Universidade Federal do Paraná

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Centenário da UFPR

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Discursos:
Confira abaixo a íntegra do discurso de posse do reitor Zaki Akel Sobrinho, lido no dia 19 de dezembro de 2012, durante cerimônia dos 100 anos da Universidade Federal do Paraná no Teatro Guaíra.
Que noite maravilhosa ! Quanta emoção ! Que privilégio estar aqui hoje !

Com imensa honra e enorme responsabilidade assumo hoje o cargo de Reitor da Universidade Federal do Paraná para o período 2012/2016. Ser o Reitor do Centenário, tendo a ventura de, juntamente com o Vice-reitor Rogério Andrade Mulinari, finalizar os 4 últimos anos do 1º Centenário e por vontade da nossa comunidade escrever as primeiras páginas do 2º Centenário é uma imensa honra e um gigantesco desafio. Desafio que só poderá ser vencido se esta for uma obra coletiva, um trabalho de milhares de mãos, de cérebros e de corações!!! E aproveito para já convidar a todos os membros da nossa comunidade universitária a estarem conosco nesta caminhada rumo ao futuro, em direção a um país mais justo e desenvolvido social e economicamente.

Peço também o apoio (que nunca tem nos faltado) de todos os nossos parceiros institucionais: as organizações representativas da sociedade, os órgãos de governo Municipal, Estadual e Federal, além de nossas bancadas parlamentares nos 3 níveis.

Nesta solenidade personifico o trabalho, a dedicação, o talento e a obstinação de todos que dirigiram esta Universidade, como nossos reitores aqui presentes e que espelham as qualidades da nossa valorosa e apaixonada comunidade de mais de 40.000 pessoas, entre docentes, técnico-administrativos e estudantes, a quem prestamos nosso reconhecimento e homenagens.
E ser reconduzido a este elevado cargo na solenidade de celebração do centenário da nossa Universidade é um extraordinário privilégio que Deus me concedeu!

A Universidade Federal do Paraná, um orgulho dos paranaenses, construída desde sua fundação sob o signo da determinação e ousadia, definiu uma identidade para o povo do nosso estado, tem um século de contribuição para o desenvolvimento Social, econômico, científico e cultural do Paraná, proporcionando a emancipação intelectual sonhada por seus fundadores, liderados por Victor Ferreira do Amaral e Silva e Nilo Cairo da Silva. Aqui formamos os maiores talentos em diversas áreas, profissionais-cidadãos que transformaram nossa sociedade, além da vigorosa participação na preparação das licenciaturas, de quadros docentes para as demais universidades e faculdades do estado e do país.

Apoiamos a criação da UNILA (contando com a participação decisiva da Usina de Itaipu) e do IFPR e demos uma sólida contribuição no campo da pesquisa, desenvolvimento e inovação, ocupando posição de destaque no cenário nacional.

Temos grandes projetos de extensão, o maior deles o nosso querido Hospital de Clínicas, que há 51 anos faz ensino, pesquisa e assistência, além da Maternidade Victor Ferreira do Amaral, dos hospitais veterinários, das estações experimentais, do Celin, do Núcleo de práticas Jurídicas, da Clínica Odontológica, do Centro da Visão, dentre outros.

Na cultura, nossos museus e grupos artísticos tem feito um trabalho de difusão cultural que se soma ao Festival de Inverno e outros eventos.
Temos sido protagonistas nas discussões e propostas de todos os temas relevantes para a sociedade, com destaque para os debates sobre o PNE em 2011 e o Fórum pela Verdade, Memória e Justiça em 2012. Fomos pioneiros nas políticas de inclusão social e na ocupação das vagas ociosas, com fortes políticas de assistência estudantil, beneficiadas pelo PNAES.
Temos feito um grande trabalho de internacionalização com mobilidade, cooperação acadêmica e participação em redes universitárias.

Em resumo, a UFPR é uma obra coletiva de várias gerações que tem transformado o estado do Paraná. Somos uma grande e pujante Universidade, das melhores do país, e chegamos ao centenário absolutamente contemporâneos e preparados para os desafios que nosso país e nosso estado nos apresentar. Nos constituímos em um poderoso exército de transformação social, dispostos a cumprir nossas tarefas na implementação do novo Plano Nacional de Educação, que pela sua ousadia e estrutura orgânica nos permitirá construir um novo Brasil. Dedicar-se de corpo e alma a esta missão é o nosso compromisso.

Quero agora expressar uma série de agradecimentos começando pelo governo federal, nas pessoas do presidente Lula e Dilma e seus Ministros de Educação Fernando Hadad e Aloísio Mercadante, por colocarem a educação como prioridade e projeto estratégico para o futuro do Brasil. Faço isso na pessoa do secretário Amaro Lins que muito nos honra com sua presença. Tenho que agradecer também de modo especial aos ministros paranaenses Paulo Bernando e Gleisi Hoffmann, apoiadores permanentes e comprometidos com a UFPR, com o HC e com a estabilidade do quadro Funpar. Agradeço também a bancada federal do Paraná por suas emendas e apoio continuado.

Agradeço aos meus colegas reitores, componentes da Andifes, pelo importante papel de defesa do ensino superior em nosso país. Quero agradecer ao governador Beto Richa, ao vice-governador Flávio Arns e a equipe de secretários pelas inúmeras parcerias e ações conjuntas feitas em prol do povo do Paraná.
Agradeço também ao prefeito Luciano Ducci em especial pelo projeto de iluminação do prédio histórico que vamos entregar à Curitiba.

Quero agradecer aos meus companheiros de gestão, professor Rogério Mulinari, a equipe do gabinete, os pró-reitores, assessores, diretores de setor e dirigentes de órgãos suplementares e aos dirigentes da FUNPAR e membros dos conselhos superiores. Agradeço também a comunidade da UFPR pela sua dedicação e pelo apoio a nossa reeleição e ao nosso trabalho. Agradeço também de modo muito especial aos membros da Comissão Executiva do Centenário pela dedicação e empenho neste calendário de um ano de comemorações tão calorosas.

Quero agradecer a minha família (minha esposa Deise, filhas Samia e Gisah e genros, a meus irmãos que aqui representam a presença afetiva de meus pais Naim e Lourdes) pelo suporte indispensável para o cumprimento da nossa missão e ao carinho e inspiração constantes. Agradeço a Deus pela força, proteção e iluminação nessa jornada.

Quero terminar fazendo uma profissão de fé na educação como maior instrumento de transformação social que uma nação possui. Provamos que é possível realizar a expansão do ensino superior mantendo a excelência acadêmica.

Precisamos agora avançar na articulação com os demais níveis de ensino, nas políticas de valorização das carreiras de docentes e técnico-administrativos (quadro de EBTTs nas Universidades).
Ampliar a construção de soluções diferenciadas para nossos hospitais universitários respeitando suas diferenças e garantindo a estabilidade dos quadros fundacionais.

Precisamos fortalecer a autonomia das universidades e ampliar o seu financiamento, para que possamos consolidar o maior movimento de inclusão social e econômica do nosso país. Faremos tudo isso! Com a valorização do diálogo, da democracia, da construção coletiva e da articulação com todos os segmentos da sociedade e todos os níveis de governo.

Que o segundo centenário da nossa trajetória seja igualmente marcado pela determinação, pela ousadia, pela perseverança e pelo papel de liderança cujo exemplo marcante tivemos de nossos fundadores.

Que nós possamos refletir sobre que universidade o Paraná e o Brasil precisam que nós nos tornemos para continuarmos relevantes e abraçados pela nossa comunidade como estamos sendo nesta ocasião. Que venham mais 100 anos. Que Deus nos proteja!

Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal e um maravilhoso e abençoado 2013 !

Viva a educação, viva o povo paranaense, viva a Universidade Federal do Paraná!

Confira abaixo a íntegra do discurso do vice-reitor Rogerio Andrade Mulinari, lido no dia 19 de dezembro de 2012, durante cerimônia dos 100 anos da Universidade Federal do Paraná no Teatro Guaíra.
Aliaram-se na iniciativa ousada da criação da Universidade do Paraná as forças políticas, intelectuais e econômicas do Estado, liderados por Vitor Ferreira do Amaral e Silva e Nilo Cairo da Silva. Com personalidades, concepções e experiências diversas, eles focalizaram nos interesses que os uniam e trabalharam suas diferenças. Ambos médicos, amalgamaram advogados, engenheiros e tantos outros paranaenses nascidos nestas terras e muitos que nos adotaram como sua casa para sonhar, planejar e realizar uma Universidade na Curitiba de pouco mais de 50.000 habitantes e uns poucos privilegiados que haviam alcançado o ensino superior em outras terras.

A economia crescente da época demandava maior número de profissionais com competências e habilidades complexas, fomentando a criação de uma instituição para promover a reflexão, a intelectualidade e os talentos necessários para uma jovem sociedade em desenvolvimento. Universidade privada de inicio, sempre teve apoio nos governantes do Estado do Paraná e do Município de Curitiba.

Dissolvida pela lei Maximiliano em 1918, mas sem nunca ter se desagregado de fato, ocupando o mesmo Prédio expandido e modificado ao longo dos anos, ela foi restaurada em 1946 como Universidade do Paraná. Vitor voltou ao posto que jamais havia deixado de ser, Reitor. Nilo, chamado de o incansável por Vitor, não pode assistir o feito. A federalização foi obtida após grandes esforços de Flavio Suplicy de Lacerda em 1950. É com muita luta, sangue, suor e lagrimas que a UFPR alcançou os objetivos dos seus fundadores, ao construir uma identidade educacional, cultural e cidadã para o Estado do Paraná.

Hoje associa tradição, modernidade e inclusão social no seu cotidiano, elementos indispensáveis para a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão e fundamentais na construção de uma sociedade mais justa, mais humana e democrática.

A Universidade, originalmente planejada para 12 cursos em seu Estatuto, iniciou com 97 alunos e cinco cursos superiores: Direito, Engenharia, Farmácia, Medicina e Odontologia, além de dois cursos técnicos para a época, Obstetrícia e Comércio. No seu primeiro centenário oferece mais de 100 habilitações na graduação, 112 cursos de mestrado e doutorado e incontáveis oportunidades de aprimoramento presencial e à distância a mais de 35 mil estudantes.

Desenvolve com a comunidade inúmeros programas e projetos de extensão com foco nos direitos fundamentais da cidadania. É protagonista importante no cenário de ciência, tecnologia e inovação e a maior fonte de patentes do Paraná e a quinta do Brasil.

A expansão motivou a criação de múltiplos campi em Curitiba e outros no interior do Estado, em Pontal do Paraná, Matinhos e Palotina, além das fazendas experimentais Bandeirantes, Canguiri, Paranavaí, Rio Negro e São João do Triunfo.

Disponibiliza atendimentos à saúde humana em Curitiba em dois hospitais universitários próprios, o Hospital de Clínicas, que atende o equivalente a toda UMA Curitiba ao longo do ano, e a Maternidade Vitor Ferreira do Amaral, a primeira do Paraná e que realiza 20 % dos partos do Programa Mãe Curitibana. Desenvolve parceria vencedora com as Secretarias de Saúde Municipal e Estadual no Hospital do Trabalhador, reconhecido como o melhor centro de trauma da Cidade de Curitiba.

A saúde animal é cuidada em dois hospitais veterinários universitários, Curitiba e Palotina. Ambos desenvolvem intensa programação com os municípios de suas regiões.

A UFPR revelou-se repleta de êxito neste Primeiro Centenário, excedendo suas fronteiras para contribuir com o progresso do Brasil e estendendo suas ações e reconhecimento para além das fronteiras da nação. Ela tem lugar de destaque entre as mais importantes universidades brasileiras, com ações na maioria dos municípios do Estado do Paraná, contribuições nacionais em múltiplas áreas, incluindo energia, petróleo, saúde, agrárias, entre outras. Desenvolve soluções tecnológicas com vários parceiros, seja nas Américas, com o nosso Centro de Hidráulica, ou na Africa, com a Engenharia Florestal.

Esta rica história merece ser revisitada, suas glórias e personagens lembrados, os desafios de cada época e os eventuais equívocos avaliados para que enfrentemos o futuro melhor preparados. Um Comitê Executivo dos 100 anos foi criado em 2009 com os objetivos de fomentar o registro das memórias da UFPR e de seus protagonistas e articular as comemorações dos 100 anos durante o ano de 2012.

Compartilharam esta missão os Professores Carlos Alberto Faraco, Carlos Roberto Antunes dos Santos, Jaime Antonio Cardoso, Maria Emilia Daudt von der Heyde e Ulf Gregor Baranow, e ainda a Pró-Reitora de Extensão e Cultura Prof.ª Elenice Mara Matos Novak, a Coordenadora de Cultura Lucia Maria Bueno Mion, a Coordenadora de Extensão Prof.ª Nadia Gaiofatto Gonçalves e a Assessora de Comunicação Ana Paula Moraes, com o apoio constante do Cerimonial da UFPR com Flavia Fei Sen Chu e sua equipe e da TV UFPR pelas mãos do Prof. Carlos Rocha e sua hábil equipe.

O Comitê lançou editais do Programa Bolsas Rumo aos 100 anos em 2010 e 2011 visando estimular pesquisas históricas sobre as contribuições da UFPR nas áreas das humanidades, das ciências da vida e das tecnológicas. Foram aprovados 60 projetos por comissões “ad hoc”, com a concessão de bolsas a mais de 100 estudantes. Para além dos projetos, foram lançadas as bases e a valorização da pesquisa sobre a memória e as realizações da Universidade.

A divulgação de alguns trabalhos ocorreu por meio da publicação de livros históricos, como “Quatro Décadas do Curso de Geologia do Setor de Ciências da Terra” em 2011 e “Memórias da Bioquímica” em 2012, entre muitos outros com o selo dos 100 anos e com as contribuições decisivas da Editora e incessante da Impressa da UFPR. Mais de 30 trabalhos participaram das mostras nas Semanas Integradas de Ensino, Pesquisa e Extensão – SIEPE, em 2011 e de 2012. Todos deixam contribuição inequívoca ao contar a história dos feitos de uma grande e pulsante Universidade. Muitos ainda serão apresentados nos primeiros anos do segundo centenário.

O Comitê planejou para 2012 atividades comemorativas visando mostrar à comunidade interna, e relembrar para a sociedade, os momentos importantes da vida da Universidade. Homenageamos seus protagonistas, incluindo a criação dos cinco cursos fundadores, Direito, Engenharia, Farmácia, Medicina e Odontologia, em ocasiões mensais para reflexão, lançamos livros históricos e acadêmicos e apreciamos apresentações dos grupos artísticos da UFPR, a Orquestra Filarmônica, berço de tantos músicos, o Coro, o Madrigal, o Grupo de MPB, o Grupo de Dança Téssera. Homenageamos também nossos parceiros, como a Caixa Econômica e Itaipu Binacional entre tanto outros. Uma Universidade é tão grande e relevante quanto as parcerias que desenvolve com a sociedade.

Do muito que foi comemorado, relembramos a eleição da UFPR e de nosso Prédio Histórico como local símbolo de Curitiba em 1999, a importância da cultura indígena lançando a mostra “Amazônia Viva” de Tyryetê Kaxinawa e os dois eventos de estímulo ao transporte alternativo e a uma vida mais saudável.

Celebramos os 100 anos de nossa fundação em 19 de dezembro de 2012, com a comunidade unida em torno de Prédio Histórico com a alva fachada restaurada, que visitaremos em poucos instantes, simbolizando a permanente renovação, mas com a alma sempre pura e os propósitos altivos de todos os que ao longo deste caminho desafiador a fizeram forte para enfrentar os momentos de incerteza e sensível para acolher a todos que procuram a luz pela educação.

Helena Kolody nos ensinou que todos nascemos com uma ESTRELA, alguns fazem dela o seu SOL, outros nem conseguem vê-la. Já temos o nosso sol, é chegada a hora de fazê-lo brilhar forte sobre todos, para começar a escrever as primeiras linhas do segundo centenário, tão diferente do primeiro, mas igualmente desafiador.

Confira abaixo a íntegra do discurso do governador Beto Richa, lido no dia 19 de dezembro de 2012, durante cerimônia dos 100 anos da Universidade Federal do Paraná no Teatro Guaíra.
Senhoras e senhores, boa noite a todos

É uma honra e um privilégio, para mim, participar desta cerimônia do centenário de fundação da nossa querida Universidade Federal do Paraná, orgulho de todos nós.
Nestes cem anos de existência, a instituição se projetou como o mais importante núcleo gerador de ideias e de formação da inteligência paranaense.

De seus bancos acadêmicos saíram os quadros profissionais que mais contribuíram para o nosso desenvolvimento econômico, social, cultural e científico ao longo de todo o século XX.

Daqui saíram homens e mulheres que se destacaram no direito, na medicina, na engenharia, na literatura e tantas outras expressões da ciência e da cultura.
Mas muitos obstáculos tiveram de ser superados ao longo dos anos para que a Universidade atingisse o patamar de que hoje desfruta.
E isso desde os primeiros dias de sua criação, pois eram tempos turbulentos aqueles de dezembro de 1912, quando um grupo de idealistas fundou aqui em Curitiba a primeira Universidade brasileira.

Apenas dois meses antes, em 22 de outubro, havia eclodido a Guerra do Contestado, com os confrontos da batalha do Irani, em que morreu o coronel João Gualberto, herói da nossa Polícia Militar.

O conflito do Contestado se estendeu por quatro anos, e se não bastasse isso a economia brasileira logo passou a enfrentar as graves dificuldades decorrentes da I Guerra Mundial, deflagrada em 1914.

Essa complexa conjuntura histórica não impediu que a Universidade se tornasse uma realidade, graças à persistência de seus fundadores.

Vitor Ferreira do Amaral, Nilo Cairo e seus colaboradores estavam cientes da dimensão histórica do desafio a que se haviam proposto.
Era preciso levar a tarefa a cabo e evitar que se repetisse a frustração de 1892, quando o professor, advogado e historiador José Francisco da Rocha Pombo lançou a pedra fundamental da almejada Universidade do Paraná.

O sonho visionário de Rocha Pombo teve de esperar 20 anos para se concretizar, por causa da Revolução Federalista e das agitações políticas que tumultuavam a vida da então jovem república brasileira.

A Universidade do Paraná superou os percalços iniciais e já acelerava seus primeiros passos quando o governo central impôs uma legislação que acabaria levando ao seu desmembramento.

Constrangimento autoritário que foi contornado por uma solução engenhosa: a criação de faculdades isoladas, entre elas as escolas de Medicina, de Engenharia e de Direito.

Acabado o Estado Novo de Getúlio Vargas, em outubro de 1945, a sociedade paranaense se mobilizou pela reunificação das faculdades numa única Universidade.

E coube a um grande paranaense, Bento Munhoz da Rocha, propor na Câmara dos Deputados o projeto que tornou possível a federalização da Universidade do Paraná.

Bento foi além da letra da lei e, já como governador, doou os terrenos e repassou os recursos estaduais que viabilizaram a definitiva consolidação da Universidade Federal do Paraná.
Sua sede de estilo clássico teria aqui no Teatro Guaíra, no lado oposto da praça, o moderno contraponto arquitetônico idealizado por Bento quando encomendou o projeto desse Teatro ao arquiteto Rubens Meister.
O mesmo Bento que em 1927 havia se graduado na Escola de Engenharia do Paraná, que a partir de 1950 voltaria a ser parte integrante da Universidade.

Entre os alunos dessa mesma escola estiveram Pedro Viriato Parigot de Souza e Emilio Gomes, ambos governadores do Paraná nos anos 1970, Ivo Arzua e Omar Sabagg, prefeitos de Curitiba na década de 1960, e que por muitos anos lecionaram nesta Universidade, e ainda o professor Lysímaco Ferreira da Costa, que desenvolveu sua vocação de homem de Estado na educação pública.

São inúmeros os talentos aqui formados e que dedicaram o melhor de suas vidas à ciência, ao ensino e à pesquisa.

Como por exemplo o geólogo e químico João José Bigarella, que por muitos anos também foi professor desta Universidade.

Também foram muitos os que, pelo notório saber, aqui foram acolhidos como mestres para transmitir seus conhecimentos às novas gerações de alunos, como o geneticista Newton Freire-Maia, o crítico literário Wilson Martins e o escritor Cristóvão Tezza.
A propósito, é curioso assinalar que Dalton Trevisan, o nome mais representativo da nossa literatura – e reconhecido universalmente por seu talento -, também passou pelos bancos desta Universidade, na Escola de Direito.

Escola que formou grandes juristas e que teve entre seus mestres nomes consagrados como Manoel de Oliveira Franco Sobrinho, Carmem Lúcia Silveira Ramos, Alcides Munhoz Neto e Rene Ariel Dotti, entre tantos outros.

A Universidade Federal do Paraná é razão de orgulho para todos nós.
Nestes cem anos de existência, ela construiu uma sólida ligação com a comunidade e o poder público, preparando quadros para a iniciativa privada e a administração pública.

Disseminou valores como a ética, a virtude, a coragem e a democracia.

Seus diretórios acadêmicos forjaram lideranças que aqui travaram os primeiros embates políticos, em assembleias e debates que os qualificaram para a futura militância na vida pública.

Como aliás foi o caso de meu pai, José Richa, que se formou em Odontologia aqui, em 1959, saiu da Universidade para entrar na vida pública e dela só se retirar ao final de seus dias.

Esses mesmos diretórios foram um importante foco de contestação ao regime militar: a fotografia do estudante de estilingue nas mãos desafiando tropas a cavalo no campus do Centro Politécnico, do fotógrafo Edson Jansen, é uma das imagens mais antológicas da resistência à ditadura.

Hoje o País fortalece suas instituições, democratiza o processo de desenvolvimento econômico com mais inclusão social e busca sua inserção na nova ordem mundial, mais globalizada que nunca neste início de novo milênio.

Um contexto no qual os paranaenses dão uma inestimável contribuição graças à existência de instituições perenes, que cumprem um papel estratégico no nosso desenvolvimento – e a maior dessas instituições é sem dúvida a nossa querida Universidade Federal do Paraná.

Muito obrigado a todos pela atenção e parabéns a todos os alunos, professores e funcionários da Universidade Federal do Paraná.

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