quem espera por um transplante de medula óssea. O espaço abriga o Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade (LIGH) da UFPR, que realiza exames para o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Redome.

Os dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) apontam que a chance de encontrar um doador de medula óssea compatível é de uma em 100 mil. É nesse vasto universo de possibilidades que a consulta de cadastros do Redome torna-se fundamental para quem precisa encontrar a cura.

Credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o LIGH-UFPR recebe as tipagens para o cadastro. São realizados em média 350 exames mensais, conforme critérios estabelecidos pelo próprio Registro Nacional.

O laboratório também é conhecido pelo trabalho pioneiro de conscientização de doadores voluntários. Por meio de um projeto de extensão, profissionais, docentes e estudantes da UFPR passaram por diversos segmentos da sociedade para conquistar novas doações. “No início dos anos 2000, a equipe atuava em praças e empresas. Fizemos até uma peça de teatro e trabalhamos em parceria com o Hemepar”, conta a coordenadora do laboratório, Maria da Graça Bicalho.

Atualmente, o LIGH também é o laboratório de referência do Hospital Erasto Gaertner, realizando exames de compatibilidade para os casos de transplante com doador da própria família.

Coordenadora do LIGH, professora Maria da Graça Bicalho. Foto: Nicolle Schumacher

Os profissionais do LIGH – biológos e bioquímicos – são egressos da UFPR e contratados por meio do convênio com o hospital. “Com o recurso proveniente do Ministério da Saúde pagamos a equipe técnica, investimos na estrutura, compramos reagentes para manter a rotina e parte é destinado para um fundo de pesquisa para trabalhos científicos. É uma atividade revitalizadora”, avalia a docente Maria da Graça.

A unidade funciona como laboratório clínico e de pesquisa. Os equipamentos são disponibilizados para atividades de projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado.

“Nosso laboratório, efetivamente, faz ensino, pesquisa e extensão e gera recurso investido na própria universidade, para expansão em mais pesquisa”, diz Maria da Graça. “Um laboratório da universidade engajado na realização de exames tão relevantes para atender pacientes que precisam de um transplante, além do envolvimento com a conscientização, é inegável o retorno que damos para a comunidade do tipo de trabalho que fazemos aqui”, conclui a pesquisadora.

 

Conhecimento aplicado à agricultura

Em mais de três décadas de trajetória, o Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio (NFBN) da Universidade Federal do Paraná tem contribuído significativamente para a redução do uso de fertilizantes na agricultura. Sementes de milho e trigo inoculadas com bactérias da espécie Azospirillum brasilense, desenvolvidas nos laboratórios do NFBN, têm sido utilizadas em várias regiões do País desde 2009. A aplicação de inoculantes contendo estirpes dessas bactérias gera economia de milhões de dólares para a agricultura em tais culturas.

“A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) diz que, quando o agricultor usa pela pela primeira vez nossas bactérias, ele volta a usar nos outros anos porque vê o resultado”, explica o pesquisador Fábio de Oliveira Pedrosa, que lidera o Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio da UFPR.

Docente da instituição desde 1971 e aposentado há 15 anos, Pedrosa é reconhecido em todo o Brasil e internacionalmente pelas pesquisas na área de fixação de nitrogênio. “Começamos na pesquisa básica e chegamos até o fornecimento de bactérias, licenciando e fornecendo para indústria. As bactérias com que trabalhamos contribuem com a fixação de nitrogênio nas plantações e exercem o controle biológico, reduzindo a incidência de pragas, e aumentando a resistência à seca e a produtividade”, afirma.

O trabalho no Núcleo começou em 1984 ao lado dos docentes Liu Un Rigo e Shigehiro Funayama, após retornar do pós-doutorado na Inglaterra. Nove professores e cerca de 60 pesquisadores, entre acadêmicos, mestrandos, doutorandos e pós-doutores, atuam no NFBN. O trabalho em cooperação com instituições nacionais e estrangeiras tem contribuído para a evolução das pesquisas e intercâmbio de estudantes, que fazem estágio na modalidade sanduíche em países como Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos.

Os grandes projetos começaram na década de 1990, com a coordenação do professor Pedrosa. O programa Finep/BID destinou cerca de US$ 700 mil para os estudos e, mais tarde, o Programa Nacional de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) direcionou outros US$ 2,6 milhões ao projeto realizado em rede, liderado pelo docente.

Foto: Marcos Solivan

Entre os anos de 2001 e 2005, Pedrosa coordenou o Programa Genoma do Paraná (Genopar), primeiro a realizar o sequenciamento genômico de uma bactéria fixadora de nitrogênio no estado – a Herbaspirillum seropedicae. Financiado pelo fundo Paraná de Ciência e Tecnologia e pelo CNPq, o projeto pioneiro envolveu 12 laboratórios e 130 participantes. Com o Genopar, além da UFPR, quatro universidades estaduais, o IAPAR, a Embrapa Soja, e a UFSC receberam equipamentos para pesquisa de ponta em Biologia Molecular.

O genoma do H. seropedicae foi completamente sequenciado e publicado, e é referência em bancos de estudos internacionais. “É por meio desse tipo de trabalho que podemos enxergar o potencial genético de bactéria e outros organismos. O sequenciamento é extremamente importante para ter essa fotografia genômica e você poder manipular esse potencial por técnicas de biologia molecular, melhorando a bactéria para benefício da humanidade”, explica o pesquisador.

As pesquisas em rede continuaram com o Programa Institutos do Milênio e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fixação Biológica de Nitrogênio (INCT-FBN), que desenvolveu trabalhos em fixação biológica de nitrogênio entre 2008 e 2015. Os dois projetos foram financiados CNPq.

“O meu ideal era trabalhar em fixação de nitrogênio e chegamos em um ponto muito bom. Isso é positivo não só pelo trabalho científico, mas pela formação de recursos humanos”, diz. “No Brasil, formar recursos humanos é algo de extrema importância, nossos alunos estão em universidades e institutos de pesquisa no Brasil e no mundo. Eu me sinto realizado”, conclui.

 

Patologia a serviço da sociedade

Ao cursar disciplinas do setor de Ciências Biológicas, Vanete Soccol se apaixonou pelas ciências básicas. Médica veterinária de formação, no ano de 1978 a docente ingressou no mestrado em Bioquímica, já então reconhecido pela Capes como um curso de excelência. A carreira como professora da UFPR teve início dois anos mais tarde, no Departamento de Patologia Básica, de onde acompanhou e participou da evolução do setor.

Professora Vanette Thomaz Soccol. Foto: Leonardo Bettinelli

“Tivemos muitos professores de destaque nacional e internacional, como os professores Glaci Terezinha Zancan, Metry Bacila, Freire Maia, Padre More, entre outros, que eram espelhos para os mais jovens, que foram assumindo a liderança científica, como professor Fábio Pedrosa, professora Maria Luiza Peltz e muitos outros”.

Vanete conta que ao chegar na França para o doutorado, em 1989, comprovou que as pesquisas realizadas na UFPR já eram reconhecidas internacionalmente. “O coordenador do programa disse que conhecia o programa de Bioquímica da UFPR. Foi uma honra ouvir aquela declaração e como brasileira me senti confiante”.

Pesquisas na área de Leishmania e leishmaniose fizeram parte da trajetória da professora. Os estudos levaram à criação da rede Leishpar, formada pela UFPR e universidades estaduais. Além da vigilância epidemiológica do número de casos da doença, a rede desenvolveu métodos diagnósticos para Leishmania e leishmaniose.

“Muitos alunos foram formados nesta linha de pesquisa. Fizemos diagnósticos para hospitais, postos de saúde ou mesmo por busca ativa em trabalhos de extensão”, revela Vanete, que coordenou a rede.

A Leishmaniose é transmitida pela picada de insetos que tenham picado, anteriormente, um animal contaminado. Os estudos permitiram o depósito de duas patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), visando desenvolvimento de vacina para leishmaniose tegumentar e leishmaniose visceral e para um kit diagnóstico.

A rede participou ainda, a convite da Organização Pan-Americana da Saúde, de um projeto internacional para traçar o surgimento e a disseminação da leishmaniose nas fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai, Bolívia e Uruguai. “O projeto foi financiado pelo Canadá e demonstramos a dispersão da leishmaniose visceral e sua entrada no Paraná pela tríplice fronteira”, conta.

Em outro trabalho, realizado junto à Sanepar, o grupo da UFPR padronizou a metodologia para pesquisa de ovos de helmintos e cistos de protozoários em lodo de esgoto e água. Os resultados do projeto foram publicados em livros, manuais e artigos científicos sobre métodos de análises microbiológicas e parasitológicas para avaliação do uso do lodo em reciclagem agrícola e a reciclagem de biossólidos, transformando problemas em soluções.

“Graças a nossas pesquisas mostramos que a população brasileira tem índice de infestação por helmintos muito maior que os países desenvolvidos e que precisamos tratar o lodo de esgoto antes de dispersá-los no solo, pois alguns ovos de helmintos podem manter-se infectantes por mais de sete anos. Contribuímos para que houvesse redução do risco de infecção por helmintos na população humana e animal”, explica.

O grupo também integrou debates referentes à normatização da reciclagem agrícola de lodo no estado do Paraná e depois no Brasil. “Participamos dos subgrupos com discussão sobre a redação destes temas na resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama 377) para a norma brasileira”.

De acordo com a docente ainda há muito a ser produzido pelas pesquisas, mas os resultados alcançados até agora são de alta relevância para a ciência e a sociedade. “Apontamos os caminhos e aumentando as áreas saneadas haverá redução e morte por doenças diarreicas, solução que já deveria ser acontecido no século XIX”.

Por Aline Fernandes França


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